Setor supermercadista mineiro cresce 10,97% em 2020 e projeta 2021 ainda melhor

Mudança no hábito de consumo, com o isolamento social, fez as famílias se alimentarem em casa e aumentarem gastos com compras de itens da cesta básica e produtos de higiene.

Da Redação | 09/02/2021

Supermercado

Um setor da economia que não tem o que reclamar nesta crise causada pela pandemia é o supermercadista. Em Minas Gerais, o segmento registrou crescimento médio de 10,97% em 2020, de acordo com o Termômetro de Vendas, pesquisa mensal da Associação Mineira de Supermercados (Amis), com empresas de todos os portes e em todas as regiões do Estado.   

A pesquisa é referente a dezembro e mostra ainda que na comparação com novembro o crescimento das vendas foi de 21,98%. Resultado atribuído às demandas ocasionadas pelo Natal/final de ano. Na comparação com o mesmo mês de 2019, a expansão foi de 12,66%. Todos os valores já estão deflacionados pelo IPCA/IBGE.

O crescimento em dezembro segue o comportamento das vendas em praticamente todo o ano, numa trajetória bem acima da projeção de 4,5% feita pela Amis no início de 2020.

E-commerce

Por causa do isolamento social, houve transformações nos hábitos de consumo. Adultos em home office ou desligados do trabalho e crianças sem escola elevaram o volume de compras das famílias, especialmente em itens da cesta básica e produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica.

Itens antes comprados nos bares e restaurantes, fechados em boa parte do ano, passaram a ser consumidos em casa. Isso fez elevar também a demanda de produtos, como bebidas e carnes, nos supermercados.

“O crescimento do e-commerce, que ganhou muito espaço no setor em 2020, favorecido pelas transformações digitais de forma geral, também foi um fator que contribuiu com o aumento das vendas”, destaca o presidente executivo da Amis, Antônio Claret Nametala.

“Muitos consumidores optaram por ficar em casa e fazer as compras por meios digitais, e os supermercados responderam bem a essa demanda”, complementa.

O auxílio emergencial pago pelo governo federal também foi um fator preponderante no aumento da demanda ao propiciar acesso a mais itens da cesta de compras a um número maior de consumidores.

Resultados financeiros

No entanto, o setor observa que o aumento de vendas ao longo de 2020 não se traduz em melhores resultados financeiros efetivamente. Segundo a Amis, os supermercados tiveram que passar por muitas mudanças e se ajustar a protocolos diversos.

O setor precisou reorganizar lojas, adquirir equipamentos e disponibilizar itens de proteção e cuidados com a saúde para clientes, funcionários e fornecedores. Isso gerou alto custo de todas essas adequações e a pressão dos preços dos produtos, principalmente da cesta básica, achataram ainda mais as margens do setor. 

O segmento mineiro atingiu o faturamento de R$ 41,39 bilhões em 2020. Mas os supermercados mantiveram também os investimentos em expansão e inauguraram 69 lojas no Estado. Os aportes nesses novos empreendimentos totalizaram R$ 660,85 milhões.

Lojas

O número de lojas e o total investido estão ligeiramente abaixo do que foi projetado pela Associação Mineira de Supermercados (Amis) no início de 2020, que eram de 75 novas unidades, com recursos de R$ 700 milhões.

Entre os formatos, as lojas de vizinhança tiveram a maior expansão, com a abertura de 41 unidades dos mais diversos portes. Em seguida, vem o atacarejo, com 20 novas lojas.

As projeções do setor para este ano são otimistas, com previsão de mais investimentos e de expansão nas vendas. A chegada da vacina contra o novo coronavírus trará mais segurança para consumidores e empresários e a população em geral e mais confiança na economia.

Política

Na política, as mudanças no Congresso Nacional, com novos presidentes na Câmara e no Senado, ambos mais alinhados com as propostas do Executivo, devem favorecer a aprovação de reformas e tornar o ambiente econômico mais favorável para investimentos.

No setor supermercadista mineiro, novos investimentos vão continuar ocorrendo em todo o Estado.  A estimativa é que 70 lojas sejam abertas durante o ano, com a geração de 7,3 mil empregos diretos.  Se confirmados esses investimentos, até o final de 2021, o setor terá investido R$ 720 milhões em novos empreendimentos.

Com a esperada chegada da vacina a toda a população e seus reflexos positivos na economia e a volta do auxílio emergencial, o setor projeta um crescimento de 4,20% ao ano. 

Foto: Pixabay

Arte com faturamento setor de supermercados

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