O importante é construir algo grandioso

“Trate as pessoas como elas gostam de ser tratadas”, acredita o co-fundador de várias marcas no ramo de bebidas no Brasil e Estados Unidos, José Felipe Carneiro.

Fabi Lopes | 10/12/2021

BRAND IN: Valorizar as diferenças, respeitar o próximo e ir em busca de um sonho. Essas são algumas etapas do processo de empreendedorismo de José Felipe Carneiro, co-fundador de várias marcas no ramo de bebidas no Brasil e Estados Unidos que, juntamente com seu irmão, Tiago Carneiro, se tornou sócio de uma das maiores empresas do mundo, a Ambev.

O resultado de muito trabalho e dedicação tem gerado bons frutos. Nos EUA, fundaram em 2015 a cervejaria Novo Brazil, que já é um dos grandes destaques na Califórnia. Além disso, José Felipe está à frente das operações, K-Häppy Kombucha, uma infusão de chás fermentados, e da bebida Lowka kombucha.

A colunista do CIDADE CONECTA, Fabi Lopes traz um bate-papo para lá de especial com esse grande nome da indústria de bebidas, José Felipe.

Na Bio do seu Instagram está escrito “é mais importante construir algo grandioso do que necessariamente grande”. O que para você é sinônimo de grandioso hoje em dia?

Hoje em dia, o mundo cobra da gente quase o tempo todo, números, redes sociais, quantidade de likes. Mas, ao longo dessa jornada, vi que o que é mais importante é fazer coisas grandiosas, que são as que impactam a humanidade. Isso não significa impactar o mundo inteiro de uma vez só, mas impactar as pessoas ao seu redor, a comunidade que você vive, a cidade onde você escolhe estar. Isso é fazer coisas grandiosas. Tratar as pessoas bem, como elas gostam de ser tratadas. Fazer isso de maneira natural, querendo o bem alheio, sem esperar muita coisa em troca. Ser grandioso faz parte de uma jornada, que eu escolho viver junto com minha equipe. Na pequenez numérica, mas ao mesmo tempo com fatos que são relevantes para aqueles que são impactados.

Você é co-fundador de várias marcas no ramo de bebidas com atuação no Brasil e EUA. Hoje, como enxerga o empreendedorismo no Brasil?

Eu estou à frente das operações hoje no Brasil e o Thiago, meu irmão, fica à frente das operações nos Estados Unidos. De lá, ele consegue exportar para mais de 30 países. Eu, aqui no Brasil, ainda estou engatinhando em comparação com o que tem sido feito nos EUA. A gente tem menos tempo de atuação. A empresa, no Brasil, tem operações focadas em bebidas. A operação da K- Happy é de kombucha e da Lowka, que acabou de iniciar, é de kombucha alcoólica. Eu acredito que o empreendedorismo no Brasil está cada vez mais se consolidando como algo realmente bom e benéfico. Por muito tempo o empresário foi mal visto, talvez por uma mentalidade errada no País. Porém, hoje, as pessoas entendem que empreender é um conceito ideológico, não necessariamente ter um CNPJ ou uma grande empresa. Empreender é colocar as ideias em prática. Acredito muito que nosso País é a ponta da lança para ideias empreendedoras, para crescimentos estratosféricos, porque o povo brasileiro é muito trabalhador e acredita em seus ideais.

Uma das suas palestras é sobre o líder do futuro, onde você fala que o melhor líder é aquele capacitado em lidar com pessoas. Qual tipo de liderança você exerce hoje em dia para com sua equipe?

É engraçado que a liderança só se destaca quando há outras pessoas envolvidas.

Talvez por estarmos tão conectados, ligados a dados, tecnologia, a gente fale menos sobre questões humanas e psicológicas. Isso voltou a ficar em voga com a pandemia, mas a parte mais importante é saber tratar os seres humanos de uma maneira distinta. Aquela frase “trate o próximo, como você gostaria de ser tratado” deixa de ser uma verdade quando você entende que as pessoas gostam de ser tratadas de maneiras diferentes. Eu sempre falo “trate as pessoas como elas gostam de ser tratadas”. Liderar é saber tratar as pessoas que são diferentes de forma diferente.

Como vocês trabalharam o marketing e branding ao introduzir uma bebida até então pouco difundida no Brasil como a KHappy no mercado?

A KHappy é a maior indústria de saúde e alegria da América Latina e assim que a gente faz com que o nosso conceito de uma Bevtech, empresa com tecnologia em bebidas. A nossa marca, o nosso conceito, o nosso marketing é muito focado nos valores que a nossa empresa quer difundir no mercado, além dos produtos. A coisa que mais falta na indústria de bebidas em geral é transparência, nos ingredientes utilizados, de como a indústria pensa. Então a K-happy é muito original neste sentido de dar voz para a própria empresa e não se esconder em meias verdades. A gente tem algumas verdades que precisam ser colocadas no mercado. Hoje, no próprio dia a dia da K Happy não ficamos falando de reais vendidos, nós contabilizamos as vendas através de sorrisos e isso muda tudo porque a gente quer de verdade é impactar a vida dos consumidores e colaboradores.

Pensando na força da Branding persona hoje em dia, principalmente como voz de uma marca, como você investe em sua marca pessoal?

É muito engraçado falar de Branding Persona, porque se você for no instagram da K-happy não há fotos minha, do Zé Felipe ou de outros sócios envolvidos. Fazemos o contrário, na vida pessoal falamos muito da nossa empresa. Não usamos a empresa como alavanca para falar das pessoas. Nosso fator principal é o cliente, ele que tem que estar sendo colocado nos holofotes. Não que seja positivo ou negativo, mas é necessário você saber se posicionar, colocar em voga suas linhas de pensamentos, opiniões por mais duras que sejam, até para que as pessoas decidam se gostam ou não de você. Uma vez que você escolhe, é essencial nas redes sociais tratar as nossas vidas como um negócio. Então a minha persona na internet eu encaro e entendo o impacto que tenho na vida das pessoas.

Indo na contramão do que muitas empresas fazem, eu desassocio a empresa em relação a mim e associo em relação a mim a empresa.

Você sempre posta sua equipe em sua rede social e a impressão que sempre tenho deles é a paixão pelo que fazem. Na sua opinião qual o principal motivo deste engajamento na cultura da empresa?

A pessoa, a equipe, estar junto é uma coisa natural minha. Acreditar nas pessoas que eu escolho para estar ao meu lado. Eu só escolho pessoas melhores do que eu para conviver. Então, quando estou com elas é admiração total. Se eu me cerco de pessoas melhores que eu, acabo tendo a oportunidade de evoluir minha linha de pensamento, de ser mais sagaz, de ter mais velocidade. Isso fica natural de poder mostrar. Acaba que eu que sou fã das pessoas que trabalham comigo no dia a dia. Interesso-me por elas, pela vida pessoal delas e se elas não tivessem essa admiração da minha parte, não faria sentido tê-las perto de mim. Acho que é por isso que falo tanto da minha equipe. São meus amigos.

Para encerrar, compartilhe um pouco sobre o projeto que você faz parte do “Crie o impossível”.

“Crie o Impossível” hoje faz parte da ONG Embaixadores da Educação. Essa ONG faz com que esse projeto seja o maior do Brasil em educação empreendedora para jovens de escolas públicas. O “Crie o Impossível” nasceu de uma vontade muito grande que eu tinha de ensinar o que é empreender para pessoas que não tiveram oportunidade de aprender nem o que era empreendedorismo. Essa é a beleza do nosso negócio, como empresário, é fazer com que mais e mais brasileiros empreendam, de classes diferentes. O projeto é sobre isso. Pegar jovens alunos de escolas públicas, que antes não tinham ideia do que era ser empresário e dar a eles o direito de sonhar com a ideia deles. Mostrar que eles podem ser quem eles quiserem e fazer a transformação do mundo de forma leve e natural. Em 2022, o “Crie o Impossível” vai bater todos os recordes.Se tudo der certo serão 100 mil jovens espalhados por todos os cantos do Brasil, que vivem na Escola Pública. O objetivo é fazer coisas grandiosas.

Foto: Arquivo Pessoal