Infantilização x Maturidade: o que não fazer para o desenvolvimento das pessoas com down

Mesmo que a pessoa com down se comporte como uma criança típica de sua idade, algumas são tratados como “anjos” e incapazes de ter reações.

Leonardo Gontijo | 30/03/2021

mano down abraça as diferenças

O princípio de que o meio social é um espelho do comportamento em sociedade, reforça os comentários mais populares relacionados às pessoas com síndrome de down que estão intimamente ligados à infantilidade, à falta de maldade, ao jeito amável e até mesmo, a consideração de que são as “pessoas mais felizes do mundo”.

Mas, na tentativa de empatia, e muitas outras vezes por generalização e intenção de agradar pais e familiares, cria-se um ser humano idealizado, já que a rotulação pode restringir ou até mesmo impedir as possibilidades. Analisamos como isso afeta a inclusão das pessoas com down e damos dicas de como reverter essa situação:

Permitir atitudes incorretas

Mesmo que a pessoa com down se comporte como uma criança típica de sua idade, que se move livremente, luta,  responde e se irrita, por exemplo, algumas são tratados como “anjos” e incapazes de ter reações.

Com este pensamento, em vez de responder ao comportamento natural, repreender e questionar suas atitudes, como seria com qualquer criança de sua idade, decide-se que a pessoa com down não está pronta para viver uma vida plena. Em consequência disso, a exclusão surge como resultado de não sabermos como tratar e lidar com essa situação, prejudicando o desenvolvimento da maturidade e do senso crítico. Não permita que isso aconteça, ensinando e advertindo sempre necessário.

Desacreditar na autonomia e conquista da maturidade

Afirmar que a pessoa com down “não tem maldade” é contribuir para sua infantilização, demonstrando desacreditar que ela é capaz como as outras. É preciso dar oportunidades para que ela lute suas próprias batalhas e aprenda, baseando-se na experiência e na repetição, sem que haja uma superproteção desnecessária. Agindo de forma contrária, os responsáveis estarão ensinando-os a ser indefesos, a além disso, impedindo-os de aprender a se defender, o que pode acarretar no isolamento e na privação de viver uma vida social plena e autônoma.

Ceder às pressões da intolerância

Quando pais são influenciados a acreditar que são especiais por terem um filho com down, a sociedade irá esperar que os responsáveis sempre devem fazer algo fora da normal para demonstrar que também são especiais. Diante disso, esses pais receberão uma pressão desnecessária e terão a falsa impressão de que não podem cometer erros. Por esse motivo, cria-se um sistema que condena a demonstração de fraqueza, prejudicando, inclusive, as relações familiares.

Aceitar as generalizações

Não identifique a pessoa com down  como um grupo ou como estatísticas, pois todos são indivíduos, logo singulares. Cada ser humano tem suas peculiaridades, potencialidades e dificuldades, e devido a isso, é preciso mudar rótulos por oportunidades, reconhecer o indivíduo e dar-lhe a chance de se ver como uma pessoa única, com suas habilidades e desafios próprios. Seja o responsável pela criação de oportunidades, partir da correção dos erros, incentivo da aprendizagem  e viabilização das  iniciativas de inclusão social.

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