Setembro Amarelo: saúde mental e o cuidado com o próximo

Da Redação | 07/09/2021

O mês de setembro é destinado a um importante debate na sociedade sobre a prevenção ao suicídio, uma das principais causas de mortalidade no mundo. De acordo com dados da OMS, o Brasil ocupa um triste 8º lugar em número de suicídios. O país registra cerca de 12 mil suicídios por ano. Esta é também a segunda causa de mortes entre a população jovem de 15 a 29 anos.

Criada pela Associação Brasileira de Pediatria, o Centro de Valorização à Vida e o Conselho Federal de Medicina, a Campanha Setembro Amarelo liga o alerta para os cuidados com uma série de sinais e sintomas do pensamento suicida. “A campanha tem como objetivo informar e conscientizar toda a população sobre a importância de se falar do tema, do cuidado com a saúde mental e, principalmente combater o preconceito que ainda existe sobre o assunto”, comenta Alessandra Barcelos Menezes, psicóloga da Fundação São Francisco Xavier, que atua no Hospital Márcio Cunha.

A psicóloga explica que existe relação entre os transtornos mentais e os pensamentos suicidas. Estima-se que 96% das pessoas que cometem suicídio sofrem com algum distúrbio mental. “A depressão, que é um mal do nosso século, é um dos principais fatores desencadeantes de tentativas de autoextermínio. Além disso, podemos citar o transtorno afetivo bipolar, a esquizofrenia e uso abusivo de drogas”. 

As razões podem ser as mais diferentes possíveis, mas a depressão é uma doenças mais comuns associadas ao suicídio. Para a psicóloga Alessandra, o isolamento social e as sensações de medo vivida por muitos durante a quarentena deve ser observada com muito cuidado. “É imprescindível, mesmo em pandemia, que sejam tomadas precauções com a vida. Manter momentos de lazer, manter contato social mesmo que virtualmente. É importante buscar satisfação em alguma atividade ou tarefa diária e praticar atividades físicas”.

Jovens

O índice de jovens com pensamentos suicidas é muito alto não só no Brasil, mas em todo o mundo. Segundo a psicóloga, essa é uma fase da vida que contribui para os sentimentos de insegurança. “As expectativas em relação ao futuro são mais intensas nessa fase da vida. É um período em que são realizadas muitas escolhas e para além disso, o jovem muitas vezes não possui recursos psicológicos que contribuam para o enfrentamento dos problemas da vida e adaptação às novas vivências. Isso pode gerar uma grande frustração e tristeza profunda, podendo desencadear em depressão e pensamentos de autoextermínio”.

Sinais

A psicóloga ensina que é possível ajudar uma pessoa ficando atenta aos sinais que elas demonstram. “Existem comportamentos que acendem o alerta para o problema. Quem verbaliza que não quer mais viver, que não tem perspectiva de futuro, uma hora pode chegar a concretizar a sua ameaça. Outros sinais é quando a pessoa perde o autocuidado, se isola de tudo, tem alterações no comportamento e no humor. Tudo isso precisa ser observado pela família, amigos e pessoas próximas”. E acrescenta. “O mais importante é apoiar, buscar ajuda especializada de profissionais da área de saúde mental para manter o cuidado e a valorização da vida”.