BH de volta à sua efervescência cultural

Retorno das atividades acontece aos poucos, mas há uma programação com vários lançamentos.

João Eugênio e Thiago Romano - BH Cosmopolita | 21/07/2021

Artista Felipe de Oliveira

Aos poucos, Belo Horizonte vai voltando com sua efervescência cultural e a cidade passa a receber uma programação com vários lançamentos. Por aqui trazemos um pouco do que está rolando de novidade na música e no teatro para você.

Um disco voador (ou pedaço da lua) nas montanhas de Nova Lima

Dono de uma das vozes mais singulares da música mineira, o cantor e intérprete Felipe de Oliveira acaba de estrear seu mais recente single: “Descasos”. A faixa traz questionamentos sobre o viver em sociedade, ou talvez, como diz o artista: “uma exaltação ao outro que habita em nós e nos comanda”. A canção dá o pontapé inicial para seu novo álbum, intitulado “Terra Vista da Lua”.

“Num mundo pré-pandemia, eu e (o compositor) Juliano Antunes nos encontramos no coreto da Praça da Liberdade, para que me mostrasse algumas de suas canções. Dentre elas, estava ‘Descasos’. Ouvi repetidas vezes e, no caminho de volta pra casa, chorei muito, pois, naquele momento, eu havia encontrado algo vital do meu 2º álbum, então em estágio embrionário. Este disco é uma ode ao encontro com o outro, num tempo em que o capital superdimensiona a rigidez da fronteira do eu”, explica Felipe.

“Descasos” vem acompanhada de um videoclipe cinematográfico que, a partir de um objeto estranho cravado nas montanhas de Nova Lima, constrói alegorias imagéticas que remetem ao espaço, caminhos, pertencimento ou não.

“Eu não acreditei quando encontrei esse lugar. Primeiro porque parecia uma coisa pós-apocalíptica, uma nave espacial, um disco voador. E servia perfeitamente para o conceito do novo disco. E é só uma caixa d’água abandonada. Mas, quando fiz a primeira imagem aérea, tudo ganhou nova dimensão, porque visto de cima, aquilo parecia a lua”, conta.

Como fez o vídeo todo sozinho, apenas com alguma ajuda do seu irmão Gabriel, foram mais de 15 dias de gravação, tendo que lidar com as limitações do tempo de duração da bateria do drone e também do pôr-do-sol, cuja luz era imprescindível. Apesar da trabalheira, Felipe afirma que foi melhor assim: “porque é uma coisa que fica sendo expressão minha. Um braço estético da música, também com minha autoria”.

Assista ao vídeo:

Clarice Lispector no retorno do teatro no CCBB BH

Uma jovem nordestina que imigra para o Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor, mas, vista pela sociedade como uma mulher desprovida de qualquer atrativo, tem sua inocência pisada e sobrevive em uma existência medíocre.

Esse ainda é o enredo da vida de muitos brasileiros e também de um dos livros mais emblemáticos de Clarice Lispector: “A Hora da Estrela”. A obra tornou-se musical em 2020 para celebrar o centenário da escritora, teve a sua temporada interrompida pela pandemia do Covid-19, e agora retorna aos palcos do CCBB BH para uma temporada especial até o dia 26 de julho.

A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa
O espetáculo “A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa” traz canções de Chico César (Foto: CCBBBH/Divulgação)

“A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa” tem adaptação e direção de André Paes Leme e traz canções especialmente compostas por Chico César. No palco, Laila Garin dá vida à Macabéa, a mítica protagonista, e também ao narrador de Clarice Lispector, que a adaptação transforma em uma Atriz. Cabe à artista alternar entre dois estados cênicos para interpretar a personagem, e também observar e comentar a história, de um jeito que levanta uma série de questões ao longo da encenação.

Um dos nomes mais reconhecidos do teatro musical brasileiro, Laila Garin vem de uma trajetória de grandes protagonistas em cena, e recordista de premiações por seus papéis em “Elis – A Musical” e “Gota D’Água [a seco]”.

Para se tornar Macabéa, ela passou por um processo de criação inédito em sua carreira, com composições desenvolvidas ao longo do processo de ensaios. Para ela, a peça é um grito de indignação com muita poesia, e que aborda temas importantes no País.

“’A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa’ fala das pessoas supostamente invisíveis, fala de solidariedade, de olhar para o outro com afeto. Além de tudo, é uma peça sobre esperança”, a atriz analisa.

Para quem quiser conferir, o espetáculo fica em cartaz no CCBB BH até o dia 26 de julho, sempre de quarta a segunda, às 20h. O teatro conta com um protocolo rígido de segurança e exige a compra antecipada dos ingressos no site (LINK) . Para quem preferir, ou não conseguir uma entrada, as sessões serão exibidas ao vivo pelo canal do Youtube do Banco do Brasil (LINK).

Carolina Correa
Carolina Correa se apresenta no Microteatro.br (Foto: Leandro Miranda)

Matando a saudade de vários artistas de BH

Um dos programas mais interessantes da noite belo-horizontina pré-pandemia era o La Movida, um bar delicioso que costumava ocupar um casarão no bairro Floresta, e trazia uma programação de micropeças de teatro. Com 15 minutos de duração por espetáculo, em um espaço reduzido e público limitado, a ideia era promover o encontro de artistas e plateia de um jeito único e potente, além de dar espaço e promoção a criadores, projetos e processos da cidade.

Com a Covid-19, o projeto teve de se reinventar em ambiente online e agora realiza a sua segunda edição virtual, entre 22 e 31 de julho. Com o nome Microteatro.br, este ano traz 16 micropeças, sendo quatro delas para o público infantil.

A programação traz grandes nomes das artes belo-horizontinas como Marcelo Veronez, Grupo Maria Cutia, Lira Ribas, Carolina Correa, Chico Aníbal, entre vários outros, em trabalhos que reúnem estéticas muito diferentes entre si: micropeças musicais, dramáticas, cômicas, teatro de bonecos, show, teatro de máscara e animação.

Margareth Serra e Chico Aníbal
Margareth Serra e Chico Aníbal (Foto: La Movida/Divulgação)

Segundo a idealizadora do Microteatro La Movida, Clarice Castanheira, para esta edição, o formato do projeto passou por algumas mudanças, com foco na experiência do público. Houve um aprimoramento na captação das imagens, montagem dos vídeos e também novos recursos de interação.

“A micropeça tem detalhes muito sutis, principalmente pensando no seu formato presencial. Como solução, a gente propôs gravar em espaços bem pequenos, e grande proximidade do artista com a câmera, para que isso chegasse ao espectador”, explica.

Para conhecer melhor a programação, ou assistir aos espetáculos basta acessar o perfil @lamovidamicroteatro no Instagram. A mostra vai de 22 a 31 julho, sempre às quintas e sextas, com sessões às 21h, 21h20 e 21h40; e aos sábados às 16h e 16h20, para as micropeças infantis. Para quem não conseguir assistir no horário oficial de transmissão ou quiser rever, as apresentações ficam disponíveis gratuitamente na plataforma durante 30 dias após o evento.

Foto: Autorretrato/Divulgação

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