Expedição redescobre os distritos mais antigos do Estado

Entre um causo e um “cafezinho”, jornalistas percorrem 12 localidades que contam histórias das Gerais e sua gente

Da Redação | 10/12/2020

Redescobrir os distritos mais antigos do estado e mostrar que Minas realmente são muitas. Este é um dos objetivos da Expedição Minas 300 anos, projeto criado e planejado pelo jornalista Guilherme Lages, em homenagem ao aniversário das “Gerais”. Com esta aventura, ele também quis prestar uma homenagem à sua mãe, que nasceu em Itapanhoacanga, um dos distritos de Alvorada de Minas.

“Sempre andei pelas bandas de lá na minha infância e tenho uma memória afetiva enorme das pessoas, das histórias, dos cheiros e dos sabores do interior”, conta o idealizador. Como profissional da área de Comunicação, viajou muito pelo estado, em função do trabalho nas empresas e instituições por onde passou: seja realizando testes em veículos da Fiat, ativando as ações da Subsecretária Estadual de Comunicação ou desenvolvendo ações de marketing para a Associação do Mangalarga Marchador. 

Estas vivências e experiências afetivas e profissionais promoveram um “motim” no coração navegador do jornalista durante uma passagem por São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto. Entre uma prosa e outra, um bolinho de bacalhau do Nonô e uns tantos suspiros de paz, a inspiração e o desejo de compartilhar as histórias das gentes mineiras tomaram conta. 

A primeira etapa da expedição começou em 10 de agosto e terminou dia 2 de dezembro, data de comemoração dos 300 anos do estado. Foram visitados 12, dos distritos mais antigos de Minas e fundados no intervalo de 160 anos, um recorte que vai de 1720 a 1880. As pesquisas foram feitas com dados fornecidos pela Fundação João Pinheiro (FJP) e Secretaria Estadual de Cultura e Turismo (Secult). A direção de fotografia e roteiro é do jornalista Vanderlei Timóteo. 

“Como diz o poeta Gonzaguinha: minha vida é andar por este país, pra ver se um dia descanso feliz”, observa Lages. Segundo ele, as andanças foi por este país, por este mundo chamado Minas Gerais. 

Em cada parada, em cada prosa, em cada contemplação, o jornalista garante ter sido muito bem acolhido. “Nosso caminho foi pelos distritos mais antigos do estado e descobrimos o enredo de uma história encantada que chama os nossos sentidos para o sentido maior de viver: a paz”, afirma.

Lages conta que a cada olhar, cada riso, cada aroma, janela, porta, beco, rua, viela, horizonte, lenda, mistério, tempero, cachorro, gato, galinha, passarinho, flor, hortaliça, cantoria, reza, benção, quitanda, doce fazem parte de um ritual simples de receptividade e esperança. “Esperança que prenuncia milagres. Milagres que se traduzem na intimidade cúmplice de partilhar a felicidade. Felicidade é que amor puro, sem preço, sem precisar retribuir. É só amor e agradecer”, acrescenta.

Na expedição, visitou Morro Vermelho e Roças Novas, distritos de Caeté; São Bartolomeu e Santa Rita de Ouro Preto, distritos de Ouro Preto; Costa Sena e Córregos, distritos de Conceição do Mato Dentro; Itapanhoacanga, distrito de Alvorada de Minas; Furquim, Monsenhor Horta e Santa Rita Durão, distritos de Mariana. 

José Leal, Leonardo, Nonô, Domingos, Dona Didi, Ana Alves, Silvânia, Prisco Macário, Djalma e Dona Zizi foram alguns dos anfitriões. “Cada um com sua sabedoria, seu entendimento do mundo, sua paixão pelo lugar onde moram”, garante. 

Seu José Leal, maestro autodidata, fala que Morro Vermelho é um ninho. “Ao final das contas, Minas Gerais é um ninho. Por mais que a gente voe por aí, o recolhimento é sempre neste cantinho abençoado do mundo”, ressalta.
Com um carro, uma câmera, dois celulares e muita segurança, os expedicionários não fizemos apenas uma visita aos distritos. “Foi visitar, tomar um café e ouvir. Prestar atenção à sapiência e sabedoria do povo de Minas. Pessoas que vivem conversando com o tempo e trocando ideias sobre a eternidade”, afirma. 

Em 2021, a segunda temporada da expedição está marcada. E faz spoiler, sem revelar, em detalhes, o que vem por aí: “Já parou pra pensar em quantas comidinhas maravilhosas são servidas na beira da estrada? E quantas histórias estão guardadas na sala de troféus dos times do interior? Sabia que temos um dos acervos mais importantes do antigomobilismo nacional? E as cores, aromas e sabores da Feiraterapia? Quantos personagens passaram pelos corredores dos hotéis de Minas? Quantas decisões políticas nasceram nos salões destes hotéis?”, imagina.
Fotos, vídeos, depoimentos, cantorias, receitas e muita imagem da expedição estão no instagram oficial do projeto @minastemdisso. 

FOTOS / Divulgação JC / Expedição Minas Tem Disso

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