Dia dos professores: a pandemia e a alfabetização

Com a mudança do presencial para o online, de forma repentina, a capacidade de adaptação das escolas e corpo docente foi fundamental.

Da Redação | 15/10/2020

Educação. A pandemia do Covid-19 afetou a vida e a rotina de todos. Na Educação temos visto diversos impactos. Escolas fechadas ou parcialmente abertas, aulas migrando para o ambiente online, participação ainda mais ativa dos pais, entre outras adaptações. Mas entre os alunos, certamente os que demandaram maior acompanhamento pedagógico foram aquelas em período de alfabetização. Afinal, como ensinar crianças entre 5 e 7 anos a ler e escrever no ambiente digital? Como envolver os pais no processo e controlar a ansiedade destes em ver os filhos lendo e escrevendo?

Segundo Fernanda Lima, sócia-proprietária do Colégio Orleans & Bragança, a tarefa foi e ainda é um desafio, com ajustes diários e individualizados. “Foi preciso ter bem estabelecido em qual fase cada criança estava nesse processo e traçar algumas ações particulares. Para tanto, agendamos atendimentos privativos entre professor e aluno. Assim o educador poderia focar nas necessidades específicas de cada criança. E, nas aulas comuns, fazer as atividades e avanços coletivos”, pondera.

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A colaboração dos pais, como auxilio a escolas, tem sido essencial. “O modelo de uso funcional da leitura e da escrita em casa é indispensável neste processo. Isso faz com que as crianças entendam este objeto de conhecimento como necessário para a comunicação, para a vida. Então, a leitura diária dos pais para os filhos, torna-se a contribuição mais importante neste período. Além disso, promover situações que envolvam a escrita como listas de supermercado, escrita de bilhetes carinhosos, recados rápidos, leitura de placas no trânsito, muitas vezes de forma até divertida para a criança, são exercícios que ajudam na fixação do aprendizado”, acrescenta ela. Jogos que trabalhavam com as letras e a formação das palavras também ganharam maior peso no processo.

Com a mudança do presencial para o online, de forma repentina, a capacidade de adaptação das escolas e corpo docente foi fundamental. “O foco e a metodologia mudam. Era preciso construir um ambiente favorável às intervenções pedagógicas para o desenvolvimento da leitura e da escrita. E não é possível fazer isso sem que os alunos se sintam seguros emocionalmente, sem que antes não esgotássemos as possibilidades de deixá-los falar, elaborar o que está acontecendo. Não podíamos queimar etapas. De fato estávamos diante de um desafio bem grande, acolher o anseio dos pais em ver seus filhos lendo e escrevendo, mas ao mesmo tempo fazer isso de uma maneira respeitosa a esta fase única, delicada e tão importante na vida das crianças”, acrescenta Fernanda.

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Ainda segundo ela, é importante lembrar que cada criança tem um tempo e é preciso respeitar esta fase para não atropelar, por inquietação dos adultos, o desenvolvimento escolar.

Paralelamente às adaptações de conteúdo, a escola também atuou apoiando as crianças e suas famílias no campo emocional. Mais uma vez os pais foram ouvidos de forma individualizada para poder expor suas particularidades. Enquanto alguns pediam por mais atividades para manter um filho ocupado, outros pediam menor volume por terem mais de um filho e um deles estar doente, dificultando o supervisionamento das atividades. “Nesse momento em que os pais estão sobrecarregados, precisamos ter a sensibilidade de pensar também no ambiente familiar. E entender como auxiliamos para a manutenção da saúde emocional de todos”, afirma Renata Dias, sócia proprietária do Colégio Orleans & Bragança.

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