Os alquimistas estão voltando

Os professores e os comerciantes estão de volta com toda a parcimônia; o que não queremos é outra volta, uma nova onda da Covid-19.

Humberto Alves Pereira Filho | 23/04/2021

Dia delas, coluna Humberto Alves Pereira Filho

Os “alquimistas” do clássico de Jorge Ben Jor chegaram há muito tempo. Chegaram, ficaram, partiram, voltaram de novo, mas eram de outro tipo.

Nossos “alquimistas” são outros, são os agentes transformadores, os que fazem acontecer. Os professores e os comerciantes estão de volta, aos poucos, com toda a parcimônia e cuidados necessários, exigidos e recomendáveis. O que não queremos é outra volta, uma nova onda da Covid-19.

E a notícia “calhou” bem com outro clássico da MPB, de Roberto Carlos, no dia de seus 80 anos, 19 de abril: “O Portão”.

A música do Rei é bem mais otimista porque os tempos, como o dos alquimistas, também eram outros, tempos de calhambeque: “Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou, acho que só eu mesmo mudei e voltei…”.

(In)felizmente, usando outra canção, agora de Milton Nascimento, “Eu já estou com o pé nessa estrada, qualquer dia a gente se vê, sei que nada será como antes, amanhã. Que notícias me dão dos amigos? Que notícias me dão de você?”.

Na verdade cruel, quase tudo se modificou, incluindo eu, você, nós. Mas, Roberto Carlos insiste: “Eu voltei agora pra ficar, porque aqui, aqui é meu lugar. Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei”.

Apesar da polêmica, a vida está voltando. E devagar com andor, porque o santo é de barro e o vírus, de ferro. Devagar porque todo cuidado é pouco e continua preferível prevenir e vacinar a remediar.

Retorno às aulas e reabertura das atividades não essenciais da capital.

Porém, muita calma. Aulas apenas para crianças com idade entre zero e cinco anos e oito meses. Não deixa de ser uma pequena reviravolta, mas volta assim mesmo.

Tudo para evitar que a tão desejada retomada não seja também um ridículo voo de galinha.

Grupos pequenos, de seis a sete crianças, facilitando e guardando isolamento. Um, digamos, laboratório para mais, para o retorno gradativo às aulas presenciais.

O caminho de volta também começa com um primeiro passo. Daí a flexibilização de vários setores do comércio de Belo Horizonte, desde o dia 22.

Sem foguetes porque nada de novo no front dos domingos: todo o comércio ficará fechado, exceto farmácias e postos de combustível.

No “abre e fecha”, diferentes e vários horários, fáceis de consultar pelos canais competentes.

De segunda a sábado, que maravilha! Bares e restaurantes – com venda de bebidas alcóolicas; comércio varejista, shoppings, atacadistas, salões de beleza, cultos, parques…

E já que o impossível demora um pouco mais; assim como o céu, feiras, museus, cinemas, parques de exposições, parques temáticos e boates “podem esperar”.

Contudo, “olho vivo”! A reabertura acontece graças à tendência de queda daqueles famosos e nefastos números: taxa de transmissão, leitos nas UTIs e nas enfermarias. Viva a ciência, a prudência e a resiliência. Viva o povo brasileiro!

E para terminar, como começamos, com alto astral e música: “Boemia, aqui me tens de regresso. Voltei pra rever os amigos, rios, montes, cascatas e novas serenatas”.

No lugar de boemia, leia-se vida! Tudo de bom, para todos!

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