Sistema de Transporte Coletivo de Belo Horizonte convive com prejuízos e incertezas

Neste artigo, Joel Paschoalin observa que quanto mais tempo se adia um aumento de tarifa, mais deficitário fica o sistema.

Da Redação | 14/01/2021

Joel Paschoalin

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) vê com preocupação os prejuízos acumulados pelo sistema durante a pandemia pela Covid-19. Considerando o período de março a dezembro de 2020, os prejuízos já somam mais de R$300 milhões.

Desde o início da pandemia, as empresas têm ofertado um número de viagens superior a demanda de passageiros e cumprido 99,99% dessas viagens programadas, o que tem gerado prejuízos diários no sistema.

A operação do sistema, por exemplo, no dia 6 de janeiro de 2021, realizou 16.413 viagens, o que equivale a 67% do número de viagens ofertadas antes da pandemia, que na época realizava 24.500 viagens. Com esse desequilíbrio, da oferta sempre acima da demanda, os prejuízos diários que vão se acumulando, são da ordem de R$1,8 milhões.

Outro ponto de preocupação das empresas, tem sido o aumento constante do óleo diesel, que representa 25% de custos de operação do Sistema de Transporte Coletivo por ônibus em Belo Horizonte. A previsão de analistas de mercado é que o preço do litro deve subir 12% neste ano.

O acordo recente, firmado com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e que conta com o aval do Tribunal de Justiça (TJ), para adiantamento da compra de vales transporte para o funcionalismo, foi fundamental para o sistema continuar operando até março.

Cabe pontuar que nenhuma grande cidade no mundo estava preparada e treinada para se adequar rapidamente às adversidades e desafios diários que todo o sistema, empresas e colaboradores vêm enfrentando para continuar operando com eficiência e segurança.

Temos que seguir um decreto que exige limite de passageiros em pé, e ele é unilateral e não consta no nosso contrato. É um dos motivos do sindicato não concordar com as multas que estão sendo aplicadas. Sabemos da necessidade de evitar a lotação dos veículos. Na grande maioria das viagens temos atendido ao decreto, mas precisamos do apoio da população. Não temos como proibir o embarque de um passageiro em uma estação ou ponto de ônibus na cidade.

Em relação aos reajustes tarifários, sabemos que o momento é complicado em meio à pandemia, que impacta a renda da população. Mas o aumento é importante e necessário. Quanto mais tempo se adia um aumento de tarifa, mais deficitário fica o sistema. Nos últimos quatro anos tivemos apenas um aumento de tarifa, o prejuízo é grande para o sistema. O aumento da tarifa é tão somente a correção da inflação do ano anterior. Diferente de variados produtos e serviços que aumentam ao longo de todo ano

Joel Paschoalin é presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH).

Foto: Edy Fernandes

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