E não é que o mineiro adora uma cerveja?

Com cerca de 180 fábricas, Estado é destaque no mercado nacional, com produtos artesanais premiados até no exterior.

Cristiane Miranda | 08/10/2021

Não é só de pão de queijo que o mineiro vive.  Agora, além dessa iguaria que é a nossa marca registrada, as cervejas artesanais entraram nesse cenário e têm provado que adoramos uma “breja”. Atualmente, o Estado está em terceiro lugar entre os que mais abrigam estabelecimentos na produção da cerveja artesanal com 178 locais; seguido do Rio de Janeiro com 258 cervejarias e São Paulo na liderança com 285. 

Os rótulos existentes são premiadíssimos e criativos. Mostram que os mestres cervejeiros usam e abusam dos nossos ingredientes fartos e variados: tem cerveja com cacau, pimenta, doce de leite, maracujá, e uma infinidade de sabores que caíram no gosto dos consumidores ávidos por novidades cervejeiras. 

“O conhecimento das matérias-primas é muito importante no processo de criação de uma cerveja artesanal. É preciso conhecer os insumos disponíveis e, claro, conhecer o mercado no qual atua”, opina o cervejeiro que está à frente da Falke Bier, Max Falcone.

Fundada em 2004 pelos irmãos Marco Antônio, Juliana e Ronaldo Falcone, a Falke Bier conquistou os mineiros com cervejas originais. A cervejaria familiar está localizada em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte e tem, atualmente, uma produção de 35 mil a 40 mil litros por mês e vários prêmios na estante. 

Em setembro, a cervejaria lançou mais uma novidade ao mercado: a Brisa da Serra, a Witbier, sétimo rótulo do Projeto Brasilidades. “Brisa da Serra é uma Witbier, cerveja de trigo belga, que leva pimenta rosa e casca da laranjinha capeta. Com corpo leve, macio e agradável, pois leva aveia e trigo na composição. Adicionamos pimenta rosa e casca da laranjinha capeta para trazer aromas cítricos e refrescância para a cerveja,” acrescenta Max Falcone.

Mercado Promissor

“Minas Gerais tem um mercado cervejeiro pungente, que vem se solidificando desde a década de 1990. Cervejeiros estudiosos que de amadores passaram a profissionais, se especializaram em cursos, estágios, intercâmbios e pesquisas. O resultado disso é a qualidade alta das cervejas produzidas no Estado e, por isso, premiadas no Brasil e no exterior”, salienta a beer sommelier, Fabiana Arreguy. 

Para a jornalista e especialista da área, as cervejas são classificadas de acordo com o estilo de cada uma. “Há vários parâmetros técnicos observados para cada estilo. Parâmetros que são descritos em guias oficiais de estilo, como o BJCP e o Brewers Association Guidelines. É a partir deles que analiso sensorialmente a cerveja, julgando atributo por atributo, independentemente do meu gosto pessoal”, diz. 

E quais são as melhores cervejas produzidas em Minas? “Não gosto de citar rótulos como melhores. Isso pressupõe que há rótulos piores. Então prefiro que cada consumidor escolha a cerveja que, para ele, é a melhor. Isso é o que importa: a melhor cerveja é aquela que eu posso e gosto de beber. É um conceito particular”, salienta Fabiana.

Plataforma Albanos

O empresário Rodrigo Ferraz é mesmo um visionário. À frente do Grupo Albanos, transformou seu negócio em um dos mais bem-sucedidos no mercado de cervejarias. Com 25 anos de atuação, o Albanos foi a primeira choperia da cidade, desbravou o mercado de delivery e foi um dos primeiros brew pubs. 

Em 2018, tornou-se a Plataforma Albanos de Cerveja, utilizando a fábrica do Jardim Canadá para a produção de uma linha própria de cervejas e chopes especiais que, entre fixos e sazonais, já somam mais de 50 rótulos. A plataforma incluiu também o Hub Cervejeiro, com uma fábrica urbana para produções especiais com 10 rótulos fixos, um brew pub, espaço para visitação, aulas, além de viagens de pesquisa e produção de conteúdo cervejeiro para as redes sociais.

 “Focamos em nossos pontos fortes: a infraestrutura do nosso delivery, que já vinha numa crescente e se fortaleceu ainda mais; a ampliação do e-commerce, que agora atende em âmbito nacional; e a qualidade do nosso produto, atestada pelo público e especialistas desde o início da nossa história, e desenvolvida ao longo desses anos”, explica Ferraz.

Desde 2020, os investimentos feitos pelo Grupo somam R$ 8 milhões. Com isso, a cervejaria vem preparando reestruturações no Albanos Hub Cervejeiro e na fábrica do Jardim Canadá, com planejamento de chegar à capacidade de produção de até 300 mil litros por mês, nos próximos dois anos. O empresário enfatiza que ainda tem muito mercado para ser conquistado e planeja alçar novos voos. 

“Ainda temos muito mercado a conquistar. Hoje, 90% das nossas vendas, ou até mais, está concentrada em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Estamos expandindo para o interior e atendemos nos outros estados via e-commerce, mas o plano é estar em São Paulo o mais breve possível”, diz Rodrigo Ferraz.

Em ebulição

A Cervejaria Capapreta, localizada em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH, foi fundada em 2013 com a característica de ser uma marca forte, produzir cervejas de qualidade e alta drinkability. Também agradou em cheio aos apreciadores de uma cerveja produzida de forma mais exclusiva e com sabores e aromes únicos. Entre seus rótulos estão a English Pale Ale, uma extra special bitter premiada no Brasil e Inglaterra; a Melon Collie Ipa; a Euphoria Juice e a Plata o Plomo.

A Verace, que tem sua fábrica de 1.500 m2, no Jardim Canadá, produz até 120 mil litros por mês, conta com equipamentos de última geração, um laboratório totalmente equipado e planta-piloto para desenvolvimento de receitas. Suas cervejas são muito bem aceitas pelo mercado, com a Verace Nice Hop, uma hop lager; a Verace Syrena, uma american Ipa; e Verace Laranja Mecânica, uma witbier.  

Já a caveira da cervejaria Läut nasceu em 2016 e tornou-se símbolo da empresa fundada pelo advogado e empresário Henrique Neves. A Läut Beer, também em Nova Lima, já conta com duas linhas consolidadas, e agora comemora sua ampliação com um novo segmento de cervejas especiais: Läut of Box. 

Esta linha é produzida em menor escala e prioriza aromas e sabores. Entre as cervejas de rótulo fixo estão a Montesa, uma pilsen; a Black Piano, uma dark lager; e a Blimey, uma pale ale.

Rótulos premiados     

As cervejarias mineiras colecionam títulos conquistados em torneios nacionais e internacionais. A Peregrinus, da Falke, já foi agraciada com a medalha de prata no Copa de Cervezas de América 2018, no Chile; e foi eleita a melhor Pale Ale de Minas Gerais no teste cego, da revista Encontro Gastrô. 

A cervejaria Capapreta, por sua vez, também já ganhou diversos prêmios com suas criações cervejeiras. A Capapreta Larger levou a medalha de bronze na Copa Cervezas de America. No World Beer Awards em 2019, a cervejaria foi premiada com a English Pale Ale (‘World Style Winner’ e ‘Brazil Winner’, na categoria ‘English Pale Ale Bitter Over 5,5%’), a Pina Colada (‘Brazil Gold’, na categoria ‘Speciality’), a Euphoria Juice (‘Brazil Bronze’) e a Porter Berry (‘Brazil Silver’, na categoria ‘Flavored Stout/Porter’). 

Neste ano, a Cervejaria Albanos faturou quatro medalhas no World Beer Awards. As cervejas Albanos Life Lager levaram a medalha de Prata na categoria Lager Light; a Albanos Accidentally Sour – Brown foi a vencedora do Brasil na categoria Sour & Wild Beer Oud Bruin e também medalha de prata na categoria Sour & Wild Beer Flanders Red Ale; e Albanos Accidentally Sour – Pumpkin, medalha de bronze na categoria Flavoured Wild/Sour.           

 “Uma cerveja para agradar a maioria precisa, acima de tudo, oferecer o que chamamos de alta drinkability, palavra que não encontra similar na língua portuguesa, mas que poderíamos traduzir como ” bebebilidade” ou alta facilidade de ser bebida. O segredo para a isso é o equilíbrio de sabores, teor alcóolico, corpo e carbonatação”, explica a beer sommelier Fabiana Arreguy.

Foto principal: Nathália Alvarenga