Observando as pipas

Carlos Malab chega com sua nova coluna para o Cidade Conecta com escritos do livro "Era uma vez para sempre".

Carlos Malab | 03/08/2021

As pipas enfeitavam o céu azul e as crianças se divertiam em fazer malabarismos com os pequenos artefatos de papel. Vovó Angel acompanhava o entusiasmo das crianças e pensava consigo mesma que a verdadeira felicidade se encontrava nas coisas mais simples.

As crianças haviam combinado um campeonato de pipas e cada uma preparou a sua. Os critérios de julgamento para estabelecer o ganhador foram os mais diversos e todos estavam muito envolvidos no projeto.

A conversa na casa durante toda a semana versou sobre o concurso. Desde as hastes de bambu bem finas até os desenhos, tudo foi feito com atenção e com a colaboração de todos.

Vovó Angel dizia sempre que o que importava era o espírito de equipe e participação. As crianças maiores, com mais experiência, davam todas as dicas para as menores.

Cris, a loura sapeca, olhando para as pipas no céu, perguntou à Vovó Angel:

– Vovó, como é que os espíritos ficam no céu? Eles voam?

– Cris, meu amor, sua pergunta é muito interessante! Os espíritos, como você sabe, estão em níveis de evolução diferentes. Quanto mais evoluído é o espírito mais leve vibracionalmente ele é, e pode viver em planos superiores. Os espíritos inferiores, devido às suas vibrações “pesadas”, muitas vezes pensam que têm as limitações do corpo físico e ficam presos ao chão, como nós mesmos, os encarnados!

Vovó Angel refletiu por alguns instantes, olhou para Cris e viu que a menina estava muito interessada no assunto. Então, continuou:

– Os espíritos superiores, quando se transportam de um ponto para outro, o fazem pela volitação, que é como voar. Assim eles ganham tempo e podem cumprir melhor as suas tarefas. Alguns espíritos, ou pela inferioridade ou pelas circunstâncias de trabalho, caminham e usam veículos de transporte, como nós mesmos! Você entendeu, Cris?

– Mais ou menos, Vovó. – titubeou a menina. – E como é que eles têm cidades e vivem em cima da nossa cabeça e não caem?

Vovó Angel sorriu e, olhando para as pipas coloridas no céu azulíssimo, explicou:

– Muito simples, Cris! Veja o exemplo das pipas: elas são mais pesadas que o ar e se não houver vento elas caem no chão. O mesmo não acontece com as nuvens. Elas são formadas por gases que, embora sejam matéria, podem ficar no céu sobre nossas cabeças sem cair. Quanto mais leve for o material da nuvem, mais alto ela poderá chegar. Com os espíritos acontece algo bem parecido. Quanto mais evoluídos eles são mais podem se elevar! Alguns espíritos, para se manifestarem entre nós, têm que adensar o seu perispírito. Você se lembra do que é o perispírito?

– É o corpo do espírito no céu? – a menina arriscou.

– Isso mesmo, Cris. O médium clarividente pode enxergar um espírito por sintonizar a faixa de vibração do seu perispírito. Pode ocorrer também que um espírito esteja do lado de um outro, mas não seja visto por ele por ambos estarem com vibrações muito diferentes.

– As casas dos espíritos são feitas de tijolos também, Vovó?

– Sim, Cris, só que em diferentes estágios de vibração. Veja: a mesma água que corre nos rios pode estar nas nuvens como gás e ficar dura como pedra num cubo de gelo. No entanto, ela não deixa de ser água!

Pedrinho aproximou-se das duas e, ouvindo a explicação de Vovó Angel, perguntou:

– Vovó, no mundo espiritual tem televisão também?

– Claro, Pedrinho! Podemos até dizer que a televisão na Terra é uma cópia da que existe no mundo espiritual. Os espíritos informam que existem lá muitas outras ferramentas e apetrechos que não conhecemos ainda, mas que no momento certo aparecerão entre os homens, como novas invenções. Crianças, vocês já ouviram dizer que o pensamento é força?

– Sim, Vovó, mas não entendi como!!! – respondeu Pedrinho.

– Pois bem, meus anjos, o nosso pensamento interage com o ambiente que nos rodeia. É assim que criamos em torno de nós quadros vivos que refletem o que se passa em nossa mente. Se estivermos nervosos, com raiva ou chateados, naturalmente criamos em torno de nós imagens vivas do nosso sentimento e atraímos os espíritos que gostam dessas vibrações. É por isso que é muito importante cultivarmos a oração e os bons pensamentos para garantirmos sempre as melhores companhias espirituais!

Vovó Angel percebeu que Cris e Pedrinho estavam muito impressionados. Desejando mudar de assunto para que as crianças refletissem sobre o novo ensinamento, convidou-as a dar notas para as pipas, lembrando-as do concurso.

Cris e Pedrinho juntaram-se às outras crianças. Enquanto isso, Vovó Angel ficou olhando para o céu, raciocinando na perfeição da Criação e no quanto ainda tinha que aprender.

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Fonte: MALAB, Carlos Henrique da Silva. Era uma vez para sempre. Pelo espírito Blandina. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2007. p. 27-32.

Ilustração: Acervo iconográfico da Vinha de Luz Editora da Casa de Chico Xavier de Pedro Leopoldo.

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