O Espetáculo da Felicidade

Humberto Alves Pereira Filho | 18/10/2021

diretor Humberto Alves Pereira Filho

Não cantemos de Galo, nem contemos com o ovo na galinha. Também não é questão de vangloriar nosso gramado, mais verde que o do mundo. Hoje, Nostradamus não daria palpite sobre o amanhã.

Penúria X Luxúria do consumismo, “a fome e a vontade de comer”, em plena Lei da Selva e dos mais fortes, onde os fracos não têm vez e são os suspeitos de sempre.

No mundo, crise, falta de insumos gerais e transporte para os mesmos. Depender dos outros é complicado e compromete a soberania. É o problema da matéria prima, num mundo extremamente globalizado. Países se abastecem, tendo um único fornecedor, quando este não consegue suprir a demanda, os preços aumentam, claro. Lei primeira da oferta e procura.

Em busca de mão de obra barata, quase escrava, o planeta transferiu suas indústrias para a Ásia e ficou à sua mercê. Um exemplo. Se faltam sapatos e roupas na Europa é porque a Covid-19 paralisou o Vietnã. É o “Efeito Borboleta” com “Síndrome de Estocolmo”.

O “primeiro mundo” esvaziou suas indústrias, sua agricultura e toda a capacidade de inovação. Resultado: desemprego em massa, consumo de produtos de quinta categoria, inflação, com a penúria vencendo a luxúria, mais procura que oferta.

Enquanto o Brasil, com seus eternos problemas e grandes mazelas, discute o “auxílio absorvente”, a toda poderosa China sofre sérios apagões elétricos. Ao mesmo tempo, preservando suas florestas, compra, entre outros, a madeira do mundo, aumentando seu preço no mercado mundial. A China, insaciável gigante com pés de barro, não tem como alimentar seu 1,4 bilhão de habitantes; nem energia para bancar seu absurdo crescimento ou bolha. Seria o olho puxado maior que a barriga?

Em famoso texto, “O dragão e a pedra no sapato”, que já “viralizou”, o consultor de negócios e empresário, J.E. Conti, avisou o óbvio: O grande desafio é a crise alimentar. Estados Unidos e Europa consomem 40% de todos os alimentos produzidos no mundo. Com Japão, Coréia e Malásia, etc., mais de 70% dos alimentos produzidos estão comprometidos. Como alimentar com 30% os 50% restantes da população do mundo?

Não tem mágica nem matemática. Em breve, teremos fome nesses pobres países ricos. Poucos países, como o Brasil, EUA e Canadá conseguem alimentar sua população.

Daí a luta da Europa e dos Estados Unidos, para impedir que nossa agricultura cresça apelando para a destruição da Amazônia.

“Estados Unidos e Europa deveriam tratar melhor o Brasil. É a única chance que possuem para dobrar o grande dragão, exceto se, mais uma vez, a China resolver eliminar 20% da sua população, já que o vírus chinês não conseguiu matar nem 1% da população mundial”.

Resumo: se a China comprar o Brasil, o mundo passará fome. Se não comprar, a China passará fome.

No porto de Los Angeles, engarrafamento de navios, repletos de containers, faz o porto trabalhar 7/7 dias e 24h/24h. A poupança forçada, na pandemia, ressuscitou o bom e velho consumismo tão caro aos norte-americanos.

Na Europa, a situação não é menos crítica. Inflação geral; falta de produtos, típica, repito, de um mundo globalizado, cada vez mais dependente de outros países – vide a falta de banais máscaras durante a pandemia; logística deficitária.

Na Grã-Bretanha, do Brexit, não falta gasolina, mas faltam caminhoneiros, em sua maioria, estrangeiros que, esnobados, praticamente expulsos, se recusam a trabalhar naquele país. O primeiro ministro, Boris Johnson, convocou o Exército, mas esqueceu de “combinar com os russos”. Os soldados entendem de tanques, mas não dos caminhões que transportam combustíveis e infinita variedade de produtos importados. Fila nos postos e supermercados vazios, como na Bélgica e até na rica Alemanha.

A França tem energia nuclear, mas produz apenas 1% do gás que consome e importa da Noruega, China, etc.

Por que o preço da conta de luz aumenta na França? Porque o preço do gás aumenta. E por que o preço e o consumo do gás aumentam? Porque a Alemanha trocou a energia nuclear pela eólica. Na Europa, quando não falta vento, falta sol. Então, overdose de carvão e gás no círculo vicioso.

Com o inverno chegando a situação promete piorar, com a mesma inflação assombrando a Economia. A queda do poder aquisitivo promete surpresas na eleição para presidente, em 2022.

Por falar em eleição em 2022, e o Brasil? “Mesmo com toda a fama, com toda a Brahma, com toda a cama, com toda a lama, a gente vai levando essa chama”.

E haja chama!

O Brasil tem sol, vento e água em abundância. Sofreu uma crise hídrica, mas São Pedro abriu suas comportas que devem durar até as “águas de março, fechando o verão”.

O Brasil sobra! Nem precisa da energia nuclear de Angra dos Reis. É o espetáculo da felicidade por natureza que, “sabendo usar, não vai faltar”.

Tudo bem! O Brasil está no mundo, logo, não imune à crise. Há inflação sim, desemprego e as consequências nefastas da pandemia.

Mas podemos fechar com o texto de Conti: “O Brasil está em uma situação muito privilegiada, usamos apenas 16% de nosso território com a agricultura e pastagem para gado. Podemos ainda crescer 100%, sem comprometer qualquer sistema ecológico”.

O Brasil é o quinto maior país do mundo, depois de Rússia, Canadá, Estados Unidos e China. Mas escapamos dos problemas climáticos e demográficos que afetam os quatro primeiros.

Somos ou não um país predestinado a ser feliz e poderoso?

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