Bolsa de Valores bate recorde de injeção de capital estrangeiro no primeiro semestre

Foram R$ 48 bilhões que podem fazer com que o índice Ibovespa atinja os 145 mil pontos até o final do ano, avalia especialista.

Da Redação | 19/07/2021

investimentos na B3

No primeiro semestre de 2021, a B3 (Bolsa de Valores brasileira) registrou uma entrada recorde de estrangeiros na bolsa de valores. Eles injetaram cerca de R$48 bilhões, o que representa quase 50% na bolsa.

Na opinião do assessor de investimentos da iHUB – credenciada XP Investimentos -, Guilherme Ammirabile mesmo com esse fluxo nos seis primeiros meses do ano, é importante salientar que o Brasil deve receber um fluxo maior de capital estrangeiro quando voltar a receber o grau de investimento, visto que ano passado houve uma retirada da B3 de R$31,8 bilhões.

“Os estrangeiros entraram devido a melhora das expectativas de crescimento do País e também com a surpresa no primeiro trimestre de 2021 – momento mais agudo da pandemia, aliado ao prosseguimento das reformas, o que diminuiu o risco no Brasil, e os ativos de riscos voltaram a subir”, comenta.

Entre os benefícios do fluxo estrangeiro estão a melhora na percepção da economia brasileira, além da confiança para o empresário escalar, tornando-o mais disposto a investir e gerando mais empregos, aquecendo a economia.

Projeção

A projeção de alguns analistas é que a bolsa de valores alcance a marca de 145 mil pontos, porém, isso não significa que o caminho será tranquilo, visto que quando o assunto é a bolsa, ainda mais no Brasil, a volatilidade está atrelada na maioria das vezes.

Ammirabile explica que alguns aspectos políticos podem impactar nesse resultado, como a reforma tributária e administrativa. “Se não conseguirmos passar por essas reformas, as chances são menores para que a bolsa atinja esse patamar. Outro fator que pode interferir é a corrida eleitoral para 2022, tema no qual já vem ganhando espaço no mercado financeiro”, comenta.

O índice encerrou 2020 com 119 mil pontos, hoje já está na casa dos 127 mil pontos, resultando em uma valorização de aproximadamente 7%. No começo de junho, o Ibovespa atingiu seu pico, chegando aos 131 mil pontos.

Cotação do dólar

No começo de março, a moeda americana atingiu o maior patamar do semestre, chegando na casa dos R$5,83, o que foi motivado pelo avanço da segunda onda da covid-19 no Brasil. Já a mínima foi de R$4,92, no final de junho, devido a perspectiva de um aperto monetário mais robusto por parte do Banco Central, elevando 0,75 pontos percentuais da taxa Selic, atingindo 4,25% ao ano.

Com uma taxa de juros mais alta, os investidores estrangeiros são atraídos, o que pode derrubar a cotação do dólar.

“O andamento das reformas, a vacinação ganhando tração e o Banco Central sendo duro na inflação faz com que a percepção de risco no país caia, resultando em um fluxo de entrada de estrangeiros. Desta forma, o dólar tende a recuar, isso se o risco político e a reforma tributária permitirem”, explica.

Apesar de ter começado o ano com uma forte depreciação, por conta de novos temores de uma segunda onda do novo coronavírus, a moeda brasileira fechou o primeiro semestre com uma valorização de 4,13%. Esse resultado é fruto de uma melhora das perspectivas de crescimento do País, após o PIB do primeiro trimestre ter surpreendido positivamente.

Selic

Segundo o último boletim focus do Banco Central, a Selic deve fechar o ano acima de 6,5%. Já a XP Investimentos projeta uma taxa de 6,75%.

O aumento dos preços, principalmente das commodities e da energia elétrica, além de uma retomada acentuada da demanda interna fizeram com que a inflação persistisse. Desta forma, os economistas reviram as projeções da Selic para um patamar mais elevado, tentando conter a inflação.

“A situação hídrica deve continuar pressionando os preços da energia elétrica. Essa situação deverá forçar a inflação, pois toda cadeia produtiva é impactada e esse custo é repassado ao consumidor final. Já as commodities, que foram os principais vilões da inflação no primeiro semestre, tiveram um arrefecimento nos preços, aliviando assim um pouco a pressão inflacionária”, comenta Ammirabile.

Índices

Confira o desempenho no primeiro semestre de outros índices e opções de investimentos:

  • Ouro: -7,04%
  • IGP-M: +15,08%
  • IPC-A: +3,71%
  • CDI: +1,27%
  • Poupança: +0,88%

Foto: Gerd Altmann / Pixabay

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