Espiritualidade: textos sobre Barnabé

O Cidade Conecta preparou lançamentos, periódicos, com uma série de escritos sobre Barnabé, um dos primeiros trabalhadores que se agregaram integralmente à causa cristã.

Carlos Malab | 23/02/2021

Não existe mal que não possa ser vencido pela lei do amor 

O local de culto cristão, em Antioquia, tornou-se, aos poucos, uma referência de atendimento a todos os tipos de problemas, na cidade.

Não eram só os Judeus que o procuravam. Diariamente, pela sua porta, adentravam tanto habitantes da grande metrópole quanto viajantes, que tinham estadia transitória na região. Muitos eram gregos atraídos pelo grande esplendor do forte comércio local, gerado pelas necessidades da longínqua Roma e de seus prepostos.

A mistura de culturas era enorme, trazendo os aspectos nobres e inferiores da concepção moral de cada povo, que ali transitava.

A mensagem cristã chegara àquele ambiente como uma brisa renovadora e refrescante para as almas tão necessitadas do conforto da fraternidade pura e sincera.

Os primeiros cristãos tinham compreensão e paciência relativamente às dificuldades de entendimento espiritual, mas nunca deixavam de transmitir a mensagem consoladora da Boa Nova, trazida por Jesus. 

O ambiente tão adverso exigia que o esclarecimento se fizesse seguir de perto pelo exemplo, que não deixava qualquer dúvida sobre como proceder nas situações consideradas as mais difíceis.

Num final de tarde, quando o sol, como uma bola de fogo, estava ainda sobre a linha do horizonte, duas senhoras, com vestimentas gregas e de porte nobre, aproximaram-se da entrada da casa e indagaram:

-É aqui a casa dos magos do crucificado de Jerusalém?

-Sim, é aqui mesmo, respondeu Marcos, que estranhou a forma como a pergunta fora feita. No que podemos vos ser úteis?

-Gostaríamos de uma orientação sobre um problema pessoal, que nos aflige muito, e soubemos que os magos desta casa têm poderes. Quem poderia nos atender?  Possuímos recursos para remunerar muito bem a consulta.

-Entendo, mas não precisam de se preocupar com remuneração de qualquer ordem. Nossa casa tem prazer em recebê-las. Por favor, entrem e aguardem enquanto vou buscar quem vos pode atender.

Marcos acompanhou-as até à sala de reuniões e, após acomodá-las, foi buscar auxílio. Retornou com Barnabé e Laís. 

Frequentemente, o dedicado trabalhador da casa cristã convidava Laís para acompanhá-lo no atendimento a senhoras, pela sensibilidade e elevação moral que lhe era inato. Ela falava perfeitamente o grego.

-Boa tarde, irmãs, em que podemos ajudá-las? Chamo-me irmão Barnabé e esta é a irmã Laís. Sintam-se em casa.

-Irmão Barnabé, muito obrigada por nos receber, chamo-me Sofia e ela é a minha irmã Larissa. O senhor é o mago que atende nesta casa?

-Minhas irmãs, estamos numa casa que segue os ensinamentos de nosso Mestre Jesus. Não existem aqui magos ou feiticeiros, mas sim trabalhadores de boa vontade.

-Disseram-nos que vocês conseguem afastar os espíritos ruins e libertar as pessoas dos feitiços. É verdade?

Barnabé, entendendo a ignorância sobre as lições do Cristo, explicou:

-Aqui, procuramos ajudar todos os que batem à nossa porta, mas o poder de cura vem de Deus e da fé daqueles que buscam a solução de seus problemas. O que a aflige minha irmã?

Sofia trocou olhares com a sua jovem irmã. Larissa estava abatida, deixando perceber profunda tristeza. Após alguns instantes, e com visível emoção, a irmã mais velha retornou:

-Precisamos de ajuda, irmão Barnabé. Minha irmã está sob o jugo de feitiço poderoso, para  afastá-la do seu prometido.

-Por que diz isso, irmã Sofia? O que a levou a esta conclusão?

-Minha irmã estava ótima de saúde e relacionando-se bem com seu futuro noivo, quando recebemos um mensageiro que nos transmitiu uma palavra de mau agouro e transtorno. Disse que a pitonisa do tempo de Apolo havia predito que Larissa ficaria doente e não se casaria. Todas as medidas para mudar este destino falhariam. Depois, desapareceu sem deixar rastros. Desde então, minha irmã vem definhando e tudo na sua vida dá errado. O seu pretendente iniciou uma grande viagem, e não dá notícias há meses. Nossa esperança era que aqui pudessem nos auxiliar a dissipar tal presságio.

Barnabé ficou pensativo por alguns minutos. Conhecia as artimanhas dos feiticeiros, que, para terem sucesso em suas empreitadas, precisavam materializar, entre as suas vitimas, o medo e a confusão mental, usando como instrumento a superstição popular. Procurando entender melhor, perguntou:

-A irmã, lembra-se de algum outro fato de relevância, que tenha trazido alguma má impressão a vocês?

-Agora, que falou irmão, lembro-me que, dias depois do aparecimento do tal mensageiro, um corvo de penas aparadas foi encontrado no jardim de nossa residência com os olhos vendados, causando temor a todos os trabalhadores. A quem poderá interessar a nossa infelicidade? O que fazer para vencer este mal, que passou a nos perseguir?

Após proferir estas palavras, Sofia teve a voz embargada e as lágrimas vieram aos seus olhos. Notava-se claramente o esforço que fazia para não desabar em choro, procurando proteger Larissa das más impressões que isto causaria.

Barnabé entendeu o que se passava. Ali, estava um caso premeditado de indução mental, buscando causar pavor e desânimo em Larissa e sua família. O autor conhecia muito bem as predisposições religiosas e supersticiosas de quem queria atacar. A melhor forma de ajudar seria esclarecer sobre o medo, fortalecendo o espírito das vítimas, bem como explicar sobre o poder verdadeiro da oração. Pediu a Laís que fosse buscar um recipiente com água e esclareceu:

-Irmãs Sofia e Larissa, vejo a vossa preocupação com o que tem ocorrido. Percebemos, através dos episódios relatados, a nítida preocupação em prejudicá-las. Os agentes do mal têm estratagemas para envolver aqueles a quem desejam vitimar. Utilizam-se de conhecimentos ancestrais acerca da natureza humana. Já por aqui passaram alguns casos semelhantes.

Parou de falar, por instantes, e, percebendo que as irmãs estavam mais calmas, devido à plena atenção dispensada, continuou:

-Nosso Mestre procedeu à cura de diversos doentes afetados por espíritos malignos, limpou leprosos, fez andar paralíticos, devolveu a visão a cegos e ressuscitou pessoas consideradas mortas. Nada é impossível para Ele e seus mensageiros, revestidos do poder dos anjos de Deus. Ele ensinou-nos que aqueles que praticam o mal contra os seus semelhantes são também doentes, que precisam de ser curados e que a fé é um poderoso instrumento para a nossa vida. Não existe mal que não possa ser vencido pela lei do amor. Digo isto, para que as irmãs entendam que, embora estejamos aqui para ajudá-las, a cura parte de vós mesmas.

Neste momento, Irmã Laís retornou ao ambiente com um pequeno jarro de água. Barnabé agradeceu e serviu-as, e, após pequena pausa, perguntou:

-O que aconteceria irmãs se colocássemos nesta pequena jarra de água o azeite? Os dois se misturariam?

Surpresas com a pergunta elas responderam:

-Não, irmão, ficariam separados.

-Pois bem, irmãs, isto também ocorre relativamente ao bem e ao mal. Se sabemos ter fé e cultivamos a bondade, o respeito e a ação desinteressada pelo bem do nosso semelhante, sejam eles quem forem, estaremos criando uma capa protetora sobre nós, diminuindo ou mesmo eliminando a ação dos que querem nos prejudicar. Não se deixem influenciar por induções geradas por aqueles que lhes querem mal. Não há feitiço que supere o verdadeiro amor.

Irmã Laís, que permanecia calada, pediu licença e falou:

-Quando cheguei a esta casa, vivia grande aflição na minha família. Nos ensinos de Nosso Senhor Jesus, consegui a paz que tanto precisava. Ensinaram-me um instrumento maravilhoso para o meu fortalecimento íntimo que é a prece sincera, vinda do fundo do coração e a confiança no socorro de Deus. Se desejarem posso ajudá-las a orar. Não precisam buscar magos ou feiticeiros para tal. Aceitam? Vocês são muito bem-vindas aqui.

Sofia e Larissa trocaram olhares. As palavras atenciosas de suave magnetismo de Barnabé e o testemunho de Laís  deixaram-nas seguras e confiantes.

-Irmã Laís, respondeu Sofia, agradeceríamos muito se nos ensinasse como proceder.

Após combinarem um novo encontro, Sofia e Larissa retiraram-se do recinto, transformadas pela esperança de encontrarem um caminho para a solução de seus problemas.

Barnabé e Laís, antes de se despedirem, trocaram ainda algumas palavras, em torno da oportunidade de auxílio ao próximo e da profunda sabedoria trazida pelos atos e ensinos do Cristo. 

Lá fora, já despontavam as primeiras estrelas, derramando suave luz sobre todos os habitantes da Terra, como a indicar que Deus distribui sempre, indistintamente, o seu amparo e as suas bênçãos.

Psicopictografia pela Médium Cleide, As Mimosas – Espírito Frida , Fraternidade Cristã Francisco de Assis (FECFAS).

Confira os textos da coluna sobre Barnabé assinada por Carlos Malab (aqui)

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