Galeria Celma Albuquerque retoma atividades com trabalhos das artistas Cláudia Jaguaribe e Mariannita Luzzati

As fotografias de Cláudia Jaguaribe e as pinturas de Mariannita Luzzati se apresentam com as suas singularidades, ao mesmo tempo em que se complementam.

Da Redação | 15/10/2020

Cultura. A mostra, que já passou por Brasília (Casa Albuquerque), sob o comando dos galeristas Flávia e Lúcio Albuquerque, reúne trabalhos que se dividem entre pinturas e fotografias, cada qual com linguagem e técnica próprias, mas com um ponto convergente, que é o levantamento de questões relativas aos impactos significativos na paisagem que nos afetam a todo o tempo.

As obras de Cláudia Jaguaribe e Mariannita Luzzati são o resultado de pesquisas feitas por elas, relacionadas à natureza, à cultura no contexto do jardim, ao fenômeno da vegetação migrante, entre outros aspectos análogos, tendo como ponto central a diversidade da paisagem brasileira.  Foi a partir desses estudos, realizados de forma independente, em lugares e períodos diferentes, que as ideias brotaram, se materializaram, se confluíram e se desaguaram na exposição Natura.

Com perspectivas e linguagens distintas, e a proposta  comum de pensar o Brasil e as possibilidades de reconexão do homem com a natureza, e de direcionar  os olhares para o mundo contemporâneo, as fotografias de Cláudia Jaguaribe e as pinturas de Mariannita Luzzati se apresentam com as suas singularidades, ao mesmo tempo em que se complementam.

As imagens clicadas por Cláudia Jaguaribe refletem parte de uma pesquisa que explora a natureza e a cultura no contexto do jardim. “Historicamente, os jardins são manifestações físicas da cultura, dos encontros de valores de determinada sociedade, expressões da forma como entendemos e nos relacionamos com a natureza,” explica. Os seus registros foram executados em diferentes locais como Inhotim/Brumadinho, MG; Vila Elisa/Sabará, MG; Sítio de Burle Marx, RJ; Aterro do Flamengo, RJ; e nos jardins de São Paulo.

Leia também: Galeria Celma Albuquerque apresenta a exposição “Natura”

As telas de Mariannita Luzzati, cujas representações não buscam clareza objetiva, têm seus limites pouco definidos entre os elementos das imagens retratadas, foram produzidas a partir do estudo do fenômeno da vegetação migrante. Conforme ela conta, “pesquisas paleobotânicas indicam que, muito antes da intervenção humana, as espécies de plantas já haviam migrado devido a mudanças climáticas, distúrbios naturais e processos de desenvolvimento. O efeitos da intervenção humana nos ecossistemas florestais, no entanto, têm aumentado progressivamente, devido ao crescimento populacional e à diversificação das atividades humanas.”  

Pandemia

A Natura é a primeira exposição organizada pela Galeria Celma Albuquerque desde que a pandemia do Coronavírus foi anunciada pela Organização Mundial de Saúde, e que teve como consequência, o fechamento do comércio de Belo Horizonte. Com o fim das medidas restritivas, autorizado recentemente pela PBH, a Galeria retomou as suas atividades, mas, conforme explica Flávia Albuquerque, seguindo todas as orientações dadas pelas autoridades sanitárias e epidemiológicas, a começar pelas visitas, que devem ser limitadas e agendadas.

“Estamos nos adaptando a este momento tomando todos os cuidados necessários para manter nossos colaboradores, clientes e amigos protegidos. Assim como a maioria das empresas, também precisamos manter nosso funcionamento e negócios em dia, o que exige responsabilidade financeira e atenção não só com os artistas, mas com o conjunto de pessoas e prestadores de serviço que o mantém. Acreditamos que assim, e mais do que nunca nesse momento, é preciso ter responsabilidade social para que possamos manter nossas portas abertas sem perdermos a dimensão do que é mais importante, que é a vida”, conta Flávia.  

A exposição Natura fica em cartaz na Galeria Celma Albuquerque até 24 de outubro, de segunda a sexta-feira, de 11h às 19h, e aos sábados, de 11h às 13h.

Cláudia Jaguaribe:

As obras apresentadas são parte de uma pesquisa que explora a natureza e a cultura no contexto do jardim. Historicamente, os jardins são manifestações físicas da cultura, dos encontros de valores de determinada sociedade, expressões da forma como entendemos e nos relacionamos com a natureza. Pela ótica do jardim modernista, Cláudia se dedica a pensar e produzir trabalhos que falam sobre a natureza brasileira, sobre o resgate que o contato com esse ambiente pode proporcionar em face da virtualização das relações e experiências atuais.

As imagens que compõem as obras foram feitas em diferentes locais – Inhotim/Brumadinho, MG; Vila Elisa/Sabará, MG; Sitio de Burle Marx, RJ; Aterro do Flamengo, RJ; e nos Jardins, SP – e representam uma síntese de jardins diversos, com interferências de planos urbanos, calçadas, muros e outros detalhes, numa migração de espécies e reconfiguração das possibilidades.

A série Confluence leva a fotografia para a tridimensionalidade, dando seguimento à revisão da relação com a natureza proposta pela artista; nela estão representados os rios Tocantins, Paraná, Solimões e Iguaçu. Formada em história da arte, artes plásticas e fotografia, Claudia desenvolve um trabalho atento às práticas multifacetadas e à diversidade da fotografia contemporânea. Sua produção se caracteriza por uma intensa pesquisa plástica que utiliza diferentes mídias, como fotografia, vídeo, internet e instalações. Na fotografia, trabalha com variados formatos e meios de produção, desde a prática fotográfica em estúdio até fotos documentais posteriormente trabalhadas, numa pesquisa sobre a materialidade da imagem que questiona a própria natureza da fotografia.

Mariannita Luzzati:

Os trabalhos aqui expostos foram concebidos por Luzzati a partir do estudo do fenômeno da vegetação migrante: uma fronteira que marcou caminhos físicos e espirituais traçados pelo homem em nosso planeta, definindo a fisionomia geológica de diferentes civilizações ao longo dos tempos. A paisagem brasileira, ponto central da pesquisa artística de Mariannita, é conhecida por sua extraordinária diversidade. O Jardim Botânico do Rio de Janeiro, criado pelo príncipe Dom João de Bragança, em 1811, para aclimatar plantas trazidas do leste da Índia para o Brasil, é emblemático neste sentido.

A criação deste imenso parque botânico mudou o clima e a paisagem da cidade e foi fundamental para criar um ambiente para as espécies que coexistem com as florestas tropicais circundantes. As migrações transformaram e retransformaram radicalmente situações e contextos preexistentes. Pesquisas paleobotânicas desenvolvidas a partir de macrofósseis e diagramas de pólen indicam que, muito antes de qualquer intervenção humana, as espécies de plantas já haviam migrado devido a mudanças climáticas, distúrbios naturais e processos de desenvolvimento.

Os efeitos da intervenção humana nos ecossistemas florestais, no entanto, têm aumentado progressivamente devido ao crescimento populacional e à diversificação das atividades humanas. Em Natura a artista apresenta uma plataforma para reflexão sobre o Brasil e sobre as possibilidades de reconexão do homem com a natureza em seu estado mais puro.

Vivendo e produzindo em Londres desde a década de 1990, Mariannita Luzzati nunca se distanciou do Brasil, cujas paisagens seguem sendo exploradas em seus trabalhos de pintura, gravação e desenho. A pesquisa cromática e uma representação que não busca clareza objetiva, com limites pouco definidos entre os elementos das imagens retratadas, são frequentes em seu trabalho que permite virem à tona, com sutileza, questões ambientais e sociais, tão em voga e urgentes em nosso tempo.

 Serviço:

  • O quê: Exposição Natura
  • Artistas: Cláudia Jaguaribe e Mariannita Luzzati
  • Quando: Até 24/10/2020
  • Onde: Galeria Celma Albuquerque
  • Endereço: Rua Antônio Albuquerque, 885, Funcionários
  • Telefone: (31) 3227-6494
  • Horário: De segunda à sexta-feira, de 11h às 19h; aos sábados, de 11h às 13h

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