Oposição?

Opor-se de forma genuína e bem intencionada pode promover diálogo, viabilizando decisões ponderadas

Lucas Gonzalez | 11/12/2020

Qualquer democracia pauta-se pela liberdade de oposição. Opor-se é saudável. Cada cidadão, cada parlamentar goza do direito de pensar diferente e externar o que acredita. O debate de ideias e todos os instrumentos legais para firmar tal oposição apenas fortalecem o ideal de democracia que todos buscamos. 

O Parlamento, por excelência, talvez seja o principal espaço público que evidencie tal realidade. Os partidos dos mais variados espectros político-ideológicos representam esta pluralidade e conduzem as decisões mais importantes do País. O Regimento Interno de cada Casa, inclusive, prevê uma infinidade de instrumentos que fortalece as minorias e dá voz efetiva a “oposição”. 

Quem se opõe, opõe-se por acreditar que existe uma via mais eficiente e adequada para corrigir determinado problema – ou pelo menos, essa deveria ser a motivação. Pois é justamente aí que reside a importância da oposição. É pela oposição genuína e bem intencionada que o diálogo e a negociação ganham relevância e viabilizam decisões ponderadas e razoáveis.  Quando ela se desvencilha dessa função maior, que o bem da nação, acaba se tornando oposição ao crescimento e ao desenvolvimento. 

Há alguns meses a Câmara dos Deputados trabalha com uma minguada pauta de votações. O cardápio de oposição está rico. Alguns travam os trabalhos porque almejam a presidência da Comissão Mista de Orçamento (CMO), outros porque querem forçar o debate de pautas mais polêmicas. Há ainda aqueles que pretendem mostrar “poder” ao dificultar a mobilização da mesa presidente.

E neste tipo completamente deformado de oposição, que coloca interesses pessoais acima de qualquer coisa, seguimos com um Brasil carente das reformas que poderiam ressuscitar sua força. Infelizmente, o País foi imobilizado por alguns daqueles que deveriam trabalhar pelo oposto. São milhões de pessoas assistindo ao espetáculo egoísta dos que pervertem a beleza, a importância e a essência do que é ser oposição.