“Era uma vez para sempre”: a grande janela

Carlos Malab chega com sua nova coluna para o Cidade Conecta.

Carlos Malab | 01/07/2021

Certa vez, algum tempo atrás, as crianças da casa de Vovó Angel preparavam-se para deitar.

Era um hábito na casa de Vovó Angel reunir as crianças para uma conversa noturna antes de todos irem para a cama.
Um outro hábito que ela cultivava também era o de se fazer uma prece após os comentários. Por isso os momentos antes de dormir eram mágicos, pois permitiam que as crianças perguntassem o que quisessem. Geralmente, elas questionavam acerca dos acontecimentos do dia.

Vovó Angel era sempre muito inspirada e cuidava com muito carinho de sete crianças órfãs que lhe foram confiadas pela comunidade. Ela havia trabalhado muitos anos como funcionária pública graduada e, sendo viúva, com filhos morando em outros países, decidira abrigar como seus filhos algumas crianças desamparadas.

– Vovó Angel, quem criou a lua e as estrelas? Por que elas brilham tanto à noite? – perguntou Joana, uma simpática menina de sete anos, com longas tranças.

Vovó Angel olhou com muito carinho para o céu, através da grande janela do quarto, e lembrou-se de Deus. Em seguida, olhou para as crianças. Vendo aqueles rostos ingênuos refletindo dúvida e esperança, pensou como poderia ser simples e objetiva na resposta.
Além de Joana, Vovó Angel notou um especial interesse em Larine e em Sebastião, pois os olhos dos dois brilhavam de curiosidade. Lari e Tião, como todos os chamavam, eram irmãos gêmeos de nove anos, que haviam perdido os pais em um acidente rodoviário.

Após pensar um pouco, Vovó Angel começou a falar assim:

– Meus filhos, todas as maravilhas da Natureza – o céu, a Terra, a lua, as estrelas -, e todos nós fomos criados por Deus. A lua e as estrelas que iluminam nossa noite mostram como somos pequenos diante da Natureza e como temos tanto a aprender!

Nesse momento, Vovó Angel se lembrou do Dr. Anselmo, o médico que atendia às crianças.

– O Dr. Anselmo – disse ela – estuda muito as ciências e fala que as estrelas são como o nosso sol e só parecem pequenas por que estão muito longe da Terra. A lua, por sua vez, é bem menor que as estrelas, não possui luz própria, mas para nós parece maior!

As crianças fizeram cara de espanto e ficaram mais curiosas. Lari não aguentou esperar mais e perguntou:

– Como pode a lua parecer maior e na verdade ser menor que as estrelas?

Vovó Angel refletiu com calma sobre a pergunta e percebeu que por trás da questão havia o nosso engano típico de julgar coisas e pessoas pelas aparências. E afirmou:

– Lari, minha querida, esta é uma lição que a Natureza nos dá todo dia! Não podemos julgar pelo que os nossos olhos veem. Na maioria das vezes, nos enganamos profundamente. Tanto a lua quanto as estrelas são importantes, mas dependendo de como e de onde as observamos elas são maiores ou menores para nós!

Tião, que até aquele momento tinha ficado calado e não queria ficar para trás,  perguntou:

– Vovó,  e como é que Deus construiu tudo isso?

Vovó Angel refletiu na profundidade da pergunta. Raciocinando sobre o quanto estamos longe de uma resposta definitiva, respondeu com o coração e com simplicidade:
– Tião, eu não sei como Ele criou, só sei que foi com muito amor. Se olharmos como tudo se encaixa perfeitamente na Natureza, teremos uma ideia da dimensão de Deus, pois a Criação reflete o Criador. O Sr. Joaquim, expositor espírita, sempre diz que Deus é soberanamente justo e bom!

Então Vovó Angel percebeu o adiantado da hora e, como de costume, solicitou que uma das crianças fizesse a prece de dormir. Cada noite a responsabilidade da prece era de uma criança. Aquela era a noite de Pedrinho, garoto de sete anos que, após uma bocejada, orou bem de mansinho:

– Papai do Céu querido, protege a nossa casa, a Vovó Angel, o Dimba e todos nós. Que amanhã possamos estar alegres e fortes. Que façamos os nossos anjos da guarda felizes. Obrigado, Papai do Céu. Boa noite!

Vovó Angel sorriu com a singela lembrança do Dimba, o cachorrinho de estimação da família. Beijou cada criança, colocando-as em suas camas. Depois apagou as luzes da casa, refletindo na bondade de Deus.

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Fonte: MALAB, Carlos Henrique da Silva. Era uma vez para sempre. Pelo espírito Blandina. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2007. p. 15-19.

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