Mulheres do Vinho

Lea Araújo | 26/03/2021

Em comemoração ao Dia das Mulheres, a importadora Cantu promoveu um encontro online com duas mulheres de nomes consagrados no mundo do vinho. Elas superaram preconceitos e barreiras e se dedicaram a uma profissão de sucesso, erroneamente tida como sendo para homens.

Fabiana Bracco é uruguaia e fala tão bem o português que muitos confundem sua nacionalidade. Facilidade com línguas é a sua marca forte, já que fala seis idiomas e é formada em relações internacionais com especialização em marketing.  

Assumiu a Bracco Bosca em 2016, após a morte do seu pai, que tocava os negócios da família iniciados quando seus bisavôs italianos Mirtha Bosca e Darwin Bracco migraram do Piemonte para o Uruguai para cultivar uvas. 

A vinícola está instalada em Atlantida, há cerca de 1 hora de Montevidéu e a proximidade ao encontro entre o Rio de La Plata e do oceano Atlântico permite produzir uvas que amadurecem lentamente, com delicada presença mineral. Seu lema é a busca pela mínima intervenção dos vinhedos, apesar de ainda não ser certificada como orgânica ou biodinâmica. Assim que Fabiana tomou frente aos negócios da família Bracco Bosca, alavancou a qualidade dos vinhos, ao invés de crescer a produção. 

Dentre as quatro linhas de vinhos que produz, a Sin Preconceptos inclui vinhos brancos secos, frescos e vibrantes, com intuito de romper barreiras do preconceito de uvas como a Moscatel de Hamburgo, muito usada para produção de vinhos de sobremesa pelo seu elevado teor de açúcar. 

É uma cepa muitas vezes esquecida e pouco valorizada. Nas mãos de Fabiana, o moscatel tornou-se tão elegante que conquistou o paladar de um dos sommeliers mais aclamados da Espanha, Josep Roca, coproprietário do restaurante três estrelas Michelin El Celler de Can Roca. O Bracco Bosca Ombú Moscatel conquistou 92 pontos no Guia Descorchados e destacou-se como vinho revelação. Essa maravilha pode ser adquirida por R$71,50 na Cantu.

Já Susana Balbo foi a primeira mulher a se formar em enologia na Argentina, há 45 anos. Em seu primeiro trabalho colocou a casta Torrontés no mapa do vinho argentino, quando atuava na vinícola Michel Torino, em Cafayate. 

Passou pela grande Catena Zapata e prestou consultoria em diversos países como Espanha, Chile, Itália, Brasil, Austrália e Estados Unidos. Em 1999 fundou a Dominio del Plata que hoje se chama Susana Balbo Wines, onde se uniu aos seus dois filhos, o enólogo José Lovaglio e a administradora Ana Lovaglio. 

Equipada com a mais moderna tecnologia certificada pelos padrões internacionais de qualidade da norma ISO 22000, a bodega situa-se em Lujan de Cuyo, Mendoza, e mantém o compromisso com a natureza através da implementação de práticas sustentáveis. 

Susana construiu uma carreira sólida e teve importante papel na inserção dos vinhos argentinos no mercado externo. O foco foi na qualidade dos seus rótulos já que iriam competir com os melhores vinhos do mundo, e deu certo. 

A linha de vinhos Nosotros já obteve 99 pontos de James Suckling e 97 do Guía Descorchados e já passa dos R$1.000. Susana foi presidente da Wines of Argentina, ocupou uma cadeira na Assembleia Nacional e faz parte do W20. A sigla se refere à iniciativa criada por mulheres como braço do G20, grupo de nações mais ricas. Entre outros temas, a entidade trata de reduzir as desigualdades de gênero.

Com uma taça de Susana Balbo Signature Brioso na mão, a enóloga nos conta sobre a jovialidade que esse vinho traz agora e que se fará presente mesmo após 15 anos de guarda. O blend potente traz 54% de Cabernet Sauvignon e 18% de Cabernet Franc, responsáveis pela estrutura e toque de pimenta negra, os 22% de Malbec trazem morangos ao nariz, e os 6% de Petit Verdot colaboram com a intensidade da coloração e aromas de amora. Na cantu, ele é vendido a R$204.

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Fotos: Arquivo Pessoal Léa Araújo

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