Projeto Fazenda Santa Cruz

Arquiteta Daniela Tavares restaura tradicional casa construída por seu bisavô mantendo as memórias afetivas do local

Da Redação | 20/11/2020

Arquitetura. No município de Pequi, pequena cidade mineira, localizada a aproximadamente 100 quilômetros de Belo Horizonte, está a Fazenda Santa Cruz. Construído em 1900, pelo avô do atual proprietário, o casarão da fazenda permanece com a família até hoje.

Assim como o seu pai, o proprietário nasceu e morou na Fazenda durante toda a sua infância. Mesmo depois de vir para Belo Horizonte, a família continuou tendo no local o ponto de encontro de toda a família. Nas recordações, há muitas brincadeiras, liberdade para correr e, também, festas “sem hora para acabar”.

Em meados de 2014, a fazenda passou por uma grande reforma para restauração de todos os ambientes. Ao longo das décadas, a casa já havia passado por algumas reformas – adequações que eram feitas pela própria família conforme os filhos iam se casando e a família crescia, porém, nenhuma grande reforma havia sido feita, principalmente na área externa. Responsável pelo grande desafio de restaurar a casa da família, a arquiteta Daniela Tavares, também guarda memórias afetivas do local, construído pelo seu bisavô, onde passou grande parte da sua infância.

Essa grande ligação afetiva com o local, unida à vontade de reviver as festas e os encontros de família, trouxe à tona uma vontade de criar uma área de lazer com piscina e, também, de transformar quartos em suítes, garantindo conforto extra.

O grande desafio da reforma foi manter a essência e as memórias da fazenda. A casa principal passou por reformas internas, mantendo a estrutura da fachada, praticamente inalterada. Para a área externa, a arquiteta optou por reconstruir e ressignificar edificações existentes – no local do antigo curral foi locado o espaço gourmet e, na antiga casa de funcionários, criou-se uma edificação com suítes para abrigar toda a família. No entorno da jabuticabeira centenária construiu a piscina e todo a área de lazer, a escolha não poderia ser mais certeira, visto que as mais doces lembranças da família estão aos pés da árvore.

Uma pequena capela foi erguida bem na entrada, no final do asfalto que leva até a sede. Com estilo colonial, a capela homenageia Nossa Senhora de Fatima e dá “boas-vindas” a todos que chegam no local. Desenvolvido, exclusivamente para o local, pelo artista plástico Wagner Freitas o altar é o ponto alto do local.

A obra foi um grande trabalho de restauração, a arquiteta se ateve à cada detalhe – dos materiais usados como revestimentos às esquadrias e móveis.

Além das necessárias atualizações das instalações elétricas, hidráulicas e estruturais, o proprietário queria resgatar memórias. O envolvimento emocional de todos envolvidos na reforma permitiu resgatar doces lembranças e, mais do que isso, permitiu ressignificar espaços para que a família continue a frequentar e fazer do local o “melhor ponto de encontro”.

FOTOS / Henrique Queiroga

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