A quase fórmula do amor

Quer um relacionamento perfeito? Então aceite as imperfeições do outro. Quando se trata de amor, a perfeição é inimiga do tempo.

Da Redação | 11/06/2021

Pergunte aos empresários e sócios Fabiana Lopes e Rodrigo Soares como o relacionamento deles sobreviveu por mais de uma década e eles terão uma resposta simples, mas profunda: eles simplesmente quiseram ficar juntos, acima de qualquer coisa. 

Isso é o que eles decidiram no início do relacionamento e se mantiveram firmes. “Já passamos por diversas histórias, mas nunca deixamos de querer estar juntos. O amor prevaleceu”, conta ela.

Para falar do pai das gêmeas que nascem em breve, Fabi não poupou elogios. “Ele é leve, olha a vida sempre pelo lado positivo, é companheiro”. 

Rodrigo também se derrete. “É o grande coração, o tirar de si para dar para o próximo. Ela transforma a vida das pessoas. Tem foco, determinação e não se contenta com o bom, quer sempre o melhor”. 

A digital influencer Tetê Clementino e o empresário Juliano Taveira se conheceram por meio de amigos em comum. Houve uma atração instantânea, mas ambos estavam envolvidos com outras pessoas. O momento não era o certo, mas finalmente, após uma série de eventos, eles se encontraram, se tornaram grandes amigos e pouco tempo depois, namorados. 

Juliano faz questão de frisar o que admira na companheira. “Ela é cheia de força, carinhosa, uma mãe maravilhosa”. Apaixonado, ele ressalta. “Também tem o cheiro, o olhar, não há nada que eu mudaria na Anna Tereza.”.  

E o felizes para sempre

É comum as pessoas se surpreenderem ao descobrir que nem tudo funciona milagrosamente quando a paixão acontece. Para ir além com o parceiro, é crucial fazer a pergunta: O que faz um relacionamento funcionar? Às vezes, catalisadores como a química do casal, a boa conversa e interesses semelhantes podem não ser suficientes para garantir o sucesso a longo prazo. Em outras palavras, para o relacionamento ser duradouro, ele precisa ser profundo. 

Os empresários André Bergo e Carol Rache parecem ser o casal perfeito diante dos olhos dos mais de 80 mil seguidores que acompanham o trabalho de professora de Yoga e coach no Instagram. Entre posts, lives e stories, não é raro André aparecer com jeitão de príncipe encantado dando suporte ao trabalho da esposa. Claramente os dois se afinam bem, mas ambos deixam claro que existiu um processo de aceitação das qualidades e defeitos de ambos, ou melhor, “luzes e sombras”, como eles chamam. 

Carol destaca a importância de encontrar alguém que aceite o outro com todas as luzes e sombras. “O único jeito de amar verdadeiramente é o outro nos amar na nossa inteireza. Essa é a capacidade de amar sem vírgulas, sem poréns”. 

André concorda e acrescenta que o processo de aceitação do outro é construído e pode demorar, mas com Carol, incrivelmente aconteceu em tempo recorde. O relacionamento se solidificou de forma tão profunda que eles conseguiram passar por uma grande provação logo no início do namoro: uma gravidez cuja criança infelizmente não sobreviveu. “Quando perdemos o bebê, já nos conhecíamos bem a fundo, então decidimos ficar juntos. Nossa busca e objetivos estavam bem alinhados”. E estão.

As perguntas

Mas o que faz um relacionamento funcionar, afinal? Será que existe um par perfeito para cada um? Será que os casais que admiramos realmente tomam café na cama todos os dias e se divertem mais do que qualquer outro?  

A psicóloga e terapeuta familiar Cristina Santos, que é colunista do JORNAL DA CIDADE, garante que não para todas as perguntas acima. Para começar, a profissional explica que a ideia de completude, ou o chamado “par perfeito” é uma ilusão. “É importante conhecer e se deixar ser conhecido. Ir pela curiosidade e se abrir aos poucos e, principalmente, existir um interesse mútuo”, explica. Para ela, o famigerado par perfeito só existe por meio dos olhos dos observadores. “O casal pode ser feliz, mas não há perfeição ali”, assegura.

Mesmo em relacionamentos absolutamente maravilhosos, os casais lidam com os mesmos problemas, desencadeados por diferenças de personalidade, estilo de vida, valores, sonhos, necessidades, infância e experiências de vida. Casais podem fracassar ​​porque criticam um ao outro, fazem o parceiro se sentir errado e, de modo geral, transmitem uma falta de aceitação ao lidar com essas questões insolúveis. Mas a questão é: isso só acentua o problema. Mesmo que mudassem de parceiro, eles simplesmente trocariam um problema pelo outro.

Para casa diário

Naty Vasconcelos e Alexandre Machado só precisaram de três dias para se apaixonarem, mas concordam que manter a família feliz é para casa diário. “Diante das dificuldades, é importante lembrar porque começamos, porque nos apaixonamos e não esquecer os valores que nos uniram”. Pais de Davi e Daniel, Naty ressalta a importância de investigar o que deixa o parceiro feliz. “Sei que o Alexandre valoriza quando praticamos exercícios físicos juntos, então tento driblar o cansaço para agradá-lo”, conta. 

Apesar do que aprendemos em livros e filmes, o amor eterno não acontece por acaso. Requer esforço e manutenção regular de ambos os lados. “Relacionamentos que funcionam são aqueles que são construídos e trabalhados”, diz Cristina Santos. A psicóloga vai além. “Há coisas na nossa vida que nem sempre vão estar em perfeita comunhão, mas estar com outra pessoa, é embarcar em uma jornada juntos, pelos próximos anos”, acrescenta.

Não existe casal que não encontre obstáculos, mas a diferença é que eles persistem, enfrentam problemas e aprendem como lidar com as complexas questões da vida cotidiana. Assim é com Tetê e Juliano, Natália e Alexandre e Fabiana e Rodrigo. “Nós nunca tivemos medo de transparecer que algumas vezes precisávamos de ajuda. Isso porque sabíamos que podíamos vencer e que o amor era maior que qualquer questão”, conta Fabiana. 

O que torna os casais felizes, então, é que eles reconhecem e admiram a singularidade de seu parceiro, não têm planos de mudar um ao outro e aprendem a conviver com as diferenças inevitáveis ​​que surgem em qualquer relacionamento, já que entenderam que é impossível ter tudo o que se deseja no outro.

O caminho para um relacionamento duradouro então, seria aceitar que haverá diferenças inevitáveis, mesmo com o par mais compatível – e que basta administrar essas diferenças com respeito, humor e afeto. “Eu admiro tanto a Tetê que acabo me admirando por estar com ela”, diverte-se Juliano. 

É sobre isso. 

Foto: Renata Melo

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