Coluna “Em cena”

O maravilhoso roteiro aborda o cinema como instrumento de transformação e como fio condutor para a interação e para o destino de cada um dos inesquecíveis personagens.

Gustavo Silveira Rezende | 08/10/2020

Em minha coluna de estreia aqui no Cidade Conecta, trago para vocês a resenha do meu filme preferido. “Cinema Paradiso” é um longa italiano de 1988 que promove uma verdadeira declaração de amor à sétima arte, abordando temas como amizade, gratidão, desilusão e a busca pelas origens.

Dirigido por Giuseppe Tornatore, o filme se passa nos anos que antecederam a chegada da televisão, em uma pequena cidade da Sicília.

Nesse contexto, conhecemos Toto, um garoto apaixonado pelo cinema, que inicia uma profunda amizade com Alfredo, projecionista que se irritava com certa facilidade, mas tinha um enorme coração. Todos estes acontecimentos chegam em forma de lembrança quando Toto, agora um um cineasta de sucesso, recebe a notícia do falecimento de Alfredo (não é spoiler, esse fato está presente na primeira cena). Vencedor de praticamente todos os festivais que participou, inclusive o Oscar de filme estrangeiro, “Cinema Paradiso” é um longa atemporal e que “envelheceu muito bem”.

O maravilhoso roteiro aborda o cinema como instrumento de transformação e como fio condutor para a interação e para o destino de cada um dos inesquecíveis personagens. O lindo romance entre Toto e Elena é melhor explorado na versão estendida, que oferece quase 1h a mais de novas cenas e de novas perspectivas sobre essa fascinante história.
Outro grande destaque é a estupenda trilha sonora de Ennio Morricone. Misturando piano e instrumentos de corda e de sopro, a trilha transborda sentimento e lirismo, transformando-se em mais uma “personagem” do filme.

O elenco é impecavel! Philippe Noiret entrega uma atuação inesquecível na pele de Alfredo. A clássica história do senhor rabugento que é modificado por uma criança encantadora ganha contornos mais profundos, mostrando a importância do projetista para a cultura local e para a formação moral, profissional e afetiva de Toto. Salvatore Cascio compõe o garoto Toto de maneira irresistível, inundando a tela com muito carisma e protagonizando situações impagáveis. O restante do elenco – especialmente os atores que interpretam Toto em outras fases da vida – também desempenham um excelente trabalho.

Com uma cena final capaz de “derreter” até os corações mais duros, “Cinema Paradiso” é um filme imortal.

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