“Um designer não pode limitar sua visão criativa”

Mineiro descobriu a profissão por acaso e, agora, comemora 30 anos de carreira

Da Redação | 30/01/2021

Em 2020, o designer Camilo Belchior completou 30 anos de carreira. O mineiro descobriu a profissão por acaso (ou destino), enquanto assistia à telenovela “Brilhante”, exibida pela Rede Globo em 1982.

Na trama, a personagem Luiza (vivida pela atriz Vera Fischer) era uma desenhista industrial de joias e, ao acompanhar o enredo, Camilo percebeu que essa profissão lhe chamava muita atenção. Em 1984, ele ingressou na faculdade, cursando Desenho Industrial. Desde então, sua paixão pelo design só tem crescido.

Em entrevista ao JORNAL DA CIDADE, Camilo conta um pouco da sua história, desafios e diferenciais como designer. Confira:

Qual é seu diferencial como designer?

Acredito que minha principal característica como designer esteja em minha habilidade de conectar disciplinas e conhecimento. Acredito muito em meu senso de organização, indispensável para a execução de determinados projetos. Os últimos 15 anos me proporcionaram uma visão abrangente e sistêmica acerca das exigências que o design deste século requer do mercado. Lidar com o novo não é fácil e um bom designer precisa compreender como as ferramentas podem auxiliar nas construções culturais. 

Qual foi o seu maior desafio dentro do design?

Nossa, foram muitos! Acredito que o desafio que mais marcou minha trajetória profissional foi compreender que o design estratégico não enxerga barreiras entre os vários segmentos do design. A profissão compreende que gráfico, produto, superfície, moda, joalheria, automobilismo, dentre tantos outros, são meios e ferramentas nos quais é possível trabalhar o design com uma visão estratégica, tática e operacional. Não precisamos nos limitar a percorrer uma única trajetória. Existe uma mágica no design.

Em sua opinião, o que difere os designers mineiros dos de SP, RJ ou demais locais do mundo?

Não acredito que essa diferença exista. É claro que o regionalismo e a cultura local influenciam na produção projetual de cada designer. Cada profissional é único, seja na maneira como cada um percebe o seu potencial, ou no grau dado à sua importância dentro do mercado. O designer também se destaca pela forma como se habilita para desenvolver um determinado projeto, sempre da melhor forma possível.

Algum trabalho seu te marcou especialmente?

Foram muitos projetos durante todos esses anos. Falando de clientes, o case que mais me marcou foi o da Templuz, empresa que hoje ocupa um lugar de destaque no mercado. Lá, pude desenvolver ações de grande projeção, como a criação do “Mural Templuz”, que democratiza o acesso à arte na rotina corrida da capital mineira.

Com relação a projetos independentes, o que considero de grande importância para o segmento do design nacional, e que me deixa muito orgulhoso de ser o idealizador, é a criação, em 2012, da Magazinebook iDeiaDesign. Uma publicação de alta qualidade gráfica e de conteúdo, apontada, dois anos após sua criação, como uma das 12 principais revistas especializadas em design do Brasil, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Hoje, após oito anos de existência, é uma das duas que ainda existem no mercado. Todas as outras foram descontinuadas. 

Existe um tipo de design mais definido em Minas?

O mercado mineiro é mais desenvolvido no setor moveleiro e de moda, sendo os dois maiores no sentido de número de empresas. É claro, existem outros importantes segmentos, como o da iluminação. Tive a oportunidade de trabalhar em uma grande empresa desse ramo, entre de 1999 e 2004. Lá, pude criar mais de 150 produtos e desenvolver o núcleo de design do local.
Hoje, fico orgulhoso em pensar no desenvolvimento do design em Minas. Fico mais feliz ainda porque nosso estado está recebendo a nova estrutura da Escola de Design da UEMG, que terá nova sede na Praça da Liberdade/BH. A escola receberá um espaço físico que a colocará como a maior em tamanho da América Latina. Isso é um ganho exponencial para toda sociedade, não apenas mineira, mas de todo País. 

Para você, o que é pensar fora da caixa?

Prefiro pensar em não enxergar barreiras e nem limites para a atuação profissional. Um designer não pode limitar sua visão criativa, nem ter preconceitos. Um designer não cria para ele mesmo, cria para o outro e, nesse sentido, precisamos nos distanciar de nossos gostos pessoais para saber interpretar o que o outro deseja. O design não só aponta soluções, mas também prevê novos cenários e propõe outras oportunidades, tanto para contexto de mercado quanto para contextos sociais.

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