Velha casa nova

Arquiteta destaca as vantagens da compra de um apartamento antigo e aponta os detalhes que precisam ser observados antes de fechar o negócio.

Da Redação | 28/11/2021

No ano passado, o mercado imobiliário viu subir a procura por imóveis usados em toda Minas Gerais. O aumento na busca e nas negociações desse tipo de imóvel cresceu 105% no ano de 2020, de acordo com levantamento do Painel do Mercado Imobiliário (PMI), produzido pela plataforma Kenlo.

Para a arquiteta Luciana Garcia, esse tipo de imóvel pode ser uma excelente escolha. “Os espaços são mais amplos, as paredes são mais grossas, as esquadrias são maiores, os materiais de revestimentos são mais nobres e muitas soluções técnicas são mais refinadas, destaca.

Porém, alguns detalhes precisam ser observados antes de fechar o negócio. “Em apartamentos antigos, é preciso ficar atento quanto às instalações hidráulicas e elétricas, principalmente. É interessante olhar o elevador também, conheço muita gente que comprou apartamento e recebeu a conta do elevador novo para pagar”, diz.

Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Luciana Garcia revela todas as dicas para não cair em ciladas.

Quais as principais vantagens de comprar um apartamento antigo?

Existem muitas. A primeira delas são os espaços mais amplos e o pé-direito mais alto. Outra vantagem são as paredes mais grossas, que permitem menos aquecimento por insolação nos cômodos e diminui a incidência de ruídos. A somatória do contrapiso e da laje é mais alta, permitindo que se façam mudanças interessantes, até mesmo em tubulação de hidráulica sem elevar o nível do piso. Também posso citar as esquadrias maiores, que permitem ventilação e iluminação mais do que adequadas para os ambientes, além da presença de materiais nobres, como os pisos de madeira, que são termoacústicos e trazem grande conforto. Vale muito a pena recuperá-los com um bom sinteco ao invés de simplesmente trocar. São materiais raros e com custo elevado no mercado.

O que o comprador precisa observar antes de fechar o negócio?

Os apartamentos antigos precisam de uma atenção maior na hora da compra. É necessário que o comprador procure saber, por exemplo, se as tubulações de hidráulica e elétrica já foram trocadas, pois, um dia, todos os imóveis antigos vão precisar passar por essa reforma em algum momento. Caso não tenham sido, é preciso considerar esse item na planilha de custos. Outro ponto de atenção é relacionado às áreas comuns dos prédios, que muitas vezes não oferecem todas as comodidades de um imóvel novo. Por último, é preciso se atentar ao estado de conservação e à idade dos elevadores. Isso porque o custo de uma troca de elevador é muito alto e, uma vez que o cliente já estiver morando no seu apartamento, vai precisar arcar com isso também, além de todo o investimento já feito na compra e reforma do seu imóvel.

Existem sinais de problemas que podem ser observados durante a visita a um apartamento antigo?

Sim. Os principais deles são os indicativos de infiltração. Para saber se o imóvel sofre com esse problema, uma dica é observar os rodapés. Se forem de madeira, eles tendem a soltar da parede em função da umidade. Além disso, é importante observar paredes estufadas. Essa dica também vale para as esquadrias, porque é muito comum haver manchas, mofo, bolhas ou descascamento nesses trechos. Outra dica, é olhar o teto, no caso de apartamentos de cobertura. Se estiver mofado, trincado ou estufado, é um indício de infiltração no telhado. Em imóveis de primeiro andar, é indicado observar se no térreo, ou na garagem, existe algum indício de vazamento. Para conseguir realmente detectar esses detalhes, uma dica de ouro é marcar as visitas logo após um período de chuva, quando possível. Assim, consegue-se visualizar muitos sinais de infiltração e já se preparar para eles.

Qual a importância da parceria entre o cliente e o arquiteto na hora de fazer uma reforma?

É muito importante que o cliente esteja alinhado com a bagagem estética do profissional. Sugiro que faça uma pesquisa estética do que gosta e conte ao profissional suas demandas, o que deseja para cada ambiente, como vai usá-lo e o que espera com o resultado estético. Além disso, é preciso avaliar se o arquiteto tem abertura ao diálogo, que é fundamental para garantir o sucesso e satisfação de ambas as partes. Dessa forma, é possível compartilhar todos os detalhes com o profissional escolhido e, acima de tudo, ter confiança, que é a base de qualquer diálogo. Por fim, o cliente pode refletir no porquê do desejo de fazer um projeto. Depois, ele pode mesurar quais são as demandas reais que ele possui, por exemplo: “Tenho que trocar piso, cortina e gostaria de colorir o meu espaço com enfeites.” Pronto, só de fazer essa pequena lista, ele já tem um desejo básico desenhado em sua cabeça. E, por fim, ele deve projetar lá no futuro qual impacto que essa mudança fará em sua vida. Esses já são os três primeiros passos do caminho do sucesso.

FOTO / Arquivo Pessoal