Qual o papel do hormônio masculino na sexualidade feminina?

Dra. Patrícia Corradi | 02/08/2021

Existe um crescente número de mulheres curiosas sobre o uso do hormônio masculino (testosterona) com o objetivo de melhora do desejo sexual.

Na teoria psicanalítica, a LIBIDO é uma pulsão ou energia psíquica, particularmente associada ao instinto sexual, mas também presente em outros desejos e pulsões instintivos.

A complexidade em defini-la em sua amplitude de significado é capaz de explicar por que é imprudente associá-la, exclusivamente, a um hormônio específico, no caso a testosterona, especialmente em mulheres.

Mulheres apresentam uma grande variação dos hormônios sexuais ao longo do mês, de acordo com o ciclo menstrual. Em relação à testosterona, possuem níveis naturalmente baixos quando comparadas aos homens, que sofrem, ainda uma queda fisiológica com o passar dos anos, sobretudo no período pós-menopausa.

Uma pista biológica de que a testosterona estaria relacionada ao desejo sexual na mulher é que seus níveis encontram-se mais elevados no período fértil. Seria uma instintiva forma de preservação da espécie?

Salvo em situações muito específicas e de cunho psiquiátrico, o desejo sexual não necessariamente se correlaciona com os níveis de testosterona. Isso ratifica a ideia de que A LIBIDO É MULTIFATORIAL.

O que a influencia diretamente:

  • seu humor e bem-estar,
  • sua relação com seu corpo,
  • sua intimidade com o parceiro,
  • sua satisfação com seu relacionamento,
  • a ausência de fatores que lhe gerem preocupações de qualquer ordem,
  • o uso de medicações,
  • o consumo de álcool.

Assim sendo, a expectativa positiva sobre uma possível terapia hormonal com testosterona não deve ser encorajada, sob o risco de frustração e, pior, efeitos colaterais indesejados, como piora da qualidade da pele, queda de cabelo, aumento de pêlos e mudança da voz.

Ousou pensar que poderia ser simples? Se fosse, não seriam mulheres.

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