O sabor de Guarapari no centrão de BH

Com as viagens canceladas, os belo-horizontinos podem comer peixinho frito igualzinho ao das barraquinhas da Praia do Morro sem precisar pegar estrada – e nem avião

Projeto Fartura | 02/11/2020

O porta-malas é pequeno! – grita o pai, tentando fazer malabarismo com as sacolas que não param de chegar.

Coloca as crianças no carro. A vó também vai. Os compadres só chegam no final da semana. Está calor. Muito calor. E o caminho até a praia é longo.

Para o mineiro, acostumado a pontuar as distâncias como um “logo ali”, as férias na praia muitas vezes são em Guarapari, a mais de 500 quilômetros da capital. Dá para contar nos dedos quem nunca viveu essa experiência em família. O carro lotado, as crianças reclamando e todo mundo sonhando junto em colocar os pés na areia e tomar um banho de mar.

É uma lembrança coletiva. Em época de pandemia, no entanto, quando o mundo virou de cabeça para baixo e fez com que viagens fossem canceladas e as férias abortadas sem dó, os belo-horizontinos podem matar a saudade da maresia sem precisar atravessar montanhas.

O Fartura, maior plataforma de gastronomia do Brasil, tem em seu enorme acervo conteúdos riquíssimos sobre as culinárias e produtores de Minas Gerais e Espírito Santo. Juntando esses dois estados, temos uma dica para você: o restaurante Guarapari trouxe a praia para mais perto. Para ser mais exato, para o centrão da capital. O estabelecimento fica no segundo andar do Mercado Novo, que foi revitalizado e reúne em seus corredores bares e restaurantes cheios de boas ideias.  

Inaugurado em dezembro, o restaurante traz a essência da comida vendida nas barraquinhas de praia espalhadas pela Praia do Morro, a preferida dos “sem praia”, ops, dos mineiros na cidade capixaba. É comida sem frescura. Peixinho frito para ser degustado com cerveja gelada. Quem comanda a cozinha é Eduardo Rabelo. “Minha família tem quiosque há mais de 30 anos na Praia do Morro. A nossa aposta é na simplicidade e no sabor”, diz ele, que trabalha com um time familiar: a esposa, Maria Angela de Paula Braga, a enteada Adriana e a sobrinha Júlia Braga.

Como eixo principal, o Fartura tem como missão mostrar o caminho do ingrediente de sua origem à finalização do prato. Sendo assim, o peroá, carro-chefe do Guarapari, vem de Marataízes, no sul do Espírito Santo. Quem traz para BH é Edson Ferreira de Morais, mais conhecido como Cação. Ele recebe o peixe fresquinho direto da mão dos pescadores, que ficam até três dias no mar em busca da espécie. O barco parte normalmente às duas da manhã e a pesca é feita de maneira artesanal. Inclusive, os pescadores mais antigos reclamam que o peixe, um símbolo do estado, está cada vez mais escasso devido a pesca feita por barcos de grande porte.

O peroá chega aqui ainda fresco. A viagem é feita de carro. No restaurante é servido

com farofa e vinagrete (R$ 35). Para quem prefere uma boa porção de peixinho frito, tem isca de cação (R$ 35), servida com molho rosé, daqueles tradicionais, bem cremoso. Claro, tem espetinho de camarão (R$ 30)! Afinal quem nunca se manchou de limão depois de devorar um na areia? E se a fome for grande, vale investir na posta de dourado (R$ 50).

E a viagem para o Espírito Santo pode começar já no Instagram @guaraparimn. Entre uma foto e outra dos preparos servidos no bar, aparecem retratos da família durante as férias em Guarapari, muitas dos anos 70 e 80. Amareladas, um tanto quanto desfocadas, mas lindas e preciosas como as nossas lembranças de infância na praia.

Guarapari

  • Rua Rio Grande do Sul, 499, Centro, Belo Horizonte (Mercado Novo)
  • Horário de funcionamento: sexta das 17 às 22h; sábado de 12h às 22h; e domingo de 12h às 18h.

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