Há via e as Vias

Tradução: existe uma via e precisamos de vias. Sigam-me, por favor.

Humberto Alves Pereira Filho | 25/10/2021

diretor Humberto Alves Pereira Filho

Pelo menos no Brasil, a expressão “Terceira Via” começa a concorrer com a palavra “pandemia”. E não é na rima, mas como fato ou opção.

Pesquisa no Facebook mostrou a polarização, a divisão, mais forte que nunca, entre os brasileiros para 2022: Bolsonaro X Lula. Sim, Lula! Por incrível que pareça, mesmo no Brasil, país que dá de dez a zero na Colômbia, de Gabriel Garcia Márquez, mestre maior do “realismo mágico”. No Brasil, podemos esquecer o realismo, a magia e ficar apenas com o surrealismo.

Mesmo neste panorama, com mil e um candidatos à vaga de “Terceira Via” ou de “nem – nem”, nem Bolsonaro, nem Lula, um nome tem chance de emplacar, o do senador por Minas Gerais, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional.

Para completar e começar, o lado pitoresco de Pacheco que “não é mineiro” porque nasceu em Porto Velho, Rondônia, em 1976. Desde já, nossos parabéns, por seu 45º aniversário, no próximo 3 de novembro. Mineiro 100% porque foi criado em Passos, até adotar Belo Horizonte.

Começa aí também uma das vantagens de Rodrigo Pacheco, a juventude que combina bem com sua trajetória meteórica rumo ao Poder.

Advogado criminalista por profissão, vocação e paixão, em 2014 é eleito deputado federal pelo PMDB, com a incrível marca de quase 93 mil votos.

Com este “incentivo”, em 2016, conseguiu outra façanha política, ao disputar a Prefeitura de Belo Horizonte e chegar em terceiro lugar.

Em 2018 tentou se lançar como pré-candidato à governador de Minas, enfrentou resistência de alas do MDB e acabou deixando o partido pelo Democratas, apoiando a candidatura de Antonio Anastasia. Romeu Zema venceu a disputa, mas o fim foi o melhor recomeço. Pacheco se candidatou a senador e foi eleito na primeira colocação, com 3.616.864 votos.

Notícia fresquinha da semana passada, mas com validade futura: “O Rodrigo vai se filiar na quarta-feira e ele só não será candidato a presidente da República se não quiser”, disse o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, emendando ter certeza de que “ele não vai se negar a cumprir essa missão”.

Pronto, bem vindos à “Terceira Via”.

Por falar em via, voltemos a BH e falemos de via ou vias!

Este substantivo feminino é um das designações mais antigas para rua! Por definição, é caminho que parte de um ponto conduzindo a outro ponto. O meio pelo qual se desloca ou transporta algo ou alguém.

Rua, caminho e meio caem por terra quando, por exemplo, aventuramo-nos a ir ao Mineirão. Um programa que teria tudo para ser agradável, mas que a cada ano, ganha status de aventura, epopeia, odisseia, profissão de fé ou, literalmente, de via. Via Dolorosa, Via Crucis!

O governo de Minas e a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo merecem todos os elogios e incentivos para o programa Reviva Turismo, que quer lançar BH e Minas para Minas, o Brasil e o Mundo, em infinitas ações.

Mas, paralelamente, deveria resolver a mobilidade urbana na capital. A começar pelo nosso principal cartão postal, a Pampulha, onde reina Oscar Niemeyer e o gigante Mineirão. Mesma torcida pelo acesso ao futuro e novo Mineirão, a Arena MRV, do Atlético Mineiro.

Pois bem, o acesso ao nosso ainda maior estádio, na Pampulha, está cada vez mais para Tom Cruise em um novo filme da franquia “Missão Impossível”.

Na última quarta-feira, fui obrigado a vestir o manto de Jó, para aplaudir a linda vitória de 4XO do Galo contra o Fortaleza, pelas semifinais da Copa do Brasil, no Mineirão. O manto mostrou-se curto!

Nota 10 para a desorganização! Uma especialidade da casa! Uma hora, eternos 60 minutos para chegar ao Mineirão. Meia hora apenas para alcançar a praia da Pampulha. Uma hora, extremamente desagradável para estar dentro do Coliseu do Futebol. E no nosso colossal Coliseu, também não há cristão e leão que aguentem!

I(moral) da história. Mesmo com o lindo resultado, ir ao Mineirão, em vez de lazer, foi verdadeiro suplício. Já chegamos cansados e, no meio da semana, com toda uma quinta feira pela frente, deveras desanimador.

Para que o Mineirão volte a ser um “parque de diversões” e não um “drinque no inferno”, não basta uma terceira via. Precisamos de quatro, cinco vias. Que sejam duas vias, mas decentes, verdadeiras.

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