Stellantis e General Motors anunciam iniciativas em busca de sustentabilidade máxima

Enquanto fábrica da Jeep é confirmada como indústria multiplantas carbono neutro da América Latina; General Motors anuncia plano global com metas ambientais rígidas.

Da Redação | 10/02/2021

Polo industrial Jeep

A busca pela emissão zero de carbono na indústria automotiva acaba de envolver duas das maiores marcas do mundo, com fábrica no Brasil: a recém-criada Stellantis (fusão da FCA com a PSA) e a General Motors.

O Polo Automotivo da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) de Goiana (PE) acaba de ser confirmado como o primeiro complexo industrial multiplantas carbono neutro da América Latina. Já General Motors anunciou que planeja se tornar neutra em carbono em seus produtos e operações globais até 2040 e se comprometeu a estabelecer metas baseadas na ciência para atingir seus objetivos.

Programa GHG

Local onde são produzidos veículos da marca Jeep já detinha desde 2017 o Selo Ouro do Programa GHG Protocol Brasil, que tem como objetivo estimular empresas a quantificar e gerenciar emissões de Gases de Efeito Estufa (GHG, na sigla em inglês).

Todas os 16 fornecedores na unidade industrial também aderiram a iniciativas de compensação de emissões, por meio do programa Amigos do Clima.

O COO da Stellantis para a América, Antonio Filosa, ressaltou a importância do compromisso e a adesão dos fornecedores. Além disso, afirma que o novo grupo já nasce com a visão de sustentabilidade, que é a busca pela neutralidade de carbono. “Damos um passo muito importante com este marco inédito para toda a indústria sul-americana. E muitas outras iniciativas vêm por aí”, avisa.

Envolvimento da rede

As cerca de 200 concessionárias a Jeep também se comprometeram a aderir à causa e buscar iniciativas para a redução e compensação de emissões. “Vamos trabalhar em conjunto com todos os concessionários para que sejamos a primeira rede Jeep do mundo a alcançar a marca de Carbono Neutro”, afirma o diretor comercial da Jeep para o Brasil, Everton Kurdejak.

Segundo a montadora, o compromisso de emissão reduzida deve atingir os produtos da marca, com a eletrificação do portfólio, que já está em curso no exterior.

Inaugurado em 2015, o Polo Automotivo Jeep impulsionou um trabalho coordenado para a neutralização dois anos depois, através do desenvolvimento de processos para reduzir e neutralizar emissões de gases de efeito estufa geradas pela manufatura.

Desde então, metas foram estabelecidas e cada vez mais rigorosas. Em 2020, houve uma redução de 18% do indicador em comparação com os resultados de 2019.

O gerente da planta pernambucana, Sérgio Marques, enumera algumas ações que visam a eficiência energética. Veja algumas:

  • Redução de consumo de gás natural e eletricidade;
  • Uso de robôs inteligentes com sistema de arrefecimento em stand by;
  • Uso de iluminação natural e lâmpadas de LED;
  • Utilização de empilhadeiras elétricas.

Aterro Zero

A planta também tem selo de ser Aterro Zero, com 100% dos resíduos gerados no processo produtivo enviados para a reciclagem e reutilização. Na área de gestão hídrica, a fábrica reduziu em 46% do consumo de água por veículo produzido, além de alcançar o índice de 99,5% de reuso de água do processo industrial.

Com isso, em um mês, cerca de 23 mil metros cúbicos de água deixam de ser captados da rede pública de abastecimento.

O Programa de Biodiversidade implantado no polo prevê que uma área que antes era ocupada por monocultura de cana-de-açúcar está sendo reflorestada com mudas do bioma original da Mata Atlântica. Até 2024, serão criados 304 hectares de área verde e corredores ecológicos. Até hoje, foram plantadas mais de cem mil mudas de 295 espécies diferentes, 27 delas em extinção. O objetivo é chegar a 208 mil mudas até 2024.

Business Ambition Pledge

Já a General Motors assinou o Business Ambition Pledge para 1,5⁰C, um chamado urgente à ação de uma coalizão global de agências da ONU, líderes empresariais e industriais. “Estamos nos juntando a governos e empresas globalmente, trabalhando para criar um mundo mais seguro, mais verde e melhor”, afirmou a CEO da GM, Mary Barra.

Além das metas de carbono da GM, a empresa trabalhou com o Fundo de Defesa Ambiental (EDF) dos Estados Unidos para desenvolver uma visão compartilhada de um futuro totalmente elétrico e a aspiração de eliminar as emissões de novos veículos leves até 2035.

O foco será oferecer veículos zero emissão em uma variedade de faixas de preço e trabalhar com todas as partes interessadas, para construir a infraestrutura de carregamento necessária e promover a aceitação do consumidor.

Descarbonizar

Para atingir seus objetivos, a GM planeja descarbonizar seu portfólio ao fazer a transição para veículos elétricos a bateria ou outra tecnologia de veículos com emissão zero, obtendo energia renovável e aproveitando compensações ou créditos mínimos.

A utilização de produtos da GM é responsável por 75% das emissões de carbono relacionadas a este compromisso. A empresa vai oferecer 30 modelos totalmente elétricos em todo o mundo até meados da década e 40% dos modelos da empresa oferecidos nos EUA serão veículos elétricos a bateria até o final de 2025.

O investimento é de US$ 27 bilhões em veículos elétricos e autônomos nos próximos cinco anos. Inclui o desenvolvimento contínuo da tecnologia de bateria Ultium da GM, atualizando instalações como a Factory ZERO em Michigan e Spring Hill Manufacturing no Tennessee (EUA) para construir veículos elétricos a partir de peças de origem global.

Além de aplicar recursos em novos locais como Ultium Cells LLC em Ohio (EUA), bem como fabricação e Trabalhos STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Energia renovável

Mais da metade dos gastos de capital e da equipe de desenvolvimento de produtos da GM serão dedicados a programas de veículos elétricos e autônomos. E nos próximos anos, a GM planeja oferecer um EV para cada cliente, de crossovers e SUVs a caminhões e sedãs.

Para lidar com as emissões de suas próprias operações, a GM irá fornecer 100% de energia renovável para abastecer suas instalações nos EUA até 2030 e globalmente até 2035, o que representa uma aceleração de cinco anos da meta global anunciada anteriormente pela empresa.

Para contabilizar as possíveis emissões de carbono remanescentes, a montadora planeja investir em créditos ou compensações. A empresa avaliará as soluções de crédito e compensação nos próximos anos.

Foto: Studio Cerri

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