Mercado de seminovos continua com tendência de alta no Brasil e em Minas

Escassez de componentes eletrônicos gera queda na produção nas fábricas e, por consequência, dos emplacamentos de veículos novos.

Da Redação | 09/11/2021

alta nas vendas

Nem a queda nas vendas de seminovos no Brasil e também em Minas tem desanimado os lojistas. É que apesar dos resultados, o mercado mantém a tendência de alta no ano. Os comerciantes acreditam que vários fatores são responsáveis por este cenário.

Veja alguns:

  • Alta do dólar sobre commodities;
  • Finanças dos brasileiros não suportaram a alta dos carros zero durante a pandemia;
  • Produção da indústria automotiva nacional reduzida significativamente, devido à escassez mundial de semicondutores.

Em outubro, a queda foi de 14,9% em relação a setembro, segundo a seção mineira da Fenabrave (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores): 137.151 contra 161.151 unidades.

 “Temos uma previsão de que o bom desempenho do segmento de usados e seminovos perdure até o primeiro trimestre de 2022, já que o mercado de chips não tem previsão de regularizar a produção com a rapidez de que a indústria automotiva necessita”, analisa o diretor comercial da Automaia Veículos, Flávio Maia.

Mudanças climáticas

As mudanças climáticas também têm afetado a fabricação de semicondutores na Ásia e impactam negativamente a venda de veículos novos no Brasil.

Enquanto o mundo se volta para as repercussões da 26ª edição da Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP 26), em Glasgow, na Escócia, o IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas – adverte que o aquecimento global vai intensificar ainda mais as mudanças nos ciclos da água, incluindo a variabilidade e a severidade dos ciclos úmidos e secos.

E os impactos dos desastres ambientais já são visíveis na economia do planeta, como é o caso da indústria automotiva.

Taiwan, no Leste da Ásia, enfrenta há meses a maior seca em mais de 50 anos. A ilha de pouco mais de 35 mil quilômetros quadrados é o maior fabricante mundial de semicondutores do mundo, responsável por 67% da fatia global e ainda se destaca com uma posição única na montagem terceirizada de chips.

A seca pressiona negativamente as fábricas que fazem o enriquecimento de silício, produzindo os wafers, como são chamados os discos de silício semi acabados, que dão origem a vários tipos de chips eletrônicos. A água é usada para limpar dezenas de camadas de metal que formam um semicondutor e, sem ela, o impacto é imediato na redução da oferta de componentes.

Reaquecido

A indústria automotiva global responde sozinha por 10% do consumo de microprocessadores. Na pandemia, muitas montadoras chegaram a suspender a produção de veículos. No início do ano, com o avanço da vacinação e a melhora dos indicadores da pandemia, o mercado automotivo voltou a se aquecer. Mas as indústrias de semicondutores de Taiwan, China e Coreia do Sul não conseguiram suprir a demanda, que já era muito maior do que a capacidade de produção.

Neste cenário, os prazos de entrega se alongaram e os preços subiram – no caso brasileiro, essa situação é ainda mais agravada com a variação desfavorável do câmbio diante da desvalorização do real. E, por aqui, a indústria automotiva ainda é pressionada pelos preços de commodities como aço e resina plástica, que têm levado as montadoras a investir em modelos que dão mais retorno financeiro.

Mesmo com o repasse das altas para os consumidores – que fazem com que o preço de um carro compacto popular se aproxime da casa dos R$ 100 mil – as montadoras têm tentado retomar o ritmo da produção, encarando férias coletivas, antecipação de feriados e folgas, programas de demissão voluntária, redução de jornada e de salários, além do afastamento temporário do contrato de trabalho de funcionários sem demissão, o chamado lay-off.

Fila de espera

E, em várias concessionárias no País, a fila de espera por um carro novo pode chegar a quase cinco meses, o que tem ajudado o mercado de seminovos e usados a se manter em alta.

“Muitos consumidores, que sofreram um impacto na renda com a pandemia e que tinham adiado a compra de um carro, agora buscam um seminovo de uma categoria superior que se encaixe no orçamento”, afirma Maia.

Segundo ele, as vendas também são impulsionadas pelas pessoas que optaram por trocar o carro por um modelo mais antigo para quitar dívidas contraídas durante a pandemia. E há um novo tipo de cliente que usava transporte público ou compartilhado, mas decidiu comprar um carro próprio para evitar o contágio pelo coronavírus.

Apesar da expectativa de que 2021 seja o melhor ano de toda a série histórica, o setor só enfrenta uma dificuldade: a oferta de carros seminovos está menor do que a demanda.

“Os estoques giram muito nas lojas e estamos atuando fortemente no mercado para captar bons veículos para a revenda”, observa o empresário, que dá uma dica: “é um excelente momento para quem está pensando em vender o carro já que, em muitos casos, estamos pagando um valor superior ao que o cliente comprou há dois ou três anos. Isso é inédito desde a implantação do Real.”

Segmento em números

Brasil

  • Outubro:  1.168.479
  • Setembro: 1.340.277
  • Diferença: – 12,82%
  • Acumulado janeiro/outubro 2021: 12.739.688
  • Acumulado janeiro/outubro 2020: 9.812.837
  • Diferença: + 29,8%

Minas Gerais

  • Outubro: 137.151
  • Setembro: 161.151
  • Diferença: – 14,9%
  • Acumulado janeiro/outubro 2021: 1.573.761 unidades
  • Acumulado janeiro/outubro 2020: 1.304.240
  • Diferença: +20,7%

Fonte: Fenabrave

Foto: AutoMaia / Divulgação

Confira outras matérias sobre mercado de veículos AQUI.