O consumidor de moda do futuro

Cinco tendências da indústria fashion no pós-pandemia

Tatiana Andrade | 26/11/2020

Moda. O ano de 2020 tem sido o maior propulsor de mudanças dos últimos tempos. Como a maioria das transformações profundas, apenas no futuro perceberemos todas elas com clareza. Mas, desde já, renovações nas atitudes de consumo de moda são perceptíveis para quem vive o dia a dia do mercado. Tendência previstas para a próxima década se anteciparam num ritmo inédito. E agora que, num piscar de olhos, o ano chega ao fim, o que esperar dos próximos?

Se a segunda metade do século XVIII está para a humanidade como aquela da Revolução Industrial e o fim do século passado, como da Revolução Digital, os tempos em que vivemos serão marcados pela Revolução da Conexão. Mais do que digitalizados, nos tornamos conectados.

A sociedade em rede, ou conectada, já se tornou um marco da nova década. Não apenas temos gadgets digitais que transformaram nossa forma de viver, mas nos conectamos uns aos outros por meio dessas tecnologias de uma forma nunca antes imaginada. As redes sociais ganharam papel de protagonismo e foi na conectividade digital que nos apoiamos para sobreviver aos dias mais duros da pandemia.

Diante deste momento em que a capacidade de adaptação pode ser a grande diferença entre o crescimento e a estagnação, listamos as cinco principais novidades da indústria da moda pós-pandemia, que seguirão sendo tendências para os próximos anos:

Ascensão das marcas DTC nativas digitais
Do inglês, direct to consumer brands, as marcas DTC, ou diretas ao consumidor, são aquelas que se enquadram na categoria do varejo, sem intermediários necessários em suas operações de venda que nasceram na internet. Por incrível que possa parecer, muitas delas surgiram durante a crise ou cresceram com ela.

Com investimentos iniciais mais enxutos, alocam mais recursos em branding, marketing e relacionamento com clientes e têm as redes sociais como principais canais de comunicação.

Consolidação das coleções inter-sazonais
Ainda que a discussão sobre as semanas de moda seja de longa data, depois de 2020 a sazonalidade das coleções nunca mais será a mesma. Marcas se dissociaram do calendário tradicional e criaram mais coleções curtas com maior frequência.

O que não significa o lançamento de mais produtos, mas a dispersão de coleções bianuais em cápsulas menores durante todo o ano. Decisão acertada, converge com o desejo frequente de novidades que tornam as marcas constantemente atuais.

Fundadores alçados como vozes das próprias marcas
Em busca da humanização das marcas – trazendo características mais pessoais para pessoas jurídicas –, os fundadores, estilistas e gestores entenderam de vez o poder de suas vozes como representantes das marcas.

Não há mais dúvidas do poder dos influenciadores, mas que tal influenciar a audiência da própria marca contando mais sobre seus bastidores, processos, batalhas e vitórias, mostrando tudo que acontece de bom e até as dificuldades para chegar ao resultado final? Afinal, ninguém conhece melhor um negócio e produto do quem o vivencia diariamente.

Curadoria como maior ponto de diferenciação
Em tempos em que as marcas de atacado também ganharam nome, voz, Instagram e e-commerce, se diferenciar como multimarcas não tem sido tarefa fácil. A curadoria se tornou ponto chave para sobrevivência e bem-sucedidas serão aquelas que estão dispostas a assumirem riscos agora para criarem um nicho e identidade baseados em um garimpo única e exclusivo por meio de um atendimento muito especial.

Fortalecimento da Moda Circular
Nunca se falou tanto de sustentabilidade e também de suas novas formas que podem ir além do uso de algodão orgânico. Dois mil e vinte foi o ano do boom da revenda, que amplia a tendência da economia circular e incentiva a diminuição de novas produções por meio da revenda do que já existe.

Pensou em brechós? Pois saiba que a NK Store, da Natalie Klein, reúne suas clientes para comprarem suas peças antigas customizadas por artistas atuais e Gucci, Stella McCartney, dentre outras gigantes do luxo, lançaram lojas on-line para revender seus próprios produtos de segunda mão. O planeta agradece.

Mais Notícias