Os verdadeiros templos

Não há crise, mas o contrário, oportunidades num mercado cada vez mais aquecido por compras, vendas, aberturas de capital na Bolsa de Valores e aquisições.

Humberto Alves Pereira Filho | 07/04/2021

Dia delas, coluna Humberto Alves Pereira Filho

A Saúde no Brasil nunca foi uma “Brastemp”! O famoso, e quase mundialmente exclusivo SUS, é também muito polêmico, em críticas e elogios. Quem pode tem plano particular.

Em 2011, quando arenas eram erguidas, de norte a sul do Brasil, para a Copa do Mundo de 2014 e sinistra memória, políticos e estrelas do futebol, desdenharam: “a Copa do Mundo é uma grande oportunidade, ser contra por falta de hospitais é um retrocesso enorme. “Não se faz Copa do Mundo construindo hospitais”.

Erraram feio! Com ou sem pandemia, Saúde em primeiro lugar, sempre! Sem e principalmente com pandemia, Saúde é, com a alimentação, o serviço mais essencial, em todo o mundo.

Não à toa, vivemos “revoluções” diárias na área. Não há crise, mas o contrário, oportunidades num mercado cada vez mais aquecido por compras, vendas, aberturas de capital na Bolsa de Valores e aquisições.

Na mais recente, e em Belo Horizonte, a Rede D’Or comprou o Biocor Instituto, por R$ 750 milhões. Vem aí a Rede D’Or Belo Horizonte, juntando-se aos mais de 50 hospitais entre Rio, onde nasceu, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Sergipe, Ceará, Paraná e Distrito Federal.

Os acionistas do icônico Hospital Mater Dei, além de novas unidades, abriram também seu capital e já pensam em colocar ações no exterior. A oferta inicial pode movimentar cerca de R$ 2 bilhões. Mas tem mais, muito mais, provando a saúde da Saúde.

No caso Mater Dei, a expansão ultrapassa a cidade de Belo Horizonte, além das unidades Contorno e Santo Agostinho. Está em Betim e Salvador, na Bahia. Aproveitando a rima, parabéns à pioneira e responsável, família Salvador.

Voltando ao bom clima. Em 2020, o Hospital Vila da Serra foi vendido para o Grupo Oncoclínicas, um dos maiores da América Latina, especializado em oncologia, hematologia e radioterapia. Operação estimada em R$340 milhões. O Oncoclínicas possui 70 unidades em 11 estados do Brasil.

Ainda em 2020, enquanto a Unimed também se expandia, BH ganhou o Orizonti Instituto Oncomed de Saúde e Longevidade, investimento de R$ 350 milhões; o Lifecenter foi vendido para a NotreDame Intermédica Saúde S.A por R$ 240 milhões e a empresa cearense Hapvida adquiriu o Grupo Promed e o Hospital Vera Cruz, por R$ 1,5 bilhão.

Neste cenário dinâmico e pujante, descobriu-se o óbvio, que a Copa do Mundo deixou legado nenhum. No máximo, estádios são improvisados, transformados em hospitais. Mesmo neste mesmo cenário, onde brotam ou deveriam nascer hospitais de campanha para o combate à Covid-19, pergunta-se: se não se faz Copa do Mundo com hospitais, faz-se o quê?

Vida! Além da Saúde mostrar-se ótimo, seguro e perfeito investimento.
Se os números são impressionantes, apesar de frios, temos lugar para a sabedoria do urologista Miguel Srougi, “Papa” brasileiro em cirurgias de câncer de próstata.

Numa entrevista, declarou:

“Os verdadeiros templos na Terra são os hospitais – não as igrejas. Nas igrejas têm muito ouro, riqueza. Aqui não, você conhece o sofrimento, o valor da existência humana. Os orgulhosos e os soberbos ficam humildes, ricos e pobres são iguais; os ruins, os autoritários e os maldosos se tornam condescendentes: eles ficam despidos, tiram a máscara; é aqui que você conhece o que é viver, que resgata para a vida, não em uma igreja qualquer, que o sujeito entra lá, reza dez minutos e sai. Ele pode até sarar, cicatrizar a sua alma. Mas aqui nós curamos a alma e o corpo. Esse é o verdadeiro templo, onde o ouro é a vida”.

Igrejas e estádios são fundamentais, mas hospitais são essenciais.

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