Em cena: o Oscar do streaming

O circuito cinematográfico e as distribuidoras precisaram se adaptar e utilizar os meios digitais para estrear os seus longas e promovê-los para os principais festivais do ano.

Gustavo Silveira Rezende | 24/04/2021

Colunista cinema

Desde o ano passado, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas vem apresentando sinais de evolução em relação aos seus pensamentos tradicionalistas e, muitas vezes, retrógrados.

Em 2020, o mundo presenciou um fato histórico na noite do Oscar: “Parasita”, um filme sul-coreano, abocanhou quatro das principais estatuetas da premiação – filme, diretor, roteiro original e filme internacional -, alterando drasticamente a forma como os votantes da Academia “enxergavam” os concorrentes e os vencedores da principal festa do cinema.

O Oscar 2021, que acontece no próximo dia 25 de abril, com transmissão a partir das 22h (de Brasília), está aí para comprovar tais mudanças, afinal as plataformas de streaming nunca foram bem vistas pela Academia. Hoje, reflexo da grave crise causada pelo novo coronavírus, o circuito cinematográfico e as distribuidoras precisaram se adaptar e utilizar os meios digitais para estrear os seus longas e promovê-los para os principais festivais do ano, lançando uma nova tendência, que dificilmente se perderá após a superação da pandemia.

Contando com diversos representantes da Netflix, Amazon, Disney +, dentre outras plataformas de streaming, os oito indicados a melhor filme nos brindam com histórias de superação, inclusão, introspecção, envelhecimento, fatos históricos, sátiras e homenagens ao cinema.

Vencedor de praticamente todos os prêmios de 2021, Nomadland – longa que se encaixa com o “novo normal” e com a escassez de trabalhos que estamos vivenciando – deve levar o principal Oscar da noite.

Mas, sabemos que surpresas sempre podem acontecer. Nesse caso, minha torcida particular vai para o arrebatador “Meu Pai”. Baseado em uma peça teatral, o longa é um genial e triste retrato sobre as perdas que a velhice nos traz.

Sustentado por uma atuação acachapante de Anthony Hopkins, o longa mexeu profundamente com os meus sentimentos e é o meu favorito entre os indicados. Decepcionantes, “Mank” e “Os Sete de Chicago” são os típicos “Oscar Bait”, ou seja, filmes produzidos especialmente para angariar indicações e conquistar prêmios.

Na categoria de melhor diretor, temos a presença de duas mulheres, sendo uma delas a favorita da noite: Chloé Zhao. Imprimindo um tom documental à produção e promovendo a interação genuína de atores com nômades reais, a cineasta consegue uma organicidade sublime ao contemplativo e reflexivo Nomadland.

O prêmio de melhor atriz está mais que disputado, com três concorrentes se revezando entre as vencedoras da temporada. A sempre divina Viola Davis está excepcional no modesto “A Voz Suprema do Blues”.

Frances McDormand consegue transmitir todo o realismo de sua personagem em uma atuação forte e genuína em “Nomadland”. Com “um nariz” de favoritismo, Carey Mulligan está fulminante no controverso “Bela Vinganca”.

A vencedora? Difícil arriscar, mas a minha preferida é Vanessa Kirby, que se entrega de corpo e alma em “Pieces of Woman”.

Com uma provável premiação póstuma – para o maravilhoso Chadwick Boseman por “A Voz Suprema do Blues” -, a minha torcida é toda para o veterano Hopkins.

Na pele de um idoso com demência avançada, o ator entrega seus sentimentos confusos pelo olhar, pelas expressões faciais e, muitas vezes, pelo cortante silêncio. Magistral!

Na categoria de coadjuvante, a atuação formidável de Daniel Kaluuya em “Judas e o Messias Negro”, assim como Yoon Yeo-jeong em “Minari” deverão ser reconhecidas.

As “barbadas” da noite deverão ficar por conta da animação “Soul”, do ótimo filme internacional “Druk” e do poético curta de animação “Se Algo Acontecer Te Amo”

Façam as suas apostas!!!!

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