Projeto declara Tancredo Neves patrono da redemocratização no País

Trata-se de uma homenagem ao político que soube construir e mostrar o caminho da liberdade ao povo brasileiro.

Da Redação | 27/10/2021

Tancredo Neves

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, o projeto que declara o ex-presidente e ex-governador mineiro Tancredo Neves patrono da redemocratização brasileira.

O Projeto de Lei 5851/05 foi proposto ao Congresso Nacional pela Associação Comunitária do Chonin de Cima (ACOCCI), sediada no município de Governador Valadares, e foi aprovado em sessão que homenageou o ex-presidente.

Tancredo morreu em abril de 1985, logo após sua eleição a presidente da República. Ao longo da vida pública, ele foi ministro da Justiça de Getúlio Vargas, primeiro-ministro do Brasil, governador de Minas Gerais, deputado estadual e federal. Durante todo processo para retomada da democracia no País, iniciado em 1975, ele participou ativamente e tornou-se líder da campanha das Diretas Já, em 1984, que devolveu a um civil a Presidência da República.

 A aprovação do título pelo plenário da Câmara marcou os 20 anos da Comissão de Legislação Participativa, responsável por analisar sugestões da sociedade civil e transformá-las em propostas em tramitação no Parlamento.

Legado

Neto de Tancredo, o deputado federal e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, saudou a aprovação do projeto pela Casa e destacou o legado do avô ilustre às novas gerações.  

“A Câmara dos Deputados permite, a partir da homenagem que se faz ao ex-presidente Tancredo Neves, ao transformá-lo em patrono da redemocratização, que os brasileiros das novas gerações compreendam as etapas que vencemos, os obstáculos que superamos e que nos trouxeram até aqui, e os valores democráticos pregados por Tancredo e por tantos outros”, afirmou o político.

Aécio Neves fez discurso na Câmara os Deputados em homenagem ao avô (Foto:  Alexssandro Loyola)

Ele lembrou a dedicação e o afinco do ex-presidente e dos que lutaram pela retomada da vida democrática no País.

“Essa não é uma homenagem que se faz a um homem, a um cidadão, por mais que ele, pela sua trajetória política e pessoal, as mereça. Ao transformar Tancredo em Patrono da Redemocratização, a Câmara dos Deputados do Brasil homenageia uma geração de brasileiros que soube, com tenacidade, mas com paciência, construir o caminho que nos permitiu trilhar o das liberdades e da democracia”, acrescenta.

Pilar fundamental

Para ele, as instituições brasileiras se solidificaram ao longo do tempo e esses valores essenciais deverão ser sempre o mesmo norte. “Deverão ser o pilar absolutamente fundamental e definitivo para superarmos também as eventuais dificuldades por que passamos, enxergando sempre o futuro”, observa.

Aécio ressalta que Tancredo era um pacificador, mas um homem de coragem. “Sabia enfrentar aqueles que deveria enfrentar, mas sabia estender a mão, colocando sempre em primeiro lugar o interesse maior da sociedade brasileira em todos os momentos da sua vida. Dizia uma frase que guardo comigo com muita força, que se faz muito presente na minha história pessoal e que serve para todos nós que nos dedicamos à política”, salienta.

Tancredo sempre dizia: “para aventuras não contem comigo, mas para correr riscos, quando eles vêm em favor da sociedade que nós representamos, é inerente à nossa atividade”.

Na tribuna da Câmara, o deputado citou também outros líderes que protagonizaram o processo de redemocratização no País, tais como Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Leonel Brizola, José Richa, Franco Montoro, Mário Covas e tantos outros.

Foto:  Arquivo Câmara dos Deputados

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