Vacinação de servidores da Saúde é considerada irregular, porque estariam fora de grupo prioritário

Secretário estadual Carlos Eduardo Amaral contesta e afirma que imunização dele e de sua equipe está de acordo com o Plano Nacional de Imunização.

Da Redação | 09/03/2021

Carlos Eduardo Amaral

Embora não sejam considerados integrantes dos grupos prioritários definidos pelo Plano Nacional de Imunização, do Ministério da Saúde, servidores da Secretaria de estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) foram vacinados contra a covid-19. O próprio secretário Carlos Eduardo Amaral também foi imunizado.

O caso foi considerado irregular e, por isso, está sendo investigado pela Controladoria-Geral do estado de Minas Gerais, que abriu apuração para os possíveis fura-filas. O Ministério Público de Minas Gerais e a Polícia Federal também analisam a ação.

Amaral confirmou ter recebido a dose, porém afirmou que não houve irregularidades. Ele alega que faz parte – junto com sua equipe – da força-tarefa que acompanha as ações de combate ao coronavírus no Estado. Este fato, segundo ele, caracteriza a situação de risco.

Segundo a SES-MG, a vacinação dos servidores foi permitida, porque houve o recebimento de mais de 70% do quantitativo de doses destinados para trabalhadores da saúde.

Doses extras

O Governo de Minas recebeu, do Ministério da Saúde, 1.813.780 doses de vacinas contra a covid-19. Desse total, 1.318.240 foram encaminhadas aos municípios. Em todo o Estado, 666 mil pessoas receberam a primeira dose da vacina e 320 mil já foram imunizadas, também, com a dose de reforço.

Nesta terça-feira, 9, está prevista a chegada de mais 303.600 novas doses a Belo Horizonte, para serem distribuídas em todo o Estado.

SES-MG responde

Em comunicado, a Secretaria de estado da Saúde de Minas Gerais se defende:

“A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 enfatiza que são trabalhadores dos serviços de saúde todos aqueles que atuam em espaços e estabelecimentos de assistência e vigilância à saúde, sejam eles hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios e outros locais. O Plano orienta para que se opte pela seguinte ordem de priorização: preservação do funcionamento dos serviços de saúde, proteção dos indivíduos com maior risco de desenvolvimento de formas graves e óbitos, seguido da preservação do funcionamento dos serviços essenciais e proteção dos indivíduos com maior risco de infecção.

A Secretaria de Estado de Saúde é um serviço de saúde essencial para a organização das políticas e estratégias de enfrentamento à covid-19 no estado de Minas Gerais e todos os seus funcionários, independentemente de vínculo e formação acadêmica, são trabalhadores da saúde, se enquadrando na diretriz do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação para receberem a vacina.

A SES-MG só possibilitou a vacinação de seus trabalhadores após o recebimento de mais de 70% do quantitativo de doses destinados para trabalhadores da saúde, conforme estimativa do Ministério da Saúde. Só puderam se imunizar, nesse momento, os trabalhadores que:

– exerçam suas atividades na Rede de Frio Estadual, Centrais Regionais de Regulação Assistencial, Farmácias de Minas e Almoxarifado para garantir o funcionamento desses serviços;

– trabalhadores que estão ou necessitam (com justificativa) ir para o campo (investigação, inspeções sanitárias, vistorias e visitas técnicas), garantindo que as ações sejam executadas nos territórios, principalmente os municípios em situação crítica para a Covid-19;

– trabalhadores que precisam executar suas atividades presenciais para reduzir o risco de disseminação da doença e provocar, como consequência, um surto por Covid.

A SES-MG ainda esclarece que muitos de seus servidores vão a campo, visitam hospitais, fazem viagens relacionadas a políticas públicas na área de saúde, razão pela qual são grupos prioritários. Esses trabalhadores, desde o início da pandemia, atuam junto às equipes municipais, no enfrentamento direto à covid-19, trazendo informação qualificada para a tomada de decisão do governo estadual e para esclarecimento da sociedade, além de gerenciar insumos e equipamentos para garantir o atendimento da população”.

Foto: Pedro Gontijo/Agência Minas

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