Doce Vacina

Este ano, antes de perguntar “onde você vai passar o Réveillon?”, vamos perguntar, “e aí, já tomou a segunda dose?”.

Humberto Alves Pereira Filho | 19/07/2021

Dia delas, coluna Humberto Alves Pereira Filho

Esta semana acordei feliz, com a sensação de um dever, de um prazer cumprido. Acordei cantando Rita Lee: “Venha me beijar, meu doce vampiro… Me acostumei com você, sempre reclamando da vida, me ferindo, me curando a ferida”.

Não sou adepto do masoquismo, nem daqueles que dizem, “de graça, até injeção no olho ou na testa”.

Mas gostei da injeção no braço. Finalmente vacinado, “mas nada disso importa, abri a porta, pra você entrar”, com uma doce agulhada, um deliciosa e libertadora picada.

“Antigamente”, as pessoas andavam se evitando, com medo de contrair a famigerada Covid-19. Com a vacina chegando, as mesmas pessoas começaram a evitar os não vacinados, perigos ambulantes.

Claro que ainda precisamos das máscaras e que o álcool em gel veio para ficar. Claro que ainda é cedo para os beijos, abraços e carinhos sem ter fim de “antigamente”. Mas estamos chegando, estamos voltando ao saudoso e saudável normal.

Estou vacinado e com vontade de sair contando para todo mundo. Vou comprar pão, dou bom dia e “estou vacinado”. Vou comprar jornal, bom dia e “estou vacinado”.

Ligo para os amigos e aviso: “Estou vacinado. E você?”. Virou uma senha, um código social.

Este ano, antes de perguntar “onde você vai passar o Réveillon”, vamos perguntar, “e aí, já tomou a segunda dose, de qual, gostou?”.

“Mais uma dose? É claro que eu estou a fim”. Doeu? Nada! Efeitos e defeitos colaterais? Nada! Quer dizer, cada caso é um caso. Os incômodos passam, o sentimento de liberdade fica.

Liberdade não para abusar, não para achar que estamos protegidos e livres para sempre. Mas a liberdade do primeiro passo para deixar estes terríveis 2020 e 2021 para trás e sem saudade.

Medo de avião? Medo de vacina, aeromoça e enfermeira? Pelo contrário. Uma picadinha de amor e saúde não dói.

E juro. Não tive vontade de me arrastar até a lagoa da Pampulha, nem até o rio Nilo. Meu braço também não grudou na geladeira.

Brincadeiras à parte, parece que há 44 anos eu esperava uma Pfizer para chamar de minha.

Porque amigas e amigos, a vacina, pelo menos para mim, é uma alforria, o caminho das pedras, o mapa da mina e da normalidade.

Sei que ainda é o ano em que vivemos em perigo, mas podemos ver trem, túnel e luz.

E assim caminhará a humanidade, devagar com o andor porque o vírus continua rondando, se modificando, ameaçando e o pior: gostou do Brasil. Chegou sem passaporte, sem visto e nem comprou a passagem de volta.

Mas a vacina é um passaporte muito mais amplo. Passaporte não apenas para a alegria dos estádios e arenas novamente cheios; passaporte para o livre ir e vir, para o transporte público, para o trabalho e, literalmente, para viajarmos como nos bons “velhos” tempos. Passaporte para uma vida talvez diferente, mas normal.

Sim, repito, estou feliz. Um misto de alívio e segurança. Uma mistura de liberdade com responsabilidade.

Agora e todo ano, venha me espetar, minha doce vacina. Quero me acostumar com você, sempre garantindo a vida, me picando e, mais que me curando, me protegendo.

Bom dia 2022! Estou vacinado! Pronto, não para outra, mas para uma nova.

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