O passeio na cachoeira

Carlos Malab apresenta sua nova coluna para o Cidade Conecta com escritos do livro "Era uma vez para sempre".

Carlos Malab | 01/09/2021

Todas as crianças estavam reunidas, ansiosas e prontas para o passeio daquele dia. Até o cachorrinho Dimba estava junto ao grupo, sem saber o que fazer, indo de um lado para outro.

Era feriado e Vovó Angel conseguira com o Sr. Antônio, dono de uma  padaria da cidade, o transporte para as crianças visitarem a grande cachoeira “Véu da Noiva”.

O dia não poderia estar mais bonito! O sol banhava todas as paisagens, conferindo um ar de alegria e de felicidade. A cachoeira ficava a 40 minutos da cidade, numa área preservada, cheia de árvores e de plantas de todas as espécies. Assim, todos acomodados, o veículo partiu e eles foram pelo caminho, apreciando a natureza.

Como os campos estavam verdes! Todos ficaram maravilhados com a famosa cachoeira. Era enorme, muito alta, e a água caía formando uma cortina fina e refrescante.

Lari, Tião, Cris, Joana e Mateus correram para a beira do pequeno lago ao pé da queda d’água e, sem demora, caíram nele. Paula preferiu caminhar por suas margens para catar pedrinhas de diferentes formas e tamanhos.

Vovó Angel e Pedrinho, que estava se recuperando de uma gripe, sentaram-se à sombra de formosa árvore, que parecia muito velha.

Vovó Angel procurava distrair o garoto com a presença do Dimba, que saltava feliz, fazendo piruetas diversas ao seu comando. Pedrinho, olhando para Dimba, que obedecia cegamente, perguntou:

– Vovó Angel, os bichos têm espírito?

Vovó Angel ficou surpresa com a pergunta feita assim, de repente, e lembrou-se de que quando era criança tivera a mesma dúvida. Somente com o passar dos anos, e com o estudo, é que foi entender que Deus tinha um roteiro de evolução para todos os seres e reinos da Natureza. É que as plantas e os animais são seres da criação de Deus, em evolução, e possuem um princípio espiritual. Somente quando conquistam a etapa evolutiva do pensamento contínuo chegam ao estágio de ser considerados espíritos. A evolução não dá saltos. Como explicaria isso a Pedrinho? Pensou e decidiu responder nestes termos:

– Pedrinho, querido, a sua pergunta é muito pertinente! Sim, as plantas e os animais possuem um princípio espiritual e evoluem até serem espíritos um dia!

– Quer dizer, Vovó, que já fomos vegetais e animais?

– Sim, Pedrinho, mas isso foi há muito e muito tempo! A evolução é como uma estrada muito longa, envolta em névoa, onde só conseguimos enxergar, com muito custo, um pequenino pedaço em volta de nós. Veja o Dimba: o seu princípio espiritual vem evoluindo e ele já tem lampejos de pensamento contínuo, que o preparam para, um dia, após incontáveis vidas e experiências, conquistar, com as bênçãos de Deus, a posição de espírito e dar vida a um corpo humano. Você entendeu, Pedrinho?

– Sim, Vovó Angel. – Pedrinho continuou a brincar com Dimba, jogando gravetos para o cãozinho buscar.

Vovó Angel olhou para Pedrinho e percebeu que o assunto merecia ser comentado e estudado com mais tempo e carinho, para ser bem entendido, pois era muito complexo. Muitos adultos não entendiam e não aceitavam a teoria da evolução espiritual, procurando ainda na Terra o elo de ligação entre o homem e o macaco. Esse elo, na verdade, como explicava Dr. Anselmo, estava no mundo espiritual.

Após algumas horas de brincadeiras, e repetidos banhos de cachoeira, todos estavam famintos e cansados.

Vovó Angel, percebendo que era tempo de lanchar, chamou todas as crianças e abriu uma cesta de sanduíches e broas. Antes de comerem, como de hábito nas refeições, pediu a todos que ficassem quietos para uma pequena prece. E orou:

– Pai amado, agradecemos-Lhe estes momentos de alegria e de paz. Obrigada, Senhor, pelo alimento que temos em nossa mesa e por este contato com a Natureza. Obrigada a todos que nos ajudam e hoje, em especial, ao Sr. Antônio, quem nos trouxe aqui. Ampare-nos, Senhor, hoje, agora e sempre.

Era tanto o apetite que nada sobrou na cesta. Após uma caminhada pelas trilhas floridas do campo em volta da cachoeira, era chegada a hora de partir. Acomodados novamente no veículo, todos ficaram tristes porque estavam indo embora.

Tião sentou-se próximo de Vovó Angel e disse a ela, sentindo-se o porta-voz do grupo:

– Vovó Angel, podemos voltar aqui de novo, um outro dia?

 – Claro, Tião! Voltaremos sim, pois temos que aproveitar esse contato com a Natureza!
E olhando para a criançada Vovó Angel afirmou:

– Não fiquem tristes, pois há sempre uma hora para começar e para terminar tudo em nossas vidas. Temos que entender isso!

Em casa, todos já reunidos para dormir, só tinham comentários sobre a beleza da cachoeira e do campo.

Vovó Angel apagou as luzes e, caminhando lentamente para o seu quarto, foi agradecendo silenciosamente a Deus por todas as bênçãos do dia.

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Fonte: MALAB, Carlos Henrique da Silva. Era uma vez para sempre. Pelo espírito Blandina. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2007. p. 39-44.

Ilustração: acervo iconográfico da Vinha de Luz Editora da Casa de Chico Xavier de Pedro Leopoldo.

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