Novembro com sabor de janeiro

OK! É muito cedo para cantarmos vitória. Mas já podemos ver um “verde brotando do muro” ou a famosa luz no fim do túnel.

Humberto Alves Pereira Filho | 30/10/2020

Dia delas, coluna Humberto Alves Pereira Filho

O clássico livro “O Verde Violentou o Muro”, do paulista Ignácio de Loyola Brandão, é uma metáfora, uma brincadeira, sobre a força da liberdade (o verde) que derrubou o Muro de Berlim, símbolo do Comunismo e da Alemanha dividida, em 1989.

Guardadas as gigantescas proporções, podemos dizer que o verde também violentou a atual e múltipla crise. A liberdade já raiou e está vencendo a pandemia, o vírus e o confinamento.

OK! É muito cedo para cantarmos vitória. Mas já podemos ver um “verde brotando do muro” ou a famosa luz no fim do túnel.

E podem ter certeza, este 2020, de sinistra e triste memória, não está acabando apenas no calendário. Logo, logo será apenas mais um conturbado capítulo do livro, “A Vida é Bela”.

Também está muito cedo para afirmarmos que o pior já passou, mas já passou da hora de vermos que o melhor está chegando.

Sim, os comerciantes ainda estão sofrendo, principalmente bares e restaurantes, em grandes cidades como Belo Horizonte. Mas no interior, parece que novo normal está firme e forte como o velho normal.

Como era esperado, o Turismo doméstico está “bombando”, o que é ótimo. As fortunas que normalmente já estariam irrigando o exterior, ressuscitam nossos hotéis e todo o setor ligado a eles. Principalmente os empregos!

O mercado imobiliário, claramente, humilhou o Coronavírus. Na esteira, a Construção Civil esnobou pandemia e confinamento, construindo e reformando. Sem esquecer o motor do Brasil, movido pelo agronegócio e pela indústria. O primeiro a todo vapor, a segunda, adaptando-se, sobrevivendo.

Parabéns aos famosos “serviços essenciais”, que nunca trabalharam e ganharam tanto. Parabéns também ao mercado “online”, uma tendência que se firmou, ainda que com certa antecedência. Só não devemos esquecer de ajudar o pequeno comércio, o local, o vizinho.

Perdas e danos? Sim, mas também os ganhos que toda crise fornece a quem sabe aproveitar oportunidades.

O mundo, o Brasil, Minas e Belo Horizonte “pararam”, mas já respiram sem ajuda de aparelhos. Um exemplo disso são as inaugurações que passam do virtual para o presencial, ainda que timidamente.

E voltando ao verde, símbolo de vida e renascimento, ele está até no clima. Entramos, literalmente, na deliciosa primavera, a porta para um grande verão.

O frio, que tem seu charme, terminou antes de 2020 e da crise. Em seu lugar, as cores da primavera e o calor do verão.

Vamos encarar esta primavera como a primeira depois de um longo e triste inverno. Uma primavera que promete coisas boas.

Esperemos que as chuvas, também símbolo da vida, sejam generosas, mas menos violentas, que elas apenas reguem, sem inundar.

Se a imprensa e as redes sociais insistem em divulgar o lado negativo e normal de tudo que existe, podemos ver, com os próprios olhos, que a coisa já não está tão feia.

Muitos bares e restaurantes fecharam suas portas para sempre. Muitos outros estão reabrindo, muito outros nascerão. Antes que notemos, aos poucos, a vida voltará mais viva.

Ainda é cedo para um Feliz Natal e Próspero 2021, mas nunca é tarde para desejarmos uma ótima semana e um novembro com sabor de janeiro.