Dia de Dante: Casa Fiat de Cultura promove bate-papo sobre “A Divina Comédia”

Da Redação | 23/03/2021

Cultura e uma boa conversa são elementos mais do que necessários para promover a reflexão, certo? Pensando nisso, a Casa Fiat de Cultura, em parceria com a Fundação Torino e o Consulado da Itália, realiza, neste dia, o bate-papo “Do Inferno ao Paraíso: uma conversa sobre A Divina Comédia”.

É claro que o tema não é por acaso. É que no dia 25 de março é celebrado o Dia de Dante. O primeiro e maior poeta da língua italiana, Dante Alighieri é chamado de “il sommo poeta” (o sumo poeta). Importante nome da cultura da Itália

O evento conta com a participação do professor de Literatura e História da Fundação Torino, Riccardo Cassoli. A palestra virtual homenageia o Dia de Dante no ano do sétimo centenário da morte do poeta. O evento será realizado às 19h, com transmissão online ao vivo. A participação é gratuita, com inscrição pela Sympla.

Neste bate-papo, Cassoli vai pautar a estrutura, os simbolismos e as alegorias presentes na obra-prima do poeta, “A Divina Comédia”. Ele explica que, mesmo depois de 700 anos, ainda vale a pena embarcar na “aventura de viajar com Dante”, e ressalta, segundo palavras do próprio Alighieri, que uma obra sagrada deve ser lida em quatro níveis: o literal, o alegórico, o moral e o anagógico (místico).

“Muito comumente, nas escolas, limita-se a interpretar somente o texto dantesco e a alegoria (o sentido subentendido), sem se preocupar em entender o que Dante escreve para nossa felicidade (significado moral) e para nossa salvação (nível anagógico)”, frisa o professor.

Composto por mais de 14 mil versos, o poema “A Divina Comédia” é dividido em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Foi escrito com viés épico e ideológico, e o próprio Dante é o protagonista desse enredo. Ele realiza uma jornada por essas três instâncias e, ao longo do caminho, cruza com amigos, conhecidos e outras figuras, sempre debatendo diferentes assuntos. A obra é uma alegoria sobre o caminho que um pecador precisa percorrer para encontrar a salvação e a felicidade eterna, mesmo sendo tentado pelo mal. A obra explora diversas questões, como a associação entre beleza e felicidade, e até com a salvação.

O bate-papo “Do Inferno ao Paraíso: uma conversa sobre A Divina Comédia” é uma realização da Casa Fiat de Cultura em parceria com a Fundação Torino Escola Internacional e o Consulado da Itália em Belo Horizonte, com apoio do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Fiat e do Banco Safra, copatrocínio da Expresso Nepomuceno, da Sada e do Banco Fidis. Conta com apoio institucional do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal, além do apoio cultural do Programa Amigos da Casa, da Brose do Brasil e da Brembo.

Dantedì, o Dia de Dante

O Dia de Dante entrou para o calendário italiano em 2020. A escolha 25 de março simboliza a “giornata dedicata a Dante”, pois diversos estudiosos indicam que essa seja a data de início da viagem d’A Divina Comédia. Para marcar o aniversário de 700 anos de sua morte, ocorrida em 1321, uniram-se, em uma iniciativa, parlamentares, intelectuais, acadêmicos e instituições culturais de renome na Itália, solicitando o dia para recordar a genialidade da ilustre personalidade.

Dante Alighieri

Considerado o “pai da língua italiana”, Dante foi um poeta, linguista, teórico político e filósofo que marcou a história da Itália, sendo uma das figuras culturais mais importantes do país. Nasceu em Florença, em 1265, e, até hoje, sua obra tem poderosa influência sobre toda a consciência literária ocidental. Sua importância vai além do poema em si. Em uma época em que apenas o latim tinha valor, a principal obra de Dante, A Divina Comédia, tornou-se a base da língua italiana moderna.

A Divina Comédia, sua obra-prima

A Divina Comédia não se revela apenas a obra-prima de Dante, como é considerada um dos livros mais importantes da literatura mundial. O poema épico conta uma viagem imaginária, em que Dante é o protagonista e ruma ao inferno, ao purgatório e ao paraíso. O texto é tão relevante que o nome do autor virou um adjetivo, e, hoje, se fala em “escrita dantesca”.

É o primeiro e maior épico moderno, e, mesmo séculos depois, continua a influenciar escritores e toda a literatura mundial, além de outras áreas da cultura, como a música, o cinema e até a arquitetura (o Palácio de Barolo, na Argentina, possui várias referências à obra, como a divisão do prédio em três áreas e os 100 metros de altura, em alusão aos 100 cantos do poema).

O livro foi publicado em três partes: a primeira, em 1317, a segunda, em 1319, e a última, depois da morte de Dante Alighieri. Estudiosos estimam que a escrita tenha levado cerca de 14 anos. Na proposta original, o livro se chamava apenas “Comédia”. O nome como conhecemos hoje foi usado em 1555, em edição composta por Ludovico Dolce, em Veneza.

Riccardo Cassoli

Riccardo Cassoli é professor de Literatura e História na Fundação Torino. Formado em Literatura Moderna pela Universidade de Macerata, onde defendeu tese sobre a Literatura Italiana no século XIX, já ministrou palestras na Itália e em outros países da Europa, sempre falando sobre temas relacionados à história e à literatura da Itália, além da obra de poetas, pensadores e dramaturgos, como Giacomo Leopardi, Nicolau Maquiavel e Luigi Pirandello.

Serviço:

  • Dia de Dante – 700 anos de morte de Dante Alighieri
  • Palestra ““Do Inferno ao Paraíso: uma conversa sobre A Divina Comédia” com o professor de história e literatura da Fundação Torino Riccardo Cassoli
  • 25 de março, às 19h
  • Bate-papo virtual, com retirada de ingressos gratuitos pela Sympla: http://bit.ly/DoInfernoAoParaiso
  • Casa Fiat de Cultura
  • Circuito Liberdade
  • Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG

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