Novembro azul: cuidado com a saúde também é coisa de homem

Médico urologista explica mitos e verdades sobre o tratamento e a importância do diagnóstico do câncer de próstata, o segundo mais comum entre pacientes do sexo masculino

Da Redação | 01/11/2020

Novembro azul

Medicina. O mês novembro chegou e é conhecido por todos pela campanha que visa conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico do câncer de próstata, que é o segundo câncer mais comum em homens, ficando atrás apenas do de pele não melanoma.

Apesar da grande divulgação em cima do tema, existem dúvidas e muitos mitos sobre a doença e, para esclarecê-las, o Cidade Conecta conversou sobre o tema com o médico urologista, membro da Sociedade Americana de Urologia e cirurgião especializado em cirurgia oncológica, Fernando Marsicano.

Ele reuniu algumas das perguntas mais frequentes em seu consultório. Veja o que é mito e o que é verdade.

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O câncer de próstata tem fator hereditário?

Verdade. As pessoas que possuem na família dois ou três parentes de primeiro grau que são portadores da doença, familiares de primeiro grau que tenham sido diagnosticados antes dos 60 anos e gerações consecutivas com câncer de próstata (avós e pai), devem ficar de olho e fazer acompanhamento de perto, pois isso pode dobrar a chance de que a doença surja ao longo da vida.

Ele apresenta sintomas?

Mito e verdade. Na fase inicial da doença, normalmente não apresenta nenhum sintoma. O paciente só nota que algo está errado quando o câncer está em estágio avançado. Entre os sintomas nós temos a vontade de urinar frequente, fluxo urinário mais fraco, sangue na urina, dificuldade de ereção e quando a doença está em estágio muito avançado, dores no quadril e nas coxas.

A enfermidade atinge homens somente a partir dos 50 anos?

Mito. Apesar de muita gente considerar o câncer de próstata uma doença comum entre homens na terceira idade, existem vários casos de pessoas que são diagnosticadas antes dos 50 anos.  O que podemos considerar raro é um paciente com menos de 40 estar com esse tipo de câncer.

O exame de PSA diagnostica o problema?

Mito. O exame de PSA é um exame que mede o nível do Antígeno Prostático Específico, uma proteína produzida pelo tecido prostático, não o câncer.  E o nível dessa proteína pode estar alterado por diversos motivos, não apenas por conta do tumor, mas também devido a infecções urinárias, inflamações na próstata, hiperplasia prostática (crescimento), atividade sexual, dentre outros. Mas pode ser o primeiro passo para detectar precocemente o câncer, juntamente com o exame de toque.

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Quando o PSA está baixo é um bom sinal?

Nem sempre. Em muitos casos os pacientes com câncer de próstata apresentam níveis normais de PSA. Por isso é tão importante realizar o exame de toque de tempos em tempos.

O tratamento é doloroso?

A sensação de dor é muito individual e varia de pessoa para pessoa, assim como os tratamentos, que serão realizados de acordo com as características, com as condições de saúde e do estágio do câncer de cada paciente. Entre os principais, nós temos a vigilância ativa, que é um monitoramento periódico dos pacientes com câncer de próstata, o HIFU (High-Intensity Focused Ultrasound), uma terapia minimamente invasiva realizada sob anestesia local, com o aparelho promovendo cavitação do tumor prostático por efeito térmico e a radioterapia. Além desses tratamentos, existe também a cirurgia de prostatectomia radical, que promove retirada total da próstata, com grandes chances de cura. No caso da cirurgia realizada via robótica, são feitas incisões muito pequenas e com baixo risco de sangramento.

A vida sexual fica comprometida?

A disfunção erétil pode ser comum nos homens que estão ou que já passaram pelo tratamento de câncer de próstata. Mas, na maioria das vezes, com o tempo, os pacientes conseguem voltar a ter uma vida sexual normal. Inicialmente, os médicos fazem uso de medicamentos orais que são capazes de estimular seus pacientes sexualmente, medicamentos injetáveis e procuram trabalhar o fator psicológico para que este não seja inimigo no processo. O câncer de próstata não é o fim do mundo, mas o diagnóstico precoce é imprescindível para o sucesso no tratamento. Não deixe de conversar e visitar seu médico. A campanha é em novembro, porém os cuidados devem ser tomados durante o ano todo.

FOTO / Inspira Comunicação

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