Como começa uma família? 

As experiências e convivências que vamos ter nela nos marcarão para o resto de nossa vida e determinarão a forma como iremos nos relacionar.

Cristina Santos | 15/08/2021

Quando um homem e uma mulher, ou dois homens, ou, ainda, duas mulheres se unem através de um casamento ou de uma relação estável estão iniciando a base para se transformarem numa família.

Essa família poderá ser formada através do nascimento de um filho biológico, adoção, barriga de aluguel, fecundação artificial (banco de sêmen), fecundação in vitro, ou numa segunda união pós-separação, através de filhos do primeiro casamento ou gerados nessa nova relação que é a família recasada.

Nascemos e crescemos em algum tipo de família ou em uma instituição que a substitua. As experiências e convivências que vamos ter nela nos marcarão para o resto de nossa vida e determinarão a forma como iremos nos relacionar, fora da família e também nas futuras famílias ou uniões que viermos a construir.

A nossa única família, na qual nascemos, é chamada família de origem, e a que surgirá com o nascimento ou a adoção de um filho, quando nos unimos a alguém, será a família nuclear. E quando isso acontece essa família que deverá ser considerada a prioridade. 

Quando um homem e uma mulher se unem ou casam, cada um deles tem atrás de si uma respectiva família, mais ou menos próxima, mais ou menos organizada, mais ou menos numerosa e esse encontro de famílias, com seus diferentes integrantes – pais, avós, bisavós, primos, tios, cunhados -, forma a família extensa, que representará uma variedade de relações, que implicará numa série de regras de convivência. Através de ligações e associações entre esses diferentes personagens vai ocorrer um conjunto de arranjos e combinações que poderão ser novas relações satisfatórias ou não.

Um homem e uma mulher quando se casam esperam uma igualdade entre eles. O casal pode se iludir com essa ideia, mas quando surgem as primeiras diferenças do dia-a-dia – a forma de se alimentar, organização, horário e modo de dormir, a frequência do sexo – começam a perceber que não são idênticos ou almas gêmeas como imaginavam. De onde trouxeram a maioria desses hábitos? De algum lugar, claro, e esse lugar é a família de origem.

Ambos parecem ignorar que estão continuando uma vida, iniciada na família de origem de cada um e que os marcou, com as experiências e convivências que ali tiveram, dando-lhes características particulares que os comandarão para o resto de suas vidas. Dessa maneira vão se relacionar entre si, com os irmãos, com os membros da família extensa e com os filhos que virão ou não, de acordo com a sua identidade familiar, formada em suas respectivas famílias. Essa identidade é a sua cultura, raça, religião, valores, crenças, hábitos e, principalmente, o que compartilharam com essa família, de bom ou de mal.

Vivemos numa complexa rede de relações familiares na qual haverá um cruzamento de várias famílias, através de seus vários integrantes, os quais precisarão de regras de convivência básica que possibilitarão um nível de relacionamento satisfatório entre todos os integrantes. Caso essas regras não sejam do conhecimento dos envolvidos poderão ocorrer problemas familiares mais ou menos severos.

Mas não podemos falar dessas regras de convivência sem falar da maneira como as famílias se organizam. Hoje as famílias vêm se adaptando as mudanças sociais, o que leva a diferentes formas de organização familiar. Então, quando a família se inicia pode ser com diferentes configurações, assim também como quando os pais se separam, podem surgir várias modalidades de organização familiar: as famílias uni parentais pós divórcio, as recasadas (da nova união de pais que foram casados ou pelo menos um deles); e as formadas por homossexuais masculinos e femininos, com seus respectivos filhos do primeiro casamento ou que adotarão nessa nova relação. 

Como falei a pouco são necessárias regras básicas de convivência que formarão os pilares do funcionamento familiar. Ao pensar na necessidade da existência das regras de convivência, conclui-se que elas seriam aplicadas pelos integrantes do casal, alicerce dessa família.

Quando um casal se forma, ele acredita, sofre da ilusão de que conseguirá formar uma ilha imune às influências de suas respectivas famílias de origem, dos filhos quando vierem e do próprio contexto sócio cultural onde vivem.  

Por isso, a importância do casal reconhecer seu contexto, seu papel e o fortalecimento dessa união, para que não seja desmanchado ou levado por essa força das famílias de onde cada um nasceu.

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