De Minas para o mundo

Estilista e empresária global conta mais sobre sua trajetória inspiradora, a reinvenção e expansão da PatBo, aprendizados durante a pandemia e apostas para o momento e futuro

Tatiana Andrade | 08/11/2021

Fundadora da PatBo, Patricia Bonaldi acaba de levar sua marca para as passarelas físicas do NYFW, além de abrir as portas de sua primeira loja internacional nada menos do que na Big Apple, no bairro do Soho. Mineira de Uberlândia que ganhou o mundo, a estilista conta, no mês que celebra o dia do empreendedorismo feminino, sobre sua trajetória como empresária global, o processo de expansão e internacionalização da marca, seus aprendizados durante a pandemia, e o que mais ainda vem por aí.

Como começou sua história com a moda?

É incrível o quanto a moda sempre esteve presente na minha vida, sempre gostei e tive uma relação muito forte com o setor, embora tenha cursado Direito na Universidade Federal de Uberlândia. Gostava de desenhar minhas roupas e tinha uma costureira fiel, que inclusive veio trabalhar na fábrica e ficou conosco por muitos anos. Em 2002, resolvi investir minhas economias e abrir uma loja multimarcas, em Uberlândia, cidade em que cresci. Apesar de vender algumas marcas, muitas clientes se interessavam pelo que eu estava usando, que eram peças que tinha desenhado. Foi a partir daí que surgiram as demandas do sob medida, que aumentaram a cada dia.

E como chegou até aqui, saindo de Minas e alcançando o mundo?

O meu desejo de empreender surgiu de uma maneira orgânica e bastante natural. A partir do momento em que encontrei o meu diferencial – que é o handmade – pude compreender a minha missão e propósito. Mesmo na contramão do mercado, entendi que o “fazer à mão” traria uma exclusividade para o meu produto, um bordado nunca seria igual ao outro. Então acredito que com o produto certo, estando sempre atenta à velocidade de adaptação através do pioneirismo, ganhamos uma visibilidade importante para marca, levando à expansão global.

Como mulher empreendedora, enfrentou desafios durante essa trajetória?

Sempre acreditei que o medo pode ser nosso maior impeditivo, pois ele pode me paralisar. Então, enquanto empreendedora, enfrento os desafios, que são diários, mas sem deixar o medo tomar conta das minhas decisões. Outro grande desafio, que é uma constante de aprendizado na minha carreira, é lidar com pessoas. Acredito que se preparar para as relações de trabalho é essencial.

Como empresária de sucesso, como concilia todos os papéis que uma mulher costuma carregar?

Entendo que cuidando da minha saúde física e, principalmente mental, consigo conciliar meu dia a dia de uma maneira muito mais leve. Ter um time que confio e me apoia, entende da minha rotina (que de alguma maneira, é não ter rotina), me traz mais consciência, o que me ajuda bastante na tomada de decisões.

Sobre as dificuldades que o mercado de moda enfrentou durante a pandemia, quais foram seus maiores desafios e aprendizados? 

Na pandemia notamos que tudo pode mudar rapidamente, mas a forma que agimos determina as nossas reações, e foi isso que busquei: transformar o percalço em oportunidade. Foi nítida a importância de reinventar o varejo, durante este período, lançamos a linha home com pijamas, perfumaria para ambientes e almofadas, que hoje tem um market share super importante para a empresa. Lançamos collabs com artistas e influenciadores que transitam para outros universos, como a arte e maquiagem, coleções unissex, que sempre foi uma grande vontade. Nunca foi tão essencial ter bons profissionais ao lado. Estar perto do time, aberta para ouvir ideias, montar comitês que pudessem atuar em diversas áreas da empresa. Um time unido e fortalecido é o que me deu forças e motivação para seguir me reinventando. 

Num momento em que as compras on-line foram tão aceleradas, a marca apostou num espaço de 1.500m2 nos Jardins, em São Paulo, que apresenta também uma curadoria de outras marcas. Qual foi o propósito que motivou essa aposta e qual sua opinião sobre o futuro das lojas físicas?

Eu acredito e aposto no varejo físico. Sempre pensei no varejo em um lugar de experiência e no sensorial, um local que valesse a pena sair de casa, pois com o crescimento da era digital, a loja física só ganha sentido se for muito mais agradável que a compra de um produto. Por isso, eu sonhava em ter um espaço que traduzisse essa essência nos Jardins, que pudesse receber o nosso mix de produtos que transitam do resort aos vestidos de noivas. A vontade de encontrar um ponto que conseguisse abraçar todas as nossas necessidades e permitisse que nosso cliente vivesse todas as experiências que o mundo PatBO pudesse oferecer.

Sobre o processo de expansão, depois das inaugurações recentes da nova flagship em São Paulo e da primeira loja internacional em Nova York, quais as expectativas e planos para os próximos anos?

Até 2025 pretendemos ter 20 pontos físicos, expandindo para cidades como Porto Alegre e Fortaleza.

Fotos: Divulgação JC / PatBo