Uma carta aos Heróis da Pandemia

Todos os trabalhadores estão superexpostos. Diversão? Opção? Não. Necessidade de sobrevivência, proteção aos filhos, igualmente expostos.

Humberto Alves Pereira Filho | 23/02/2021

Dia delas, coluna Humberto Alves Pereira Filho

Entre as 1001 lições desta pandemia sem fim, aprendemos que em todas as categorias, muitos profissionais entraram de cabeça com suas cotas de sacrifício. Afinal, considerando a pandemia e a realidade do País todos são essenciais, verdadeiros heróis.

E haja sacrifício para manter a Terra rodando, em meio a tantas dificuldades; crises, mortes, ansiedade, insegurança, medo, violência e miséria.

Todos os trabalhadores estão superexpostos desde o início da pandemia. Diversão? Opção? NÃO. Necessidade de sobrevivência, proteção aos filhos, IGUALMENTE EXPOSTOS. 

Não é momento de segregar grupos específicos de profissionais. Todos os que retomaram seus postos não foi por opção.

Exemplos de risco e exposição ao vírus desde o início da pandemia? Ah! Seria extremamente injusto citarmos apenas um: caixas de supermercado, porteiros, médicos, técnicos em enfermagem e todos os profissionais de saúde das redes pública e privada, profissionais de serviços gerais em residências e áreas hospitalares, motoristas de transporte coletivo, cobrador, garis, atendentes de centrais de transporte público … Afinal, trabalhadores de diversas categorias permanecem o dia todo em locais, em que circulam milhares de pessoas.

E onde ficam as crianças e adolescentes, filhos destes guerreiros?

A esmagadora maioria? Em plena vulnerabilidade. Em diversos aspectos além da ampla desigualdade de acesso a instrumentos para aprenderem longe da escola.

A luta pela educação, infelizmente, gerou polarizações desnecessárias dentro da categoria de professores e na sociedade civil, enquanto toda a população deveria se unir para buscar soluções eficazes. 

Infelizmente, a realidade do País demonstra que as crianças e adolescente em maior vulnerabilidade não estão isoladas, mas sim expostos a diversas circunstâncias maléficas tanto a saúde física e mental (aumento de casos de transtornos de humor e de ansiedade, depressão, dentre outros).

E, no geral, prejuízos incalculáveis a toda uma geração privada da escola. Já imaginaram a defasagem educacional, danos à saúde mental de privarmos nossas crianças dos inúmeros benefício do ambiente escolar, com efeitos ruins a toda uma geração?

Afinal, a educação significa o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são transferidos de uma geração para a geração seguinte. Compreende o desenvolvimento da autonomia e do senso crítico, aprimorando habilidades e competências.

Embora a data seja incerta, as escolas públicas e privadas do País estão sendo preparadas para receber os alunos em razão do novo cenário mundial pós pandemia Covid-19.

Ninguém quer a volta a todo custo, mas com segurança para todos os evolvidos na cadeia de educação. 

Um primeiro passo precisa ser dado e medidas já estão sendo planejadas para isto. As construções devem ser contínuas. Afinal, sem educação, toda a sociedade perde. Um País perde a construção e formação humana de uma geração

A incrementação da vacinação é fundamental na proteção, mas não podemos atrelar a volta das escolas apenas a este ponto e outros que dependem também de atitudes de nossa parte. Teremos que nos adaptar.

Afinal há uma nova realidade, mutação de vírus, incertezas.

Momentos críticos devem ser respeitados por toda a sociedade, mas a educação tem que estar na pauta da convergência, não do ódio. Colocar na balança e proteger os grupos de risco.

Quando o assunto é educação, os cidadãos e representantes dos sindicatos devem construir pontes e se unir com a sociedade civil na busca de soluções tanto na esfera pública e privada.

A vida tem que continuar e não há profissional menos ou mais exposto quando se fala em Brasil.

Dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os realmente desiguais, na exata medida de suas desigualdades

Uma abertura híbrida e opcional parece ser um caminho para as escolas públicas e privadas. Protocolos de saúde já estão estabelecidos.

Que se imponha um rodízio, um distanciamento entre os alunos. Viável sim!  

A consciência individual dos adultos e adolescentes também deve ocorrer. Não basta transferir a responsabilidade de tudo.

E não subestimem as crianças. Elas têm alta capacidade de adaptação.

Escolas não são apenas espaços de conhecimento, mas uma extensão da família, acolhimento, proteção. Todo nosso apoio e respeito aos professores.

Senhoras e senhores, não é uma luta entre o público e privado, rico e pobre. As categorias profissionais devem atuar na busca de soluções concretas e possíveis no momento. 

Sim, a pandemia continua e não tem data para pegar o avião de volta. Talvez, mesmo “amestrada”, permanecerá alguns anos.

Vamos nos unir, ter uma visão mais ampla, aprender com os modelos que deram certo. O caminho é longo, os critérios vão sendo definidos, erros terão, mas o esforço deve ser comum na busca de soluções. Afinal, teremos que nos adaptar a uma nova realidade.

O momento deveria ser de esforço de uma nação, união de ideias, busca de soluções.  Afinal o objetivo é único e a EDUCAÇÃO é direito fundamental e a base de tudo. 

LIBERTAÇÃO. 

O tema é complexo e delicado, mas fica a reflexão.

Que fiquem também registradas a admiração e gratidão a todos os profissionais que se arriscaram em prol da coletividade. A todos que focam na solução dos problemas de forma eficaz, respeitosa e coerente, nosso apoio.

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