Histórias para inspirar

Uma lista de amigos e admiradores sem fim e um sonho concretizado: durante os seus três anos de ensino médio, Gabriel conquistou muita coisa.

Paula Starling | 25/06/2021

Esse mês começo com uma “história para se inspirar”, bem do tipo “baseado em fatos reais”.

E nossa primeira história começa em 2016, ele tinha apenas 14 anos, cursava o nono ano, mas já tinha tanta certeza do que queria ser na vida, que até assustava. Como um menino tão novo tinha tanta determinação: queria ser jogador profissional de futebol.

Determinação, persistência, resiliência, humildade, gentileza, aos 14 anos ele já demonstrava tudo isso.

Chegou até nós por indicação e a sua única “exigência” era jogar futebol. Jogar e jogar.

Quem olhava para aquele menino “franzino”, tão frágil, não enxergaria a potência que existia dentro dele.

Mas como tudo sempre tem um “mas”, apesar de parecer o “candidato perfeito” para o programa “high school” nos Estados Unidos, o inglês do Gabriel era bem, mas bem básico. E teria que melhorar bastante para conseguir aplicar para qualquer escola que fosse.

E ele fez um teste, dois, três, depois do ano já ter “virado” ele finalmente conseguiu a nota mínima para aplicar para o programa. Até hoje guardamos o e-mail com o resultado: 6 de janeiro de 2017 – 223 pontos no ELTIS.

Finalmente, poderíamos começar o processo de aplicação para a escola dos seus sonhos: Blue Valley Public Schools, em Overland Park, Kansas – cidade dos sonhos para qualquer candidato a jogador de futebol, um dos maiores complexos esportivos dedicado exclusivamente ao futebol (soccer) nos Estados Unidos.

Mas se não bastasse seu nível básico e mínimo de inglês, o Gabriel também era diagnosticado com epilepsia mioclônica juvenil que, para qualquer leigo que lesse sua ficha médica, ele simplesmente não poderia nunca ser um atleta, quanto mais querer ser um atleta profissional.

E o que mais temíamos, desde o início do seu processo, aconteceu: mesmo com todos os atestados médicos enviados, a dificuldade para conseguir uma família para recebê-lo era enorme, todas faziam o mesmo questionamento: “mas e se alguma coisa acontecer com ele? Ele parece ter uma saúde muito frágil, não queremos correr esse risco”.

E o tempo foi passando, passando… e finalmente em abril 2017 recebemos a notícia que Blue Valley não seria mais possível, mas no estado de Indiana, na cidade de Kokomo, já tínhamos uma família e uma escola dispostos a receber essa pessoinha incrível – mal sabiam eles que ele realmente é especial.

E foi assim, sem nenhuma, absolutamente nenhuma reclamação ou questionamento que o Gabriel, da noite para o dia, mudou do Kansas para Indiana e ele só repetia a mesma frase, sempre: “obrigado, obrigado”. Gabriel embarcou em agosto de 2017 para uma experiência de um ano, que virou dois anos, que virou três anos, com direito a Diploma de Ensino Médio Americano, uma namorada norte-americana – fofa -, e a gente sempre se perguntava: “mas como o Gabriel já arrumou uma namorada se ele nem sabia falar inglês direito?”

Uma lista de amigos e admiradores sem fim e um sonho concretizado: durante os seus três anos de ensino médio, Gabriel conquistou muita coisa. Foi capitão do time principal da escola já no primeiro ano, convidado a jogar no Chicago Fire, jogou pelo Indy Premier, representando a “Nike Elite”, segundo lugar na Conferência Nacional, concorreu ao título da Divisão 1 Estadual, dentre outras.

E agora, por onde anda o Gabriel? Nesse exato momento na Lituânia, em plena pandemia, jogando futebol, durante as férias de verão até setembro, quando terá que embarcar para o Canadá, para começar a universidade.

Ah, antes da Lituânia, ele passou algumas semanas na Letônia, treinando. Quebrou a mão durante um treino e nunca, mas nunca mesmo, reclamou de nada, nem mesmo do chá horroroso que fizeram ele tomar. É sempre aquele sorrisão no rosto.

O futuro? O Gabriel me prometeu que o primeiro gol que ele fizer quando estiver na Seleção Brasileira vai levantar a camisa e todo mundo vai ver: “Eu fui pela Intervip”.

Obrigada, Gabriel.

Confira outras colunas da Paula Starling AQUI.

Mais Notícias