Os sabores de Minas no coração de São Paulo

Projeto Fartura | 01/03/2021

Além de um desbravador de ingredientes de Norte a Sul do Brasil, o Fartura é também um colecionador de sotaques. E achamos um trem de doido o Cadiquim. No mercadinho mineiro em São Paulo, a turma come queijo, toma café coado e fala uai  

Cadiquim. Ca-di-quim. Entendeu, não? Um mucadim de alguma coisa. Os sotaques do Brasil fazem que cada lugarzinho desse país de meu Deus crie códigos próprios. É quase um jeito secreto de comunicação que cabe apenas ao povo dali. O arrastar das palavras, a entonação de cada sílaba diz muito para quem entende dos códigos locais. E não pense que as expressões que se espalham pelos 8,5 milhões de Km2 que forma o território nacional seguem uma explicação simples: vai tentar explicar o que é uai, tchê, diacho e vixe. São interjeições que demonstram surpresa, curiosidade, admiração ou susto. São palavrinhas tatuadas na intimidade de um grupo que tem como ligação máxima o lugar que escolheram viver. 

E esse mesmo povo arrasta seus sotaques pelo resto do Brasil. Na bagagem de um emigrante, além dos objetos pessoais, segue um tanto da alma de sua terra natal. Nós, do Fartura, maior plataforma de gastronomia do Brasil, adoramos reunir sotaques diferentes. É uma delícia aprender com o jeito cantado do baiano e com o chiado do carioca. Apresentar o Brasil para o brasileiro, as nossas riquezas culturais, os nossos sabores e ingredientes, é isso que nos move. 

Agora, para um mineiro, na mala de viagem também tem que caber um queijo e um doce de leite. Ou uma goiabada cascão. Se espremer bem dá até para levar um “docim” de laranja em calda que “a tia da irmã da vizinha da Maria faz”. E não foi diferente com João Paulo Ferraz, que ao lado da mulher, Juliana Abreu Oliveira, fincou uma bandeira das Minas Gerais em São Paulo. Há três anos eles inauguraram o Cadiquim (@cadiquim.uai) na Avenida Faria Lima, esquina com Rebouças. Fica dentro de uma galeria. O espaço não é muito grande, o que faz com que qualquer um se sinta em um oásis de aconchego assim que se cruza a porta da discreta cafeteria/mercearia. Distribuídos nas prateleiras, mais de 300 produtos diferentes – todos made in Minas. Queijos de várias regiões produtoras (claro que tem os da Canastra!), doces aos montes, cerveja, conservas, geleias, café, vinho, mel… Um cadiquim de muita mineiridade. De tempos em tempos, João Paulo e Juliana desbravam as estradas das Gerais atrás de novos produtores artesanais. O resultado das viagens aparece na variedade de produtos ofertados aos paulistanos. Esses, inclusive, já elegeram o Cadiquim como um lugar de fuga no caótico dia a dia da cidade grande. Por ali, os clientes gastam o tempo tomando um bom café coado na hora com um pão de queijo. Mas, oh, garante João Paulo, “é pão de queijo de verdade, feito com muito queijo Minas”. Um trem de doido. E para completar, a prosa rola solta, com direito a uai e sô.

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