Vale quanto lesa

Humberto Alves Pereira Filho | 04/06/2021

diretor Humberto Alves Pereira Filho

Você herda ou compra uma casa que só conhece por fotos. Chegando lá, percebe o telhado desabando, o chão podre, as paredes balançando e quase caindo.

É o caso de Minas que, ao começar as reformas na “casa abandonada e mal assombrada”, ganhou Brumadinho e agora, a Covid-19!

Esqueçamos o lado político e o inesquecível: estado quebrado, pandemia e até Mariana, em 2015. Fiquemos na tragédia/crime de Brumadinho e, por incrível que pareça, no lado positivo da maior catástrofe ambiental do Brasil. Sim, o acordo fechado entre o governo de Minas e a Vale.

25 de janeiro de 2019. Brumadinho. Rompimento da barragem B1, da Vale, na mina Córrego do Feijão. Muitas vidas perdidas e destruição.

Do outro lado da mesma Vale, lucro de R$30 bi apenas no primeiro trimestre de 2021.

Depois de muitas negociações entre Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Ministério Público, Defensoria Pública, Assembleia Legislativa e Procuradoria Geral da República (PGR), o acordo de reparação, em fevereiro deste 2021.

O governo de Minas pediu R$ 54,6 bi. Conseguiu R$ 37.689.767.329,00 (trinta e sete bilhões seiscentos oitenta e nove milhões de reais), quebrando todos os recordes.

É como se Minas ganhasse, sozinho, a mega sena acumulada milhões de vezes. Imaginem, tentem imaginar, o que é possível fazer, com esta fortuna, em uma “casa em ruínas”!

Tudo! E muito mais.

Bilhões que, obrigatoriamente, deverão ser usados em projetos gerais e de melhoria na qualidade de vida do povo mineiro.  Isso, é bom repetir, num estado que “se vira nos 30” para pagar a folha dos servidores.

O maior ganhador é o maior perdedor, Minas Gerais. Sonhe agora com o efeito de tantos bilhões nas veias de ferro de Minas.

Além da continuidade do programa de Transferência de Renda, 365 mil empregos diretos e indiretos; solucionando problemas eternos na saúde, segurança, mobilidade, educação, turismo, etc.

Concretamente? O que está mais em “moda”, desde 2020? Saúde! Reforma de dois hospitais: Pronto-Socorro João XXIII e Eduardo de Menezes. Construção de cinco hospitais regionais para atender, sobretudo, as cidades mais atingidas pela catástrofe de 2019; melhorias na Fundação Ezequiel Dias (Funed) e na Rede de Atenção Psicossocial. Conclusão de obras das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos municípios afetados.

Segurança dupla! Na compra de helicópteros para as forças do estado. E na já citada dependência hídrica da Grande BH.

Mobilidade? Finalmente o Rodoanel de Belo Horizonte, antídoto contra as “doenças” do Anel Rodoviário da capital: trânsito caótico, “asfalto selvagem”, acidentes com caminhões pesados e veículos leves.

Educação? Reforma e melhoria de todas escolas estaduais e municipais.

Importante! Os R$ 37,68 bilhões não podem ser usados para pagamento de salários de servidores públicos, mas para benefícios diretos da população. Mais de 30% do valor serão revertidos em Brumadinho.

Muito importante também. Para garantir que a execução, tanto do ponto de vista financeiro, quanto do cumprimento das finalidades, todas as ações terão auditorias independentes.

Perdemos sim, vidas. Mas, com este sacrifício, podemos agora salvar milhões de outras, gerações.

E que tragédias desse tipo não se repitam.

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