Grupo Galpão e a arte de se reinventar

“Quer Ver Escuta” é o novo espetáculo da trupe mineira, e sua primeira produção radiofônica.

João Eugênio e Thiago Romano - BH Cosmopolita | 15/07/2021

Elenco Grupo Galpão

Muita gente há de pensar que após 39 anos de carreira chegamos a um patamar de conforto, calma e até certa previsibilidade. Isso pode até ser verdade em vários casos, mas, para algumas pessoas, há uma efervescência, uma inquietação por dentro que não deixa nunca parar.

O Grupo Galpão é assim. Criado em 1982, esse grande representante da arte mineira coleciona mais de 100 prêmios, apresentações em 18 países, quase 2 milhões de espectadores, em uma produção contínua que sempre se reinventa para conversar com o tempo presente. O resultado disso é se manter contemporâneo e relevante.

Fazendo loucuras

“Às vezes sinto que ainda tenho 15 anos, na vontade de continuar fazendo loucuras”. Quem fala é a atriz Inês Peixoto, que conversou com a gente junto da sua colega de grupo Teuda Bara.

“Somos um grupo de atores que está sempre experimentando novas linguagens, novas dramaturgias. Às vezes queremos fazer Tchékhov, ou um Pirandello de rua, um teatro mais contemporâneo, trabalhar a palavra, o corpo, ações físicas. Talvez essa inquietude nossa seja o que dialoga muito com as diversas gerações”, Inês completa.

Para Inês Peixoto, o Galpão está sempre experimentando novas linguagens (Foto: Mateus Lustosa)

O Galpão acaba de estrear seu mais novo experimento, desta vez em linguagem de som: a série radiofônica “Quer Ver Escuta”. Com direção de Marcelo Castro e Vinícius de Souza, a peça tem a poesia contemporânea como fio condutor e é resultado de experimentos sonoros realizados nos últimos meses pelo elenco. O trabalho foi lançado na íntegra na Rádio Inconfidência no último dia 10, e chega às plataformas streaming na próxima segunda-feira, 19 de julho.

Paisagens sonoras

A peça é um convite à imaginação, através de histórias e situações que se entrecruzam e levam o ouvinte a diferentes paisagens sonoras.

“Tem uma pessoa que está atrás de uma voz para falar um poema, outra a quem falta a memória, há a que quer traduzir uma poesia para o russo ou guarani, uma está atrás de ouvir o contato das sereias, outro reflete sobre o próprio som que não consegue gravar”, adianta Inês. E revela uma surpresa de “Quer Ver Escuta”: um poema gravado pelo ator Paulo José, que superou as dificuldades da doença de Parkinson para participar.

Teuda Barra: “este é o poder do som: cada um constrói o seu” (Foto: Mateus Lustosa)

“Eu recebi muitas mensagens de gente que ouviu a estreia e disse assim: eu vi tudo, eu vi vocês, eu vi o mar. Este é um poder do som: cada um constrói o seu. Eu cresci ouvindo radionovelas, e eu também enxergava tudo, tinha o rosto dos galãs na cabeça”, se emociona a atriz Teuda Bara.

Ela também conta que “Quer Ver Escuta” não começou como experimento sonoro, mas sim uma pesquisa sobre poetas vivos e que estava se tornando um espetáculo muito físico que iria estrear no Festival de Teatro de Curitiba de 2020.

“Entrou a pandemia e murchou tudo, acabou. Como achamos que seria rápido, levamos os ensaios para o Zoom. Dessa plataforma, a peça virou uma experiência de cinema, com o filme ‘Éramos em Bando’ (2020). Agora, assumiu linguagem radiofônica, que desperta outro tipo de sensibilidade”, relata.

Todas as plataformas

“Quer Ver Escuta” estará disponível no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts a partir da segunda, 19, dividido em cinco episódios. O trabalho também será transmitido na íntegra na Rádio UFMG Educativa, dia 24 de julho, às 19h, e no dia 29, às 17h.

Para quem quiser saber mais, e conhecer o processo criativo dessa experiência radiofônica, confira nossa conversa com Teuda Bara e Inês Peixoto no Instagram do Cidade Conecta (LINK).

Fotos: Mateus Lustosa

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