Entrevista: a mudança na carreira começa com planejamento

Segundo Marcelo Miranda, planejar, estudar e investir em “soft skills” são fatores cruciais para uma boa trajetória profissional.

Da Redação | 17/01/2021

Marcelo Miranda

No último ano, seja por necessidade ou por decisão pessoal, diversas pessoas se viram impulsionadas a mudar de carreira ou, pelo menos, mudar de ares dentro da profissão. Para Marcelo Miranda, CEO da Consolis Tecnyconta na Espanha e conselheiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH-MG, toda mudança precisa de planejamento.

“Dificilmente existe um caminho único, mesmo porque os motivos que levam a essa transformação são muito diferentes. Mas ter um planejamento talvez seja o primeiro passo”, afirma o executivo.

Ao Cidade Conecta e ao JORNAL DA CIDADE, Miranda dá dicas valiosas e analisa o futuro das profissões.

Vimos que muitas pessoas decidiram mudar de carreira ou arriscar novos caminhos durante a pandemia. Essa também é a sua percepção?

Sinto que a pandemia fez as pessoas refletirem mais, perceberem mais o que buscam, avaliando se o que fazem hoje faz sentido para elas. Seja por uma mudança de cenário forçada, como uma demissão, ou pela busca de um antigo sonho, percebo que tem muita gente com garra para recomeçar. Existem estudos sobre isso. 76% dos brasileiros afirmam que a pandemia da covid-19 os fez repensar a trajetória profissional, segundo a Global Learner Survey, realizada pela Pearson.

Que conselhos você daria ao profissional que decidiu mudar de carreira agora?

Dificilmente existe um caminho único para uma mudança de carreira, mesmo porque os motivos que levam a essa transformação são muito diferentes. Meu primeiro conselho é seguir seu coração, seus valores, seus propósitos. Já que vai mudar, se possível busque algo que te inspire de fato. E ter um planejamento talvez seja um bom passo inicial.

Isso significa traçar metas e definir o que será necessário para alcançá-las. Qual carreira quero seguir? De quais conhecimentos preciso? Como adquirir as habilidades necessárias? De quem devo me aproximar (networking)? Necessito de investimentos? Posso me preparar em paralelo? E se vai se juntar a uma nova empresa, pesquise bem se está alinhada com seus propósitos e valores.

Quais atributos e habilidades fazem a diferença em quem está disposto a explorar novos caminhos?

Se a ideia é mudar de carreira, é preciso aprender coisas novas. São muitas as oportunidades de cursos (on-line ou presenciais) de capacitação, nas mais diversas plataformas. Mas, além disso, se puder dar um “conselho” como gestor de pessoas, digo para investir também em “soft skills”. Ou seja, na criatividade; na capacidade de aprender; de se comunicar e se apresentar; na inteligência emocional e em outras características que são essencialmente humanas.

O que o mercado como um todo exige agora? Qual a tendência para o futuro?

Nosso mundo está cada vez mais competitivo. Então, temos de fazer o nosso dever de casa. As competências técnicas serão base, alicerce para cada área ou função, obrigação básica. O que nos diferencia são as competências comportamentais, de adaptação, aprendizado contínuo, liderança, comunicação, capacidade de resolver problemas. E a habilidade de conectar-se com a tecnologia e utilizá-la como parceira na busca por resultados.

Você passou por isso? Pela mudança de carreira e de ares?

Sim. Em um determinado momento de minha carreira estava em Finanças, mas queria passar para Administração Geral. O status quo das empresas me incomodava, queria buscar mais ferramentas para poder transformar mais rápido. Decidi largar tudo e me preparar no Vale do Silício/EUA. Teoricamente, tinha uma boa carreira, mas sentia que podia fazer melhor em outra função, sentia que meu propósito era outro. Penso que não devemos deixar a vida nos levar, que devemos e podemos controlar mais nossa carreira através de nossas escolhas, não somente quando algo vai mal.

Foto: ABRH-MG/Divulgação

Leia outra entrevista exclusiva do JC aqui.

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