O boom do second hand: alta do mercado de revenda de luxo

O modelo de negócio que desponta em meio aos desafios do cenário atual.

Da Redação | 29/04/2021

Enquanto as vendas no varejo de moda em geral enfrentam os desafios esperados para o momento, um formato de negócio se destaca e tem crescimento acelerado pela pandemia: o mercado de segunda mão, ou second hand. De acordo com report do GlobalData para o ThredUp, a revenda on-line ou resale crescerá mais de 100% nos próximos 5 anos, atingindo a cifra de US$64 bilhões até 2024.

Todo esse crescimento exponencial se deve às transformações nas relações de consumo que já vinham acontecendo há algum tempo, mas que foram bastante intensificadas durante a pandemia. O colapso na cadeia produtiva pressionou a indústria a achar novas formas de produção e oferta, enquanto ao mesmo tempo a restrição do convívio social amplificou o interesse do consumidor pelo consumo consciente em busca de comprar menos e melhor.

Assuntos que já vinham sendo discutidos, como a economia circular e a necessidade de reaproveitamento de produtos e resíduos – num setor que descarta 92 milhões de toneladas de lixo em aterros sanitários todos os anos (BBC, 2020) – ganharam força. E não restam dúvidas de que as incertezas econômicas, as transformações nos comportamentos de consumo e o aumento dos preços de produtos de luxo e importados fazem o mercado de resale despontar neste novo cenário. 

Nos últimos meses, os gigantes da moda vêm comprovando as expectativas. A Gucci se uniu a The RealReal – uma das maiores plataformas on-line de revenda de luxo – oferecendo uma curadoria de peças vindas diretamente da label italiana, além das dos consignadores. Burberry e Stella McCartney também firmaram parceria com o e-commerce oferecendo benefícios em seus produtos novos a quem repassar produtos de suas marcas. Já a Levis lançou plataforma própria, a Levis Second Hand, em que as peças disponíveis fazem parte do garimpo que a própria empresa faz de seus jeans usados.

No Brasil, a Reserva anunciou, antes de sua aquisição pelo Grupo Arezzo e Co., a compra de participação do Troc – e-commerce de revenda de roupas e acessórios –, que depois foi endossada e ampliada pelo novo grupo AR&Co. Em recente entrevista para a Exame, seu sócio Rony Meisler frisou: “passamos por uma tendência global de repensar a propriedade das coisas. De fato, ela não faz muito sentido. Um carro, um apartamento ou a camiseta que vestimos serão usados por um tempo, depois serão trocados”. 

De acordo com dados da British Fashion Council, 60% de todas as roupas vêm sendo descartadas após um ano de produção, o que torna ainda mais urgente repensarmos, de fato, a propriedade delas. A Geração Z e os Millenials são os maiores adeptos da tendência da economia compartilhada, assim como são os que mais cobram responsabilidade social das marcas que consomem. Conforme a Boston Consulting Group, serão eles também os responsáveis por 60% dos gastos totais com o mercado de luxo até 2026. Assim, a moda enxerga novas perspectivas enquanto o planeta agradece.  

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