Crítica: Rocketman

A obra, espetacular, deixa evidente a sintonia e afinação entre os envolvidos. Desde roteiro, produção, mixagem de som, escalação de atores, chegando ao figurino, maquiagem e tratamento de imagem.

Da Redação | 01/10/2020

Cinema. Filme mostra os altos e baixos da carreira de Elton John, um ídolo mundial que enquanto enchia estádios, lidava com a solidão, com os vícios, e os fantasmas da infância. 

Até que ponto as marcas do passado podem interferir no presente de uma pessoa? Será que realmente vale a pena baixar a guarda e suportar tudo em nome de um possível amor? Dá para aceitar que a criança que você foi um dia não existe mais e simplesmente seguir em frente?

Estes são alguns dos questionamentos que facilmente podem ser extraídos de “Rocketman”, a cinematografia de Elton John. Uma produção musical, emocionante e nada óbvia, dirigida por Dexter Fletcher.

O filme apresenta ao público a jornada de transformação do garoto britânico tímido, Reginald Dwight, ao astro e rockstar mundialmente famoso, Elton John. De forma extremamente inteligente, a produção mistura fantasia e musicalidade dando o ritmo necessário para uma película de encher os olhos.

A obra, espetacular, deixa evidente a sintonia e afinação entre os envolvidos. Desde roteiro, produção, mixagem de som, escalação de atores, chegando ao figurino, maquiagem e tratamento de imagem. Cada detalhe recebeu um cuidado especial que pode ser notado em cena.

Para interpretar o músico, foi escalado o ator Taron Egerton (kingsman), que assumiu perfeitamente a identidade do astro. No decorrer do filme a transformação e a semelhança entre eles é impactante.

Vale dizer que Egerton recebeu carta branca para regravar as canções de John e pode mostrar sua totalidade artística.

“Foi imediato. Se alguém fosse encarnar meu personagem, sabia que precisava cantar. Queria alguém que pudesse trazer sua versão de mim. Não apenas por meio da interpretação, mas também pela música. Encontrar alguém capaz disso sempre foi muito difícil. Mas aí conhecemos Taron Egerton. Ele é realmente singular. É a única pessoa que poderia ter alcançado isso”, diz Elton sobre o ator.

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Todo esse talento foi mais que essencial para contar a história do filme. Isso porque além de se tratar da reinterpretação de uma das vozes mais marcantes da indústria musical, são os grandes sucessos que conduzem a trama. Assumindo, também, parte efetiva do enredo.

A escolha por esse formato foi inteligentíssima, pois permite ao diretor se afastar momentaneamente da ordem cronológica, sem comprometer a história de Elton. Coisa que outras cinematografias pecaram nos últimos anos.

O filme é triste, mas também é divertido. É musical, mas também é drama. Fala de solidão, mas mostra o amor e a vontade de ser amado. É nesse último ponto que as relações de Elton John são exploradas.

Carente de amor familiar, com um lar pouco estruturado, é como se o artista tivesse vivido grande parte da vida em busca de afetividade. Querendo matar o passado, mas ainda assim completar o sentimento que não obteve na infância.

Essa busca por afeto, coloca Elton em situações constrangedoras e deprimentes. Este é outro acerto do filme, que não esconde a sexualidade e relações do cantor.

Elton é um homem gay e vive sua homossexualidade como o rockstar que era. Nada velado como em “Bohemian Rhapsody”. Aliás, por falar em Bohemian, as relações com as drogas é outro ponto explicito na trama. Na primeira cena do filme todos já temos um gostinho das aflições e vícios que o cantor irá enfrentar no filme.

Mas não são apenas lados negativos que foram mostrados na telona. Bernie Taupin, interpretado por Jamie Bell, letrista, parceiro artístico por mais de 50 anos e acima de tudo amigo de Elton, mostra que o amor nem sempre vem de onde esperamos que ele venha. Nesse aspecto o longa é uma grande celebração a amizade.

Durante o filme nos são apresentados também a mãe do astro, mulher com quem ele tinha uma relação conturbada, interpretada por Bryce Dallas Howard, seu empresário e ex-amante, John Reid, que ganha vida através de Richard Madden. Além de outras peças importantes na história do músico.

Nas palavras do próprio Elton, que deu ao elenco e aos realizadores total liberdade para contar essa história, “Minha vida foi bem doida. Os baixos foram muito baixos, os altos foram muito altos. Infelizmente, não houve muito equilíbrio entre eles”.

Acredite, tudo isso e muito mais foi contato em “Rocketman” de uma forma divertida, profunda e corajosa que merece ser vista.

Nota: 10/10

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