O gato comeu!

Como nos ensina a parlenda, o ciclo da vida e da transformação são benéficos e vorazes ao mesmo tempo.

Gustavo Versiani | 12/11/2020

O gato precisa se alimentar, o fogo queima o mato, a água apaga o fogo, e por aí vamos com Darwin e outros estudos sobre a vida e sua evolução.

Nessa mesma tocada, as habilidades profissionais, com os acepipes da seleção voraz imposta pelo mercado, não mais são as mesmas. E faz tempo que não são!

Enquanto o digital foi consumindo com o mundo de papel; a clínica clássica cede espaço para a telemedicina; as longas conversas dos enamorados ao telefone sequer mais se realizam por vídeo chamadas, e sim, por infindáveis guerras de monólogos de mensagens de áudio; os jornais impressos se tornam menos atrativos que portais, podcasts e mídias sociais; o cardápio se tornou um borrão com poucos pixels, chamado de QR code; transações bancárias serão feitas em feriados com o PIX …

O Direito também vai se reinventando aos solavancos e, com câimbras, o advogado e, em especial, o advogado corporativo – nossa temática – corre atrás dos gadgets que orbitam a nova rotina.

Ainda que absolutamente indispensáveis, não nos referimos ao smartphone e seus asseclas sem fios. Reportamo-nos aqui ao infindável universo de outras visões, capacitações, funções e habilidades que compõem o universo do jurídico corporativo,
Caso a mudança fosse somente a edição de novas leis, isso já integraria o pacote e já estaríamos acostumados a inovações legislativas.

O desafio se tornou outro. No mundo corporativo, ao invés de interagir com outras áreas, passamos a suportá-las. Não no sentido de tolerá-las, mas sim, de lhes dar sustentação, apoio.

O juridiquês cedeu espaço a uma atuação informal, rápida e altamente conhecedora do negócio da empresa. Como diz o Flávio Franco, conversarmos somente sobre processos judiciais é olharmos para algo que deu errado no passado e sairá caro.
A atual advocacia corporativa, bem mais fluida, olha para a frente, é preventiva, se tornou protagonista nos processos decisórios das empresas. Abandonou seu corner de centro de custo, assumindo postura de parceira estratégica nos rumos dos negócios.

Sentindo na pele a Sociedade de Risco de Ulrich Beck, tentamos antever consequências indesejadas e intervir para minimizá-las. Sem querer, mas já revelando a idade, isso nos faz lembrar o Minority Report, produção cinematográfica em que Tom Cruise tenta impedir atos que nem mesmo seus agentes ainda cogitam cometê-los.

O advogado de empresa enclausurado em sua mesa, sem olhar para as demais áreas da empresa está em franca extinção. Habilidades pessoais, conhecimentos diversificados, proatividade, atitudes focadas no negócio da empresa são vitais. E não podendo ser de outra forma, tudo com o conhecimento do Direito.

No mesmo tom da parlenda, vale então a pergunta: Cadê o jurídico que estava aqui? Aquele engravatado, enxergando somente o processo e sem sair da caixa? Evoluiu. Foi reinventado! E você nem viu.

Com a mesma verve dos intérpretes de carnaval ao inflar seus foliões na antessala da avenida, tomado também pela empolgação característica do haka dos All Blacks, inauguramos hoje esse espaço de reflexões.

Aceitando o honroso convite do Humbertinho para participar desse projeto; de forma intencional, não fizemos nenhum rascunho, ainda que mental, daquilo que pudesse ser um planejamento, pauta ou, para os letrados em Falconi, não nos dedicamos ao P do PDCA.

Em meio a transição do tradicional jornal de papel que contou e viveu a história de BH nas últimas décadas, para um portal de conteúdo que mescle tradição com inovação, conhecimento com atualidade; ousaremos realizar uma troca de ideias sobre o mundo do jurídico corporativo.

Além de abordarmos temas que sempre enchem de dúvidas os empresários, tal como a eterna dúvida se é melhor terceirizar ou ter um jurídico interno; traremos assuntos como LGPD, governança, inovações legislativas, compliance, advocacia 4.0, indicadores, legal design, etc.

Em algum momento, convidaremos autoridades visando contribuírem sobre um assunto específico ou, simplesmente, para nos brindarem com suas visões de jurídico corporativo.

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