Encontrar a própria voz é aprender a se escutar

Escritor e comunicar busca ensinar em suas obras como os profissionais criativos podem se tornar protagonistas em suas atividades.

Da Redação | 11/06/2021

Jorge Grimberg é escritor, comunicador e criador de conteúdo sobre moda e comportamento. Atuou como diretor comercial e marketing no WGSN por 10 anos e como correspondente de portais internacionais como Vogue America, Business of Fashion e CNN Style. Em 2017 lançou o livro “Vida Criativa”, um manual para profissionais criativos encontrarem sua voz no mundo digital. Foi considerado a “voz da sua geração para moda brasileira” pelo portal Style.com e atualmente protagoniza uma das web séries mais relevantes da comunicação de moda: 3 Minutos de Moda em seu instagram (@jorgegrimberg). 

Além disso, como educador, oferece programas de educação para aspirantes e profissionais do mercado de moda e áreas correlacionadas. No portfólio estão mentorias coletivas e individuais, assim como workshops – como seu Encontre a sua Voz – e cursos como o recentemente ministrado com outro nome expoente do setor, André Carvalhal, sobre como criar uma marca pessoal; e que já tem lista de espera aberta para próxima edição. 

Em um bate-papo com a editora Tatiana Andrade ele fala sobre marcas pessoais, como foi a construção da dele e os novos rumos da indústria da moda.  

Depois de mais de dois anos produzindo e protagonizando a web série 3 Minutos de Moda com episódios com mais 100.000 visualizações, podemos dizer (sem dúvidas) que encontrou sua própria voz. Como foi o processo e qual o conselho para quem ainda está buscando? 

Encontrar a minha voz é um processo contínuo que tem sido, antes de tudo, sobre aprender a me escutar – algo nada fácil num mundo tão ruidoso. Há sempre muitas vozes nos falando sobre como vivermos, como nos comportarmos, como nos vestirmos e o que falarmos. E exatamente por isso, encontrar a própria voz se torna um processo intenso e constante de autoconhecimento e que precisa ser valorizado e renovado todos os dias. 

Como se diferenciar digitalmente como marca pessoal em tempos como estes, em que já existem tantas? 

Percebo que as pessoas que têm marcas pessoais mais relevante atualmente são aquelas que conseguem estar em seus papéis verdadeiros e não em algum outro criado para o Instagram. Então o escritor escreve, o stylist cria looks, o estrategista pensa estratégias, o cantor canta. A cultura de influenciadores acaba se perdendo quando os papéis se tornam montados e pré-fabricados como numa fábrica de pessoas que simulam comportamentos e perdem sua autenticidade – ou sua própria voz. E é justamente este ponto que pode fazer o mercado da influência ir perdendo seu valor. Acredito e acompanho pessoas que me estimulam a andar junto com elas, trazendo algo significativo que me leva a querer ver mais. 

Qual acredita foram os principais impactos da pandemia na indústria da moda? 

O principal impacto foi a necessidade das marcas de moda de avaliarem e reinventarem seus posicionamentos na internet, estratégias digitais e vendas on-line, principalmente durante os momentos de lockdown. Além disso, acredito que houve uma mudança de conversa como um todo, a partir do momento em que as pessoas começaram a trazer à tona sentimentos que estavam guardados ou que não eram prioridades até então. Dessa forma, movimentos sociais muito fortes como o Black Lives Matter, a sustentabilidade e a revenda tomaram protagonismo na moda. Sinto que é apenas o começo para a indústria da moda ter mais valores de inclusão, acessibilidade e respeito à Terra. 

E o que esperar da nossa relação com a moda neste novo cenário? O que mudou e ainda vai mudar na forma de consumi-la? 

A nossa relação com a moda vai caminhar conforme nossa situação política e social caminharem – como sempre foi. Eu, como ser humano, preciso me vestir todos os dias para minhas diferentes atividades que refletem as circunstâncias. Acredito que, em breve, estaremos em um novo lugar de questionar esse conforto extremo – oposto ao que vivemos nos últimos meses. Nossa busca será por roupas com mais estilo, personalidade e resultantes de upcycling e de criações únicas, cheias de identidade. Se será uma tendência de nicho ou mais ampla, só o tempo vai nos dizer. 

Foto: Divulgação JC / ARQUIVO PESSOAL JG

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